Neste domingo, 27 de agosto, comemora-se o Dia do Psicólogo, data em que esses profissionais são homenageados pela dedicação ao trabalho voltado à promoção da saúde mental. Na capital sergipana, diariamente, a Prefeitura de Aracaju conta com a atuação imprescindível desses profissionais na rede de apoio psicológico que disponibiliza à população.
Uma das formas de o cidadão aracajuano receber esse tipo de atendimento especializado é por meio do Serviço de Apoio Psicológico (Sapsi), disponível pelo telefone 0800 729 3534, opção 3, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. De acordo com a coordenadora do Sapsi, Lidiane Rosa, ao contatar o serviço, a pessoa já fala diretamente com um psicólogo.
“Vai ser uma escuta, através da qual será orientado se o paciente realmente precisa de um acompanhamento psicológico mais contínuo. Esse é um serviço que é livre para a população. Se você está precisando, quer falar com um psicólogo sem fila, é só ligar”, destaca Lidiane.
Além disso, em Aracaju, a rede municipal dispõe das Referências de Saúde Mental, que são o atendimento psicológico prestado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), onde são realizados um trabalho de psicoterapia. Para ter acesso a este serviço, é necessário um encaminhamento médico da própria unidade de saúde. Atualmente, 13 UBSs ofertam o atendimento psicológico ambulatorial. No total, 11 profissionais atendem adultos e cinco, atendem crianças. Após a primeira consulta, o profissional avalia a necessidade e agenda os atendimentos de retorno.
Na capital, há ainda o Consultório na Rua, que é um serviço específico para população em situação de rua. A oferta do serviço psicológico também é feita dentro dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde a demanda já é de casos mais graves e complexos. O atendimento é feito por uma equipe multiprofissional, com psicólogo, psiquiatra, educador físico, entre outros profissionais.
“Apesar de ser um serviço porta aberta, o atendimento nos Caps envolve pessoas com um nível de sofrimento que a gente considera intenso, grave, como por exemplo, casos de esquizofrenia, abuso de álcool e drogas, entre outros”, ressalta Lidiane Rosa.
Para a coordenadora do Siapsi, o serviço é de grande importância para os cidadãos que precisam de apoio psicológico. “É muito importante o autoconhecimento, saber quais as suas qualidades e potencialidades, as suas dificuldades. Quando a gente passa por sofrimentos, é bom ter alguém que não vai julgar, mas que vai traçar esse caminho do que é melhor para a pessoa. Depois da pandemia, a procura tem sido muito maior. Após esse período, todo mundo sofreu um pouco, seja com o isolamento social, seja com o luto da perda de alguém, ou mesmo com as ansiedades que a pandemia acabou intensificando. A gente teve o reconhecimento da real necessidade do cuidado com a saúde mental”, afirma.
Atendimento
A UBS Geraldo Magela, no conjunto Orlando Dantas, é uma das que ofertam o atendimento psicológico à população aracajuana. A psicóloga Aline da Conceição, que atende na unidade, destaca que os casos mais frequentes são de depressão e ansiedade. Ao receber um paciente, explica ele, é feito uma triagem e uma anamnese para avaliar como será a conduta, a frequência dos acompanhamentos e, a partir de então, se estabelece o plano terapêutico de acordo com a demanda da pessoa. Além do atendimento individualizado, há também atendimentos coletivos, em que são feitos grupos terapêuticos.
A psicóloga salienta que após a pandemia da covid-19 o índice de ansiedade aumentou bastante. ”Isso deu uma certa ênfase na questão da saúde mental, as pessoas começaram a dar atenção a isso. É importante porque no serviço do SUS a gente consegue chegar ao atendimento de pessoas que talvez não conseguissem de outra forma”, afirmou.
Em seu consultório na UBS Geraldo Magela, a psicóloga atende, em média, 10 pacientes por dia. Já quando é retorno, são agendados aproximadamente seis por dia. “Dessa forma a gente consegue fazer uma escuta qualificada. A gente percebe a melhora na qualidade de vida das pessoas, fazendo coisas que antes elas não conseguiam fazer, como por exemplo, uma paciente que agora consegue sair de casa, o que antes não era possível. A gente vê as pessoas conseguindo lidar com seus níveis de ansiedade”, diz.
Uma das pacientes de Aline é a freelancer Lilian Teles Cardoso. Ela conta que há anos faz o acompanhamento psicológico pela rede municipal de Saúde, e que tem melhorado bastante os problemas do seu transtorno, que tem a ver com dificuldades de socialização e comunicação.
“Teve momentos em que eu abandonei, depois eu voltei, então nesse retorno eu estou sendo sempre acolhida. O atendimento psicológico, para mim, tem sido fundamental, tanto para o meu trabalho, quanto para a minha socialização. Uma pessoa que trabalha como freelancer, como eu, não tem condições de ter um tratamento pago. Esse atendimento pelo Sistema Único de Saúde só me acolhe, me deixa cada vez mais pronta para o mercado de trabalho e para as relações sociais e familiares”, declara.