Prefeitura Municipal de Aracaju/SE
Agência Aracaju de Notícias

Segunda dose da vacina dá mais segurança para profissionais da saúde

07/04/2021 07h01

Se o novo coronavírus se tornou uma grave ameaça para todo o mundo, os riscos foram ainda maiores para os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia. Por isso, a chegada da vacina a Aracaju trouxe novo fôlego para médicos, enfermeiros e auxiliares, que foram os primeiros a serem imunizados na capital; já são mais de 22 mil profissionais vacinados com a primeira dose e cerca de 15 mil com a segunda dose.

Agora, passados dois meses desde que a Prefeitura de Aracaju iniciou a vacinação na capital, grande parte desses profissionais já recebeu a segunda dose, o que traz para eles maior segurança e renova a esperança para continuarem o trabalho incessante de cuidar dos pacientes e salvar vidas.

A enfermeira Amannda Farias Silva, que trabalha na Unimed, relembra que quando foi designada para estar na linha de frente, cuidando dos pacientes com covid-19 internados na UTI, a sensação foi de medo.
 
“A doença era desconhecida, ninguém sabia de nada. A informação que tínhamos, no primeiro momento, é que acometia as vias respiratórias. Só depois que passamos a entender um pouco mais a doença”, relata.

Para Amannda, a situação ficou ainda mais dolorosa quando o irmão faleceu por causa da covid. “Fiquei muito para baixo com essa perda, mas ao mesmo tempo eu queria enfrentar essa doença, ajudando quem precisava para que mais pessoas não sentissem aquela dor”, desabafa a enfermeira.

Esperança renovada
Quando soube que a vacina chegou a Aracaju, Amannda diz que foi como a luz que se acende no fim do túnel, depois de meses ajudando os pacientes. Ao receber a segunda dose, a enfermeira conta que sentiu alívio, porque passou a se sentir mais segurança para continuar o trabalho de ajudar a quem está precisando. “Me sinto muito mais protegida do que quando começamos a luta contra esse vírus, em março de 2020”, afirma.

A médica infectologista Mariela Cometki, que também já recebeu a segunda dose, ressalta que a vacinação é a esperança para todos os profissionais da saúde que acreditam na ciência. “Infelizmente, depois de um ano, não temos nenhum tratamento eficaz contra a doença. Então a imunização é, com certeza, o braço da resolutividade para sair do caos que estamos vivendo”, avalia.

Mariela considera que a vacina dá maior tranquilidade para os profissionais da saúde continuarem o trabalho de salvar vidas. “Estamos passando agora por essa segunda onda, as novas variantes do vírus estão acometendo adultos jovens com muita gravidade, então estar vacinada é um privilégio e também uma necessidade, pois vimos que o número de funcionários afastados depois da vacinação caiu drasticamente quando comparado à primeira onda, o que nos dá a certeza de que a vacinação é efetiva e eficaz”, salienta.

Como especialista em infectologia, Mariela destaca que o importante, neste momento, é que mais pessoas sejam vacinadas. “Para nós, profissionais da saúde, é muito desgastante dar a notícia do óbito para os familiares. Agora, que temos a vacina, essas mortes são consideradas evitáveis. A vacinação precisa acontecer com urgência, para que possamos evitar cada dia mais mortes”, ressalta. 

Marília Santana, que também é enfermeira, foi convocada para trabalhar na linha de frente logo no início da pandemia. “Cada dia era um desafio. Eu tinha medo de tudo. Ia dormir sem saber se estava ou não contaminada com o vírus. Foi muito complicado, a pressão era muito grande”, recorda.

Em julho, durante o primeiro grande pico de contaminação, Marília teve covid, apresentando sintomas moderados, como tosse, coriza e muita dor lombar. A enfermeira foi afastada do trabalho e precisou ficar longe da filha, que passou mais de um mês com os avós. “Foi um momento muito difícil, principalmente quando percebi que minha filha estava com sintomas de ansiedade devido à situação”, relata.

Marília tomou a segunda dose da vacina há um mês. Para ela, um alívio, mas acompanhado da preocupação com quem ainda não foi vacinado. “Apesar de estar imunizada, só terei segurança quando maior parte da população for vacinada. Por enquanto, precisamos tomar todos os cuidados necessários”, observa.

Cuidados mantidos 
Apesar dessa maior segurança, Amannda tem consciência de que o enfrentamento do coronavírus ainda não acabou. “Sabemos das novas variantes, que são muito mais agressivas, e que estão acometendo pessoas jovens, com casos mais graves. Então é importante reforçar tudo o que aprendemos: não aglomerar, usar máscara e manter a higiene das mãos. Estamos nessa há um ano, e não podemos mais perder essa luta”, expressa a enfermeira.

Enquanto dia a dia mais pessoas são vacinadas, Mariela diz que é importante alimentar a esperança, porque a vacina já é uma realidade. “Precisamos olhar para trás. A história é muito sólida ao mostrar que a humanidade só conseguiu erradicar doenças virais com o desenvolvimento de vacinas. Não há outro caminho, as vacinas são seguras, os efeitos colaterais são ínfimos perto dos benefícios que traz, como a redução drástica da mortalidade, que é nossa preocupação maior”, enfatiza a médica infectologista.

Enquanto continua trabalhando para salvar vidas, o maior sonho de Amannda, compartilhado pelos colegas, é a vacina chegar para todos e o desejo dela, quando isso acontecer, é poder voltar a dar um abraço nos pacientes quando eles receberem alta da UTI. “A gente vibra, mas não pode abraçar como fazia antes, comemorar com os pacientes. É o que mais a gente quer, é voltar a dar aquele abraço de vitória", conclui.