A Prefeitura de Aracaju tem trabalhado para tornar a capital sergipana referência na inclusão de Pessoas com Deficiência (PcD) no mercado de trabalho. A gestão municipal tem como foco a transformação da cultura organizacional, a criação de oportunidades reais de crescimento profissional e a conscientização de que os talentos aracajuanos devem ser reconhecidos, valorizados e bem aproveitados.
Nesta segunda-feira, 18, durante reunião entre a Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat) e a Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Aracaju (Semdef), foram discutidas propostas voltadas ao fortalecimento da empregabilidade das pessoas com deficiência. Entre as iniciativas estão a ampliação da formação técnica e a realização de campanhas educativas de sensibilização junto ao setor produtivo local.
A presidente da Fundat, Melissa Rollemberg, destacou o impacto positivo da parceria para a capital e ressaltou a importância do diálogo entre os órgãos municipais, especialmente com a Semdef. Para ela, o encontro foi produtivo porque abordou a empregabilidade e projetos capazes de melhorar as condições de acesso e permanência das pessoas com deficiência no mundo do trabalho.
“O verdadeiro sentido da inclusão é nos incluirmos no mundo das pessoas com deficiência, enquanto esperamos que elas também se encontrem no nosso”, afirmou Melissa, ao reforçar a expectativa de que o trabalho conjunto traga resultados positivos para o mercado de trabalho em Aracaju.
Na mesma perspectiva, a secretária municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Camila Feitosa, ressaltou que a missão da gestão é garantir o protagonismo desses cidadãos. “Nosso objetivo é fazer com que a pessoa com deficiência chegue à vaga que busca e para a qual possui competência, mas que essa vaga também chegue até ela com as condições necessárias para o exercício das funções”, afirmou.
Ainda segundo Camila, as pessoas com deficiência possuem capacidades e potencialidades que precisam ser reconhecidas, ouvidas e valorizadas. Para ela, é fundamental superar a visão equivocada de que a PcD representa um peso para a sociedade. “A pessoa com deficiência pode, sim, contribuir ativamente para a construção de uma sociedade melhor e mais inclusiva para todos”, declarou a secretária.
A inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho em Aracaju é fortalecida por diretrizes nacionais e por ações municipais integradas. A Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI – Lei nº 13.146/2015) oferecem a base jurídica para ampliar o acesso, estimular a contratação e sensibilizar empresas sobre a importância da inclusão. De janeiro a abril de 2026, a Fundat disponibilizou 408 vagas de emprego para pessoas com deficiência, realizou 118 encaminhamentos para empresas parceiras e registrou 10 candidatos compatíveis com o perfil solicitado pelos empregadores.
A inclusão efetiva passa pelo mapeamento cuidadoso das competências, a fim de identificar as habilidades técnicas, experiências e potencialidades de cada profissional. Nesse sentido, a Fundat oferta cursos de qualificação em diversas áreas, por meio das Unidades de Qualificação Profissional (UQPs), localizadas nos bairros de Mosqueiro, Santa Maria, Coroa do Meio e Santos Dumont, além do Centro da Juventude Polo de Tecnologia, no Augusto Franco, e do Centro de Artes e Esportes Unificado Abrahão Crispim, o CEU da Olaria. Esse investimento no desenvolvimento profissional contribui para fortalecer a autonomia, o pertencimento e a inserção produtiva dos cidadãos, ao mesmo tempo em que amplia a visão das empresas sobre o potencial das pessoas com deficiência.
Na avaliação da secretária Camila Feitosa, a acessibilidade no ambiente corporativo não precisa ser complexa nem onerosa. Muitas vezes, adaptações simples e práticas já tornam o espaço mais inclusivo e acolhedor. “Mudanças como a reorganização de móveis para garantir a livre circulação e a instalação de sinalização visual clara, em braille ou alto-relevo, fazem uma grande diferença. No ambiente digital, o uso de tecnologias assistivas e a legendagem em reuniões garantem a plena participação de todos. Além disso, medidas de flexibilidade organizacional, como o ajuste de horários para conciliar rotinas de reabilitação, e o treinamento atitudinal contínuo são fundamentais para combater o capacitismo”, destacou a secretária.