Por Maria Rosa Teles
Jovem e acolhedora, Aracaju foi construída a partir do trabalho de pessoas que sonhavam com uma capital moderna, economicamente ativa e com oportunidade para todos, mas sem perder as raízes. O bairro Siqueira Campos, um dos mais influentes da cidade, segue o mesmo ritmo e tem vaga garantida no coração de muitos aracajuanos.
Uma das pessoas apaixonadas pelo bairro é a geógrafa e professora do Núcleo de Pós-Graduação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Vera Lúcia França, que acompanhou o crescimento do Siqueira Campos e fez do bairro seu objeto de estudo.
"Conheço o Siqueira Campos desde criança, quando tinha muitos terrenos baldios. Trabalhei lá em 1992 e por conta de todo esse carinho, escolhi o bairro como objeto de estudo da monografia do meu curso de especialização", relata.
De acordo com a geógrafa, o bairro surgiu no início do século XX, com a construção da via férrea. Tal desenvolvimento gerou uma ocupação em suas proximidades, que recebeu o nome de ‘Aribé'. "Com a via férrea por ali, a região recebeu muitas oficinas para manutenção e uma feira que existe até hoje, fazendo com que pessoas de outros locais passassem a transitar pelo bairro", comenta.
Aribé
O Siqueira Campos ainda é muito conhecido entre a população pelo seu nome inicial: Aribé. A região era famosa pela grande produção de vasos de cerâmica - os aribés - e acabou sendo conhecida na cidade por conta do utensílio produzido.
Em torno de 1915, a Rede Ferroviária Federal chegou a Aracaju, com maior intensidade nessa área, acompanhada do surgimento de diversas oficinas para manutenção dos trens, trilhos e equipamentos ferroviários. Por conta disso, o local passou a ser conhecido também como Bairro das Oficinas.
Segundo o historiador Luiz Antônio Barreto, só depois da revolução de 30 é que a região passou a se chamar Siqueira Campos. "Depois do levante tenentista do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, Sergipe resolveu então homenagear um dos ‘18 do Forte': Antônio de Siqueira Campos", revela.
Sempre de braços abertos, o Siqueira Campos também é ponto de chegada dos moradores do interior. "Tem muita gente que chega em Aracaju pela rodoviária, que é próxima, e resolve o que tem de resolver no próprio bairro, que possui, inclusive, um complexo de saúde.
Vera França explica a independência econômica do bairro. "No início, o Siqueira Campos era separado do resto da cidade por uma lagoa, que prejudicava o tráfego de carros e pessoas. Isso fez com que o comércio no local se desenvolvesse e cresceram no bairro atividades como escolas, lojas e serviços. Ele é um dos principais sub-centros de Aracaju, assim como o bairro 13 de Julho e jardins", frisa.
Avenidas movimentadas, condomínios de casas arborizados, grandes pontos comerciais e praças com um charme de cidade de interior fazem do bairro Siqueira Campos é um dos pedaços mais interessantes de Aracaju.