Hoje se encerra uma fase triste e poluída na história de Aracaju. Em pouco mais de 100 dias de governo, o prefeito João Alves Filho desativou o lixão localizado no bairro Santa Maria. A briga judicial para o fechamento do aterro controlado perdurava a 13 anos no Ministério Público. Mas desde 1986 o lixão da Terra Dura existia, em 2003 passou a funcionar como aterro controlado. E, agora em 16 de abril de 2013, o lixão em Aracaju deixa de existir. E, para o despejo dos resíduos foi instalada uma Unidade de Trasbordo em Nossa Senhora do Socorro, posteriormente, o lixo segue para o aterro Sanitário em Rosário.
Um dia histórico para os aracajuanos e para a população de Nossa Senhora do Socorro. Uma vitória conquistada com a união das duas prefeituras pelo benefício do povo. O prefeito João Alves ressaltou a importância ambiental da implantação do aterro sanitário. "Hoje é um dia de grande alegria para os moradores de Aracaju e de Nossa Senhora do Socorro. Aracaju é a primeira capital do Brasil a ter o lixo todo processado. O lixo é um dos principais problemas do mundo. Ele é um dos maiores causadores do aquecimento global por provocar um dos gases mais letais que existe para o meio ambiente que é o metano, considerado pior até mesmo que o Gás Carbônico. Estamos contribuindo para a saúde do mundo".
Outra questão bastante preocupante era a proximidade com o aeroporto de Aracaju com o aterro controlado. O perigo eminente às aeronaves se dava pela existência de aves como o urubu, que em contato com a turbina do avião, poderia causar grandes acidentes. "A pista do aeroporto está muito próximo ao lixão, ou seja, cada avião que decola ou pousa passa pelo depósito de resíduos. Uma ave grande pode derrubar uma aeronave. A Infraero e o Ministério da Aeronáutica há anos solicita o fim desse problema, evitando até mesmo aumentar a pista do aeroporto de Aracaju por conta disso. Era uma situação grave e colocava em risco muitas vidas. Há uma luta de décadas e que apenas agora estamos resolvendo. Hoje nos países desenvolvidos o lixo deixou de ser um problema e passou a ser solução", disse João Alves.
O prefeito informou ainda que, enquanto era governador do Estado, o então prefeito Marcelo Deda já estava passando por problemas ocasionados pelo lixão e tinha um projeto de fazer um aterro sanitário financiado pelo PRODETUR (Programa de Desenvolvimento do Turismo) do Ministério do Turismo, mas que por motivos diversos não pode ser concluído. "Já estávamos preocupados com essa questão desde aquela época", assegurou o prefeito.
A gestão anterior da Prefeitura de Aracaju demorou mais de dez anos para fechar o lixão, deixando um rastro de desrespeito com os catadores que viviam em condições subumanas em meio a doenças e falta de condições mínimas para viver. Não satisfeito com essa situação, João Alves, por meio do secretário do Meio Ambiente, Eduardo Matos, autorizou a implantação de um Centro de Triagem. Para o secretário esse é o primeiro passo para a valorização dos catadores. "O Centro de Triagem será instalado no bairro 17 de Março. Os catadores cadastrados serão beneficiados com cursos e capacitações. Eles viviam dos resíduos e estavam sempre em situação de risco. Precisam ser valorizados e por isso serão amparados pela Secretaria do Meio Ambiente", explicou o secretário.
Sempre defensor das questões ecológicas, o vice-prefeito José Carlos Machado disse que no ano de 2000, enquanto era deputado Estadual, realizou uma audiência pública na Assembléia Legislativa que objetivava discutir questões inerentes ao lixão. "Ouvimos na época do diretor da EMSURB, Osvaldo Nascimento, que garantiu a resolução do problema em dois anos. Passaram-se 13 anos e foi preciso o Ministério Público Federal e Estadual ingressar com uma ação civil pública, e nem mesmo assim eles se sensibilizaram e resolveram as questões do lixão". Machado ainda destacou que, com a implantação do aterro sanitário, a população deixa de conviver com o lixão de forma nociva. "Está finalmente tudo equacionado. João quer transformar Aracaju numa cidade modelo em relação ao destino do lixo".
O prefeito de N. S. do Socorro, muito satisfeito com o resultado da parceria com a Prefeitura de Aracaju, disse que desde que assumiu a o governo de Socorro quis resolver os problemas ocasionados pelo lixão no bairro da Palestina, mas que apenas iria apoiar projetos ambientalmente corretos. "Não podíamos resolver um problema com outro problema. O ano passado houve uma decisão judicial que determinava o fechamento dos lixões do Santa Maria e da Palestina. Na época, a PMA recorreu da deliberação, mas nós de Socorro fizemos um acordo que fecharíamos o lixão. Estamos cumprindo hoje o que prometemos", informou Fábio Henrique enfatizando que a união das duas prefeituras resultou na resolução de uma questão que sujava a história da região.
Para o secretário Geral do Ministério Público de Sergipe, Rony Almeida, hoje se concretiza o sonho de uma luta que vem sendo traçada desde 1998. "O Ministério Público praticamente se mobilizou em 15 anos para tentar resolver os problemas do lixão no Estado de Sergipe". O secretário ressaltou que o MP continuará acompanhando os pedidos dos processos e que o prefeito João Alves está de parabéns por se sensibilizar com essa questão e ter sanado o problema.
Bastante satisfeito com o fim do aterro controlado de Santa Maria, o presidente da Câmara de Vereadores, Vinícius Porto, parabenizou e agradeceu ao prefeito João Alves pela postura em conduzir e fechar o lixão. "O prefeito da época não teve coragem e lucidez para resolver essa questão. João Alves está iniciando os trabalhos a frente da PMA e já anuncia esse benefício para as próximas gerações".
Os moradores do bairro Palestina em N. S. do Socorro ficaram felizes com a desativação do lixão no município, dentre eles Luciano Ferreira Dias que está imensamente agradecido com os prefeitos por devolveram a dignidade para a população da região. "Vivíamos em condições desumanas. Nossas crianças estavam constantemente doentes. Não tínhamos como evitar. João Alves pensa no povo e hoje tive o meu sonho realizado".
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