Com eficiência na coleta de lixo, Aracaju desponta como exemplo para o Brasil

Agência Aracaju de Notícias
29/05/2024 14h30
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A capital sergipana tem se destacado positivamente pela organização e eficiência no segmento de coleta de lixo domiciliar. O serviço, administrado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), abrange mais de 99,62% dos domicílios da cidade, garantindo uma das maiores coberturas do país. Esta conquista é resultado de uma logística coordenada, que começa antes mesmo dos primeiros raios de sol.

Às 6h30 da manhã, de segunda a domingo, os caminhões compactadores começam a sair da garagem da empresa Torre Empreendimentos. Esses veículos são a espinha dorsal do sistema de coleta, cobrindo a zona Norte às segundas, quartas e sextas, e a zona Sul às terças, quintas e sábados. Aos domingos, um número reduzido de caminhões atende às avenidas e feiras livres.

De acordo com Lauro Maia, gerente de Limpeza da Diretoria de Operações (Dirop) da Emsurb, cerca de 30 caminhões operam durante o dia, e 23 à noite. “Nós temos um cronograma preciso, mas também flexível. Às vezes a coleta termina cedo, outras vezes pode se estender até tarde da noite”, explica Maia.

A logística da coleta em Aracaju é complexa, contudo, eficiente, e contempla 22 bairros por dia, com alguns recebendo coleta diária, como o Centro, onde há uma concentração maior de estabelecimentos comerciais, e em outros onde há quantidade elevada de condomínios residenciais, como o Jardins.

Após a coleta, o lixo é transportado para uma unidade de transbordo gerida por uma empresa de tratamento de resíduos sólidos, a Orizon, situada no município vizinho, em Nossa Senhora do Socorro. Na chegada do caminhão coletor na estação de transbordo é realizada a pesagem do veículo.

Em seguida, o caminhão vai para a plataforma de descarregamento, e uma máquina escavadeira hidráulica empurra a carga de resíduos para dentro de uma carreta, fazendo a sua acomodação. Na sequência, os cargueiros seguem viagem para o aterro sanitário situado no município de Rosário do Catete, também administrado pela Orizon.

Uma vez descarregado, os caminhões coletores retornam imediatamente para a capital e dão sequência ao serviço. “Não há segregação no transbordo, pois estamos lidando com lixo comum. Nossa preocupação é com a eficiência no transporte e descarte adequado para não contaminar o meio ambiente. Existe todo um cuidado com relação a isso”, detalha Maia.

Em média, a cidade recolhe cerca de 18.700 toneladas de lixo por mês, ou aproximadamente 4,5 mil toneladas por semana. “É uma média considerável. Trabalhamos diariamente para deixar a cidade ainda mais limpa”, frisa.

Monitoramento em tempo real

A tecnologia desempenha um papel determinante no sucesso da coleta em Aracaju. Desde 2018, a Emsurb utiliza um avançado sistema de monitoramento via GPS para acompanhar os caminhões em tempo real.

Isso permite a rápida resolução de qualquer problema que possa surgir. "Temos uma sala de monitoramento que verifica a rota de cada caminhão. Se algo der errado, sabemos imediatamente e podemos corrigir", comenta Maia.

Conforme esclareceu o gerente, além do acompanhamento detalhado, o suporte tecnológico permite a obtenção de dados relevantes para o planejamento de ações pontuais, com base no cruzamento de informações das rotas nos bairros.

Também há fiscais nas ruas que acompanham a coleta, tanto na saída dos caminhões das garagens da empresa Torre quanto na chegada. “Um fiscal da Emsurb fica na garagem da Torre, observando os horários de saída e chegada, além de monitorar o peso do coletor no transbordo. Todos os coletores possuem GPS, permitindo um controle rigoroso. Se o coletor não passou por uma determinada rua, verificamos no mapa, na sala de monitoramento. Assim, sabemos se houve quebra, atraso, ou qualquer outro problema”, explica.

Serviços auxiliares

Manter a cidade limpa é um dos principais compromissos da Prefeitura de Aracaju. Partindo dessa premissa, além da coleta regular, a Emsurb implementa programas inovadores como o Cata Treco - que facilita o descarte de itens volumosos como móveis e podas -, e as Ecobarreiras e Ecobueiros, que previnem a poluição de canais, rios e mares.

Já os Ecopontos, também conhecidos como Estações de Entrega Voluntária de Resíduos Sólidos, desempenham um papel importante na gestão eficiente dos mais variados resíduos. Eles são verdadeiros centros de recolhimento, recebendo uma ampla variedade de resíduos, desde grandes embalagens até eletrodomésticos, passando por papelão, plástico, metal e até mesmo restos de construção civil, com limite de até 1 m³ por gerador.

No ano de 2023, os Ecopontos recolheram 4.378,12 toneladas de resíduos. Já neste ano, somente nos primeiros quatro meses já foram coletadas mais de 1.360,92 toneladas.

Atualmente, a capital sergipana já conta com Ecopontos nos bairros Industrial, Coroa do Meio, Santos Dumont, 17 de Março, Inácio Barbosa e Ponto Novo. Essas estações funcionam de segunda a sábado, das 7h às 12h e das 13h às 17h. Além desses, estão sendo construídos mais três Ecopontos, em bairros diferentes, para expandir a cobertura e a conveniência para os cidadãos.

A Prefeitura implementou ainda os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em diversos bairros da capital sergipana, fortalecendo a participação da população na destinação adequada de resíduos. Os PEVs são caixas coletoras estrategicamente distribuídas pela cidade, destinadas à coleta de resíduos recicláveis. Esses pontos, atualmente totalizando 57 em toda a cidade, facilitam o descarte consciente por parte dos moradores.

E não para por aí. O serviço de coleta conta com o auxílio de mais de 1.000 lixeirinhas, chamadas de papeleiras, instaladas em toda a capital, incluindo a Orla de Atalaia, ruas, avenidas, calçadões e praças, locais turísticos. “Diariamente, uma equipe específica passa de caminhão para recolher esse lixo, em um trabalho intercalado com a coleta domiciliar. Para locais de difícil acesso, como ruas estreitas ou com buracos, utilizamos uma pequena caçamba que entra e realiza a coleta”, conta Lauro Maia.

A limpeza das praias é uma prioridade. Equipes são escaladas e trabalham todos os dias para manter as áreas costeiras livres de lixo, usando tanto métodos manuais quanto máquinas saneadoras que peneiram a areia. “Nós garantimos que as praias estejam limpas para os banhistas desde cedo, oferecendo um ambiente agradável e seguro”, diz Maia.

Existem também contêineres metálicos estacionários, posicionados em áreas estratégicas, de cinco metros, além de veículos dedicados exclusivamente à coleta de descarte irregular, como lixo jogado em terrenos baldios, canais, restos de poda e móveis. “Uma máquina recolhe esses materiais e os coloca em uma caçamba, que os transporta para o ponto de transbordo, onde são processados”, complementa o gerente de limpeza.

Trabalho reconhecido

O resultado de todos esses esforços é visível. Hoje Aracaju é uma das capitais mais limpas do Nordeste. Essa eficácia é complementada por ações contínuas, como mutirões de limpeza que ocorrem a cada três meses, assegurando a manutenção em todas as regiões da cidade.

Com uma equipe de mais de 600 agentes trabalhando diariamente, a Prefeitura de Aracaju e a Emsurb transformaram a gestão de resíduos em um modelo de eficiência e responsabilidade ambiental, como afirma Lauro Maia.

“O compromisso com a limpeza e a conservação urbana não apenas melhora a qualidade de vida dos aracajuanos, mas também serve de exemplo para outras cidades brasileiras. O trabalho bem organizado da Emsurb faz de Aracaju uma referência nacional em coleta de lixo domiciliar, mostrando que, com planejamento e tecnologia, é possível manter uma cidade limpa e sustentável”, finaliza Maia.