Prefeitura Municipal de Aracaju/SE
Educação

Escola municipal desenvolve projetos que dialogam com comunidades da zona Oeste

22/03/19 11h54

Quem visita a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor José Antônio da Costa Melo, no bairro Getúlio Vargas, tem o olhar instantaneamente atraído para uma pequena horta que fica na lateral do acesso ao prédio da unidade. Na parede, ao fundo, uma pintura identifica: ‘Espaço Natural da Medicina’. E é nesse cantinho especial que os alunos 4º Ano ‘A’, junto com a professora Ginalva Ferreira Souza Santos, cultivam diversos tipos de plantas medicinais, entre elas, aroeira, mastruz, capim santo, hortelã, aranto, babosa e manjericão. Mas o plantio, em si, foi apenas uma parte dessa história. O projeto é um dos vários que a equipe realiza durante o ano. Idealizado pela diretora da unidade, a professora Itamara Leite Lopes, a proposta tem como premissa o ‘cuidar’.

“Eu já era professora da casa e assumi a gestão da escola em 2016. Foi nessa época que conseguimos observar melhor a comunidade, ver o que ela necessitava para, então, propor mudanças, pois estas não ocorrem de cima para baixo. Tem que ser dialogada. Então, prontamente nos demos conta que este é um ambiente - o espaço físico e o elemento humano – que necessitava de atenção em vários sentidos. Assim nasceu o projeto ‘Eu cuido…’. A partir dele criamos o ‘Eu cuido da… Saúde!’, que segue por várias vertentes, uma dela é o espaço natural da medicina; e tem também o ‘Eu cuido da… Cidadania!’, que vem tomando força com a escolha dos representantes de turma de forma democrática. Com o ‘Eu cuido da… Arte’, temos aberto a escola para que grupos musicais e teatrais da região, que se apresentam e ensaiam aqui”, descreveu.

No caso do ‘Espaço Natural da Medicina’, a execução das várias etapas levou semanas. “Os alunos pesquisaram o tema, entrevistaram mães, avós, a família e amigos. Inclusive, algumas mudas foram doadas pelos pais dos alunos. Depois, a turma escolheu o local onde deveria ser criada a horta.”, explicou a professora Ginalva. A limpeza do terreno foi feita em regime de mutirão, inclusive com a ajuda da Emsurb. E os meninos aprenderam a cortar pneus, a virá-los e pintá-los. Com ajuda de um técnico da Coordenadoria de Arte e Educação (Coarte), da Secretaria Municipal da Educação (Semed), a turma fez um estudo das cores e definiu, além do nome, como seria o mural que identifica a horta. E são eles os responsáveis pela manutenção e cuidado. “Então, é um trabalho coletivo, que é um dos traços do Costa Melo”, destacou a diretora Itamara.

Cidadania e participação

O ‘Eu cuido da… Cidadania!’ é outra iniciativa bem-sucedida da escola e que ganhou força com a questão da escolha dos representantes de turma feita de maneira democrática, em 2017, com a participação do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE). “Inclusive, a primeira diplomação contou com a presença da secretária Maria Cecília Tavares Leite; com o diretor da escola judiciária do TRE-SE, Francisco Alves Júnior, e o corregedor regional eleitoral, o desembargador Edson Ulisses de Melo. Eles receberam até diploma. Foi um momento muito rico, através do qual eles entenderam como é e o que é um processo de eleição. E que a democracia não começa e nem se encerra numa eleição”, aponta Itamara.

De acordo com a professora, foram feitas as inscrições, a homologação da inscrição dos candidatos, os debates em salas de aula e todas as etapas envolveram a comunidade escolar. “Foi muito interessante, porque teve professores que achavam que não havia aula naquele dia, mas é que as classes estavam muito concentradas nos debates e cada um, na sua sala, conversava sobre a escola, sobre as propostas dos candidatos, Conjuntamente, definimos como a eleição ocorreria: disponibilizamos uma sala, os alunos iam para a cabine eleitoral. O voto foi secreto. Houve a apuração, então, tudo isso fez transmitíssemos a lição que queríamos: que cidadania e democracia constituem-se de várias etapas e que a eleição é apenas uma delas.”, destaca a diretora. E desde o final de 2018 o projeto avançou ainda mais. “Os alunos perceberam que não adiantava apenas eleger, mas que era necessário definir os papéis dos eleitos. Assim, surgiu a ideia de fazer o estatuto do Conselho do Representante de Turma. Eles redigiram o documento, que contém quatro comissões de trabalho: patrimônio, direitos humanos, meio ambiente e eventos. Daí, eles descreveram o que cada uma fará, além disso, eles definiram quando será realizada a próxima eleição”, descreveu.

Para a secretária da Educação de Aracaju, professora Maria Cecília Tavares Leite, é gratificante ver o trabalho desenvolvido pela unidade. “A Secretaria Municipal da Educação de Aracaju busca apoiar os projetos desenvolvidos nas nossas escolas, respeitando a autonomia das equipes, mas garantindo o ganho educacional aos nossos alunos. No caso do Costa Melo, essa é uma escola que tem muito orgulho de si, da sua comunidade. E esta, quando vê que há um trabalho sério, que existe uma aposta, claramente responde ao chamado da direção, dos professores, soma-se. E isto é atuar para além dos muros da escola. É construir uma prática com significado e que traz resultados concretos para a vida das pessoas”, avalia.

Casa

Para o aluno do 8º ano, Carlos André Alencar dos Santos, estudar no Costa Melo foi um divisor de águas. Aluno da unidade desde 2011, ele descreve como a escola o ajudou a crescer. “Quando eu entrei na escola, não tinha ideia que teria todas as oportunidades que encontrei aqui, de além de estudar, ser atleta, de fazer parte do Conselho dos Estudantes, enfim, coisas que não passavam pela minha cabeça. Lembro que eu era bem tímido, não falava com ninguém, mas com o passar do tempo, fui conhecendo a escola, as pessoas, me interessei pelo atletismo e com dez anos iniciai na modalidade. Dois anos depois, comecei a competir e viajar, já fui para o Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraná. E participando do Conselho, tive a oportunidade de participar de vários debates, de pensar na minha escola de outra forma. Agora, quero terminar meus estudos, entrar na universidade e virar designer gráfico, e essas experiências todas vão me ajudar. A Escola Costa Melo é minha segunda casa, é um local que eu amo”, declara.

E a unidade também é a ‘casa’ de mais gente. “Hoje, estamos atendendo a vários grupos culturais: dois grupos de teatro, que ensaiam aqui; dois grupos musicais da redondeza, que é o ‘Descidão dos Quilombolas’, cuja sede fica no Geruzinho; a ‘Orquestra de Atabaques’, que estava no Centro de Criatividade e que solicitou apoio da escola e estão, agora, frequentando nosso prédio. Inclusive, recentemente, teve a audição para o coro e nós participamos e foi muito lindo. Há também um grupo de dança que é do bairro Cirurgia, então, a Cultura da região, do Getúlio Vargas, é vasta. Tem a Maloca aqui do lado, é uma comunidade muito rica culturalmente e a escola é aberta para acolher todas essas manifestações. No dia de domingo, também acontece aqui, em nossa quadra, um dos mais antigos campeonatos de futsal da cidade, que acontece há 30 anos já. Também fizemos, junto com os vizinhos, um campinho de futevôlei. Enfim, a Emef Professor Costa Melo é assim”, descreve, sorrindo, a diretora Itamara.