Por Agatha Cristie
A ascensão do comércio de Aracaju tem registrado na história brasileira nomes de grandes empresários, como Pedro Paes Mendonça, fundador do grupo Bompreço, e Gentil Noel Barbosa, que originou a rede de supermercados Gbarbosa. Hoje esses são grupos comandados por multinacionais que levaram o nome do Estado de Sergipe para o âmbito nacional.
Segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Aracaju (CDL), Samuel Shuster, foi o advento da globalização que possibilitou a chegada de muitas empresas multinacionais na capital. "Essa globalização chegou a Aracaju a partir da década de 90, onde nosso comércio local começou a ser invadido por grandes grupos empresariais nacionais e multinacionais. O que, por um lado, é bom porque movimenta a economia local", afirmou.
Shuster também ressalta alguns aspectos negativos desse fenômeno. "Mas ao mesmo tempo as multinacionais impossibilitaram uma real concorrência entre os grandes blocos empresariais e os pequenos empresários locais. Esse fato resultou infelizmente no desaparecimento de empresas locais de grande porte como a Insinuante local, Magazine Móveis, A Fonseca, Brilhante e outras", contextualiza.
O comércio hoje é considerado o segmento que mais gera receita para o Estado e que emprega aproximadamente 40 mil trabalhadores na capital, um dado que demonstra a importância do desenvolvimento dessa atividade para a economia local. De acordo com a CDL, atualmente cerca de 80% das lojas que atuam no comercio central e nos shoppings da capital são comandadas por empresas de fora. Mas, apesar do cenário adverso, ainda há empresas que resistem a esse movimento de crescimento multinacional, principalmente no segmento da construção civil.
Perspectivas
O modo de organização do comercio local foi sofrendo algumas modificações no seu processo histórico. Aracaju tem resistido ao capital estrangeiro através da descentralização do seu comércio, onde se destaca o crescimento de lojas nos bairros aracajuanos. "É muito satisfatório observar essa movimentação nos bairros. Isso é muito importante para dar fôlego à economia local", declara Samuel Shuster, comerciante há 53 anos.
Outro fator favorável para aquecer a economia é a diminuição da burocracia para a abertura e a manutenção de um estabelecimento comercial. "Os impostos diminuíram, e hoje está mais fácil se tornar um pequeno e médio empresário. Além de o aracajuano ter um potencial de compra muito grande e de ser considerado como bom pagador", completa.
Parceria
A Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), na figura do prefeito Edvaldo Nogueira, tem desenvolvido várias ações buscando a revitalização do Centro da cidade e a garantia de estrutura na decoração natalina, aumentando a qualidade a cada ano. "Esse foi um compromisso que o prefeito assumiu com o comércio central de Aracaju e que tem garantido resultados positivos. Essa é uma ação importante porque dá mais visibilidade ao comércio nessa época de final de ano, onde as vendas aumentam muito", reconheceu Samuel Shuster.