Enveredando pelo universo do ciclismo

Agência Aracaju de Notícias
22/05/2010 07h00
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Por Najara Lima

Apesar do rápido crescimento do número de ciclistas em Aracaju, muitas pessoas ainda não conhecem muito bem o universo, os termos técnicos e as questões discutidas por quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. Para quem ainda não está tão integrado ao ambiente do ciclismo, é importante conhecer alguns aspectos relativos à prática.

Uma das questões mais discutidas entre os ciclistas aracajuanos está relacionada às ciclovias e ciclofaixas. As ciclovias são espaços segregados fisicamente das vias por onde circulam os automóveis, podendo ser unidirecionais ou bidirecionais, como a maior parte das que existem em Aracaju.

Enquanto as ciclofaixas correspondem a faixas existentes nas vias de trafego, geralmente em mão única, no mesmo sentido de direção dos automóveis e localizadas ao lado direito. Normalmente, nestas circunstâncias, a circulação de bicicletas é integrada ao trânsito de veículos, havendo somente uma faixa ou um separador físico, como blocos de concreto.

Para o coordenador de ciclomobilidade da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), Fabrício Lacerda, as ciclovias não viáveis para interligar toda a cidade e servir a quem usa a bicicleta como único meio de transporte ou para percorrer longas distâncias.

"Quando falamos na utilização da bicicleta de fato como meio de transporte, com o qual as pessoas se locomovem para todos os lugares, é necessário que tenhamos ciclovias em todos os pontos da cidade. E isso é impossível.
Considero ideal quando, além das ciclovias, há também as ciclofaixas. Essas últimas podem ser construídas em qualquer espaço onde há trânsito na cidade".

Espaço

A grande dificuldade de investir em ciclofaixas no município de Aracaju é a limitação de espaço. "Em contrapartida, para construí-las, precisamos de um espaço físico maior, de pelo menos 1,20m de cada lado da via, totalizando 2,40m. Por isso, nenhuma das nossas pequenas avenidas poderia comportá-las", explica Fabrício.

O lado positivo das ciclofaixas, segundo o coordenador de ciclomobilidade, é que para a sua instalação nas vias de cada rua, não é preciso quebrar e nem mudar nada, mas apenas organizar uma sinalização horizontal e vertical. "Ainda não existem muitas ciclofaixas em Aracaju porque a ciclovia é muito mais segura para o pedestre. Nesse momento inicial é importante entender que precisamos de ciclovias", afirma.

Ele acrescenta ainda que, daqui a muito pouco tempo, as ciclovias serão insuficientes. "Isso porque o número de ciclistas triplicou nos últimos dois anos. As políticas que a Prefeitura de Aracaju e os grupos organizados vêm formulando são extremamente importantes e estimulantes. Não tenho a menor dúvida de que esse número vai crescer ainda mais", observa.

Integração modal

De acordo com Fabrício Lacerda, para pequenas e médias distâncias, a bicicleta é o veículo mais recomendável. Mas, para percorrer grandes percursos, o carro ainda é o ideal. "É importante ressaltar que o carro não é o vilão e a bicicleta não é a solução. O ideal é que as pessoas façam o uso consciente de cada um deles", lembra.

Ciclista desde a sua infância, o coordenador de ciclomobilidade da SMTT não nega que, para percorrer alguns trajetos, ele opta por fazer uso do seu carro. Mas, na maior parte do tempo, é a bicicleta que o leva para todos os lugares, sem o inconveniente de perder tempo procurando uma vaga de estacionamento, por exemplo. "Uma das características da bicicleta é que ela é um veículo que vai de porta a porta. Eu posso sair com ela de dentro do meu local de trabalho e chegar até a sala da minha casa. Nenhum outro veículo tem essa característica", defende.

Cicloturismo

Unir o prazer de pedalar ao de viajar é o principal sentido do cicloturismo, uma maneira de viajar de maneira bem mais econômica, saudável e ecológica. Além de conhecer o local visitado de forma totalmente diferente de quem o faz com outro tipo de veículo, o ciclista tem uma recepção muito mais calorosa que os demais turistas.

Quem visita um local de bicicleta tem, naturalmente, uma maior possibilidade de interagir com as belezas naturais da região e com os habitantes locais. Ao contrário do que muitos podem pensar, para praticar o cicloturismo não é necessário ser um ciclista experiente. Basta seguir recomendações básicas, como percorrer distâncias mais curtas no começo e ir aumentando-as com o tempo, beber muita água e alimentar-se bem e na hora certa.

No entanto, o cicloturista precisa ter ainda mais dedicação aos cuidados com sua bicicleta, que deve estar em bom estado de conservação, para que não haja qualquer tipo de imprevisto durante o percurso e a viagem seja prazerosa, confortável e segura. É importante que o ciclista faça revisões periódicas na bike - no mínimo uma vez por mês - e que também tenha noções básicas de como montá-la e desmontá-la, trocar ou consertar a corrente, regular freios e trocar as marchas.

Cicloativismo

Como já foi citado em matéria publicada nesta série sobre o crescimento do uso da bicicleta em Aracaju, o movimento organizado de ciclistas na cidade tem acompanhado o crescimento do número de pessoas que passou a adotar a bicicleta como meio de transporte. O cicloativismo reúne as atividades realizadas em prol da popularização do uso da bicicleta como veículo e dos direitos dos ciclistas no uso das vias públicas, tendo em vista a reivindicação de melhores condições para pedalar.

O surgimento de grupos que discutem temáticas relacionadas ao universo do ciclista data do final do século XIX e início do XX, na Inglaterra. Especialmente nos últimos anos, principalmente em decorrência dos investimentos feitos pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) em infraestutura cicloviária e do crescimento do número de ciclistas na cidade, têm surgido inúmeros grupos organizados para debater questões acerca da prática do ciclismo. Entre as principais questões discutidas entre os cicloativistas estão a preservação do meio ambiente, o consumo responsável, a redução do fluxo no trânsito e a mobilidade urbana.

Entendendo termos

Camelo / magrela: Gírias para bicicleta
Caramanhola: Garrafa presa ao quadro da bicicleta
Corrente fixa: As duas partes horizontais de uma bicicleta que juntam suporte inferior à roda traseira
Escalador: Ciclista com bom desempenho em montanhas, que tem facilidade e resistência nas subidas
Forçar o passo: Aumentar a velocidade para fazer o grupo ir mais rápido
Guidão: O 'volante' da bicicleta
Pedal clip: Tipo de pedal especial que possibilita o encaixe da sapatilha
Quadros: É o esqueleto da bicicleta, que pode ser de aço, cromo, alumínio, fibra de carbono ou titânio
Sapatilha: Calçado especial para a prática do ciclismo

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