O cantor baiano Adelmário Coelho já é presença garantida a cada edição do Forró Caju. Com um repertório bastante conhecido pelo público que prestigia o forró autêntico, o cantor inova nas coreografias apresentadas pelo seu corpo de baile, com danças criativas e que mostram as culturas e o folclore das mais diversas partes do nordeste brasileiro. Muitos dos seus fãs não sabem, mas Adelmário Coelho já serviu o exército, dirigiu táxi, foi técnico de segurança do Pólo Petroquímico por 20 anos, mas nunca esqueceu sua grande paixão: o forró. Graças a essa persistência, hoje os forrozeiros podem apreciar o verdadeiro forró pé-de-serra, essência de suas músicas. Em entrevista à Agência Aracaju de Notócias, Adelmário fala sobre sua carreira e sobre trabalho, cultura e Forró Caju. Confira!
AGÊNCIA ARACAJU DE NOTÍCIAS - O CD e DVD ‘Minha vida Meu forró', representa de alguma forma a trajetória da sua vida artística?
Adelmário Coelho - Sim. Posso afirmar, com absoluta convicção que os dois trabalhos refletem esses 14 anos de estrada. É o resultado da minha trajetória, da minha musicalidade, que faz um elo entre o tradicional e a moderno, sem perder de vista a essência do verdadeiro forró, o pé de serra, que gerou esse sucesso todo. Vale ressaltar que este é o 1° DVD da minha carreira. Fizemos a gravação ao vivo em 2007, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, de Salvador, em show cujo repertório trouxe canções de sucesso da minha carreira como Bahia, Forró e Folia, O Neném, Não fale mal do meu país e Anjo Protetor. Há também músicas novas como Maria Rosa, uma canção de homenagem às mulheres, ressaltando a sua importância na vida do homem e enaltecendo o romantismo.
AAN - Você percorre várias festas juninas pelo país. Qual sua opinião sobre o Forró Caju?
Adelmário Coelho - Acredito que o Forró Caju é um exemplo de sucesso a ser seguido. É uma sabedoria aproveitar o que temos de bom para oferecer como entretenimento cultural visando geração de emprego e renda. Uma festa dessas gera negócios não só para os músicos. Há toda uma cadeia de serviços envolvida, do comerciante informal até as grandes empresas de eventos e turismo. Também há ganho para a administração municipal, pois foi uma sacada genial este evento. A prova é que várias cidades estão interessadas em fazer o mesmo.
AAN - Qual sua opinião sobre o cenário atual da música brasileira? Qual a importância de eventos como o Forró Caju para a manutenção da cultura de raiz?
Adelmário Coelho - Para a cultura do forró e preservação dos forrozeiros tradicionais do Nordeste, os seguidores do mestre Luiz Gonzaga, o Forró Caju tem um significado todo especial. Além de lembrar grandes nomes, como o de Gonzagão, e dar a nós, artistas com longo tempo de estrada, a oportunidade de estar com o público sempre receptivo e alegre. O evento proporciona a expansão desse estilo musical, por dar oportunidade às atrações locais divulgarem seus trabalhos. Assim, ao mesmo tempo em que traz à cidade grandes nomes da música nacional, promove o tão necessário intercâmbio cultural entre os artistas. Intercâmbio, aliás, que é cada vez mais intenso e produtivo para todos. Destaco, ainda, que o Forró Caju e outros eventos dessa natureza refletem o reconhecimento da força do forró como expressão da nossa cultura, do nosso povo nordestino. Fiquei muito feliz em saber que a Prefeitura está realizando melhorias para o Forró Caju 2008. A população e os artistas percebem esses cuidados e agradecem.
AAN - O que você acha dessa retomada do forró pé-de-serra no Centro-Sul, por exemplo?
Adelmário Coelho - Acredito que é resultado do trabalho dedicado que os artistas consagrados Luiz Gonzaga e Dominguinhos fizeram e que está aparecendo agora. Devemos muito a esses dois homens que, com sabedoria e humildade, conseguiram enaltecer a beleza do nordeste com toda a sua complexidade em função da seca e da pobreza. Eles ressaltaram o belo diante do quadro adverso que é a vida dura do sertanejo, plantaram a base do verdadeiro forró e muitos artistas seguiram esse caminho. Sinto uma profunda gratidão a esses dois grandes mestres e me orgulho de ter trilhado o mesmo caminho. Claro que os músicos mais novos, de qualidade, que foram surgindo nos anos recentes, reforçaram o estilo musical no cenário brasileiro. Mas o mérito é deles, que abriram o caminho.