O calçadão da rua João Pessoa, no Centro comercial de Aracaju, teve uma tarde animada, nesta quarta-feira, 22, com uma passeata de usuários e funcionários dos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), para marcar o Dia de Luta Antimanicomial, cuja data oficial é 18 de maio. Na cadência do samba e no ritmo do axé eles percorreram o calçadão, foi feita uma grande roda na praça Fausto Cardoso, em frente ao Palácio Museu.
A atividade foi uma surpresa para as pessoas que circulavam no calçadão. O funcionário público, Josias de Oliveira Souza, ficou contente com a animação do grupo, mas não sabia do que se tratava. Ao saber que eram pacientes dos Caps, ficou contente. "Eu não tinha a dimensão de como era esse trabalho. É muito importante para sociedade e tomara que o serviço seja ampliado para outros bairros", sugeriu.
A comerciária Cristina de Jesus Almeida arriscou uns passos de dança no momento em que os manifestantes passavam em frente à loja em que ela trabalha. Ao ler os cartazes levados pelas pessoas, ela quis saber com detalhes do que se tratava. Quando soube o que era, Cristina achou importante o cuidado que o município tem com os dependentes químicos.
A passeata foi uma das atividades da semana, quando a Secretaria Municipal de Saúde promoveu eventos para o Dia de Luta Antimanicomial. A coordenadora de Atenção Psicossocial, Karina Ferreira Cunha, disse que é importante mostrar à sociedade o trabalho que vem sendo feito nos Caps e, também, que o tratamento de dependentes químicos não pode mais ser feito dentro de manicômios, com era no passado.
"Por isso estamos nas ruas, hoje, comemorando a data de Luta Antimanicomial", ressaltou Karina Cunha, ao destacar que os seis Caps existentes no município cuidam de, aproximadamente, duas mil pessoas por mês.
O Dia Nacional de Luta Antimanicomial foi instituído após profissionais da saúde mental, cansados do tratamento desumano e cruel dado a usuários do sistema de saúde mental, organizarem o primeiro manifesto público a favor da extinção dos manicômios durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental realizado em 1987, na cidade de Bauru/SP. Naquela manifestação, nasceu o Movimento Antimanicomial.