Prefeitura Municipal de Aracaju/SE

Cuidado com cães pode diminuir incidência de abandono

Cuidar bem dos animais domésticos não é encarado apenas como um gesto de zelo pelos veterinários e autoridades sanitárias, mas também como uma obrigação que os proprietários têm que assumir. A guarda de um cachorro envolve tarefas tão importantes quanto alimentar, dar banho e levar para passear.

Segundo a veterinária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Margareth Pinheiro, quando os proprietários de animais domésticos, principalmente os cachorros, assumem de forma mais séria as responsabilidades inerentes à guarda dos bichos, é possível diminuir a prática do abandono e a incidência de eutanásia.

“Os donos de cachorros precisam exercer um controle maior sobre o comportamento de seus bichos e adotar hábitos que melhorem não só a rotina do animal, mas também a convivência entre ele e a população ao seu redor. Levar o cachorro para vacinar e acompanhar a sua reprodução são algumas atitudes que podem ser adotadas pelos proprietários, visando o bem da coletividade”, afirmou a veterinária.

“Para que possamos exercer total controle sobre a quantidade de animais no espaço urbano e o seu comportamento, procuramos conscientizar os proprietários a respeito do acompanhamento da saúde e da reprodução de seus bichos, principalmente os cachorros”, complementou Margareth.

Programa

É justamente com o objetivo de conscientizar os donos de animais a respeito dos cuidados realmente necessários que a Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), por meio do Centro de Controle de Zoonoses, unidade da Secretaria Municipal de Saúde, tem desenvolvido o programa Posse Responsável, coordenado pela veterinária Margareth Pinheiro. O foco das atividades é orientar as pessoas que detêm a guarda de cachorros e acompanhar o comportamento da população canina na cidade, zelando pela saúde do animal e da própria sociedade.

Ela explica que a primeira etapa do programa, que consiste na identificação e classificação dos cachorros existentes na cidade, já foi concluída com sucesso. “Nós classificamos a população canina em quatro grupos, para facilitar os trabalhos e planejar melhor as ações desenvolvidas. A partir de então, o próximo passo serão as ações de conscientização, voltadas ao proprietário”, adiantou Margarete.

As ações envolvem a disseminação de placas educativas pela cidade, indicando a importância de usar coleira nos cães e recolher seus dejetos – como as que já existem no Parque Augusto Franco (Sementeira) -, estimular a população a adotar animais sem lar e gerenciar convênios entre o CCZ e outras entidades, como clínicas de medicina veterinária, com o objetivo de realizar campanhas de castração e esterilização.

“Outro passo fundamental é fazer com que os proprietários registrem seus animais ou os resgatem quando necessário. Nosso projeto inclui até uma penalidade caso as pessoas responsáveis não adotem esse comportamento”, explicou Margareth, ao destacar que o desenvolvimento das ações depende da aprovação de um Projeto de Lei que tramita na Câmara Municipal de Aracaju (CMA).

Controle

Com o objetivo de planejar melhor as ações, as equipes do Centro de Controle de Zoonoses classificou a população canina de Aracaju em quatro grupos: os totalmente restritos, os parcialmente restritos, os comunitários e os errantes. “Os totalmente restritos são aqueles animais sobre os quais os proprietários têm total controle, principalmente quanto à saúde e à reprodução. Já os parcialmente restritos são as categorias cujos donos têm certo controle, mas os cães passam a maior parte do dia na rua, só voltam para dormir em casa. São mais comuns nas regiões periféricas da cidade”, explicou a veterinária Margareth Pinheiro.

Ainda segundo ela, os comunitários, grupos de cães que não possuem dono, mas recebem cuidados de várias pessoas da comunidade, são os que mais preocupam os profissionais do CCZ. “Eles recebem muitos alimentos e acabam sendo envolvidos emocionalmente com toda a comunidade de um determinado local. Então, eles se reproduzem em um ritmo praticamente vertiginoso. Nossa intenção é fazer com que eles se tornem totalmente restritos, conseguindo pessoas que queiram cuidar deles”, disse.  

Já os errantes, aqueles que vivem na rua e sem um lar definido, não preocupam tanto, devido ao tempo curto de vida. “Por mais que recebam cuidados de uma ou outra pessoa, estão o tempo todo expostos ao meio ambiente, a riscos de atropelamentos ou envenenamentos. Então, eles não vivem tanto tempo quanto os comunitários, por exemplo”, explicou Margareth.