Aliar a coleta seletiva e a geração de mais emprego e renda tem sido o resultado concreto de uma parceria firmada entre a Prefeitura de Aracaju e a Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis, através das cooperativas Care, Coores e União. Através do contrato de R$1,3 milhão assinado entre as duas partes em maio deste ano, tem sido possível promover a execução do serviço de coleta, transporte e triagem de resíduos sólidos reutilizáveis, além da realização de ações de educação ambiental no município.
Com os recursos fornecidos por meio do contrato, está sendo possível investir mais em infraestrutura para que o sistema de coleta seletiva na cidade melhore. Além disso, a iniciativa tem promovido a inclusão social e a possibilidade de uma renda justa aos cooperados e catadores por meio do trabalho realizado, como explica o presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Bruno Moraes.
“Isso possibilita a ampliação das nossas ações de cobertura da coleta seletiva na cidade. Esse é um contrato no qual remuneramos por tonelada recolhida e, com isso, possibilitamos que os catadores desonerem seus custos e possam, na venda, ter uma renda extra cada vez maior. É um grande avanço, pois agora a gente amplia a possibilidade de várias cooperativas estarem trabalhando em conjunto. Com ele, temos mais uma ferramenta que se adere ao planejamento de gestão de Aracaju, relacionada aos resíduos sólidos recicláveis, onde já contamos com o cata-treco, a nossa rede de ecopontos e a nossa rede de PEV’s”, explicou Bruno Moraes.
Na Cooperativa União, no bairro 17 de Março, trabalham atualmente 20 cooperados, homens e mulheres que têm feito todo o trabalho de coleta, separação e reciclagem do lixo coletado. Segundo o presidente da União, Jackson Miller Batista dos Santos, através desse trabalho, e principalmente após o contrato firmado com a gestão municipal, muitas famílias têm conseguido o seu sustento.
O trabalho feito pela União gira em torno dos bairros Orlando Dantas, Inácio Barbosa, Aeroporto e Aruana, onde o caminhão da cooperativa passa e recolhe os materiais recicláveis. Ao retornar, todo o resíduo é devidamente separado por tipo de material, como vidro, metal, plástico, papelão, entre outros. Todo o material é prensado, separado e depois é vendido para os atravessadores. Em média, a Cooperativa União recolhe cerca de 50 toneladas de lixo reciclável por mês.
“Por cada tonelada de material reciclável, a Prefeitura paga R$ 250,49 para a Central, que depois repassa para as cooperativas. Através desse contrato a gente conseguiu melhorar a renda dos cooperados. Antigamente eles catavam os materiais nas ruas, no lixão, e através da Cooperativa União, hoje eles fazem esse trabalho com mais segurança. Agora os cooperados utilizam luvas, trabalham devidamente fardados, na sombra, de forma regular, dentro da própria cooperativa. Para muitas pessoas, o material reciclado vira lixo, mas para nós, é renda”, explicou o presidente Jackson Miller.
O presidente destacou ainda a importância do trabalho realizado por eles. “Muitos dizem que nós somos catadores, mas nós somos agentes ambientais. Através do nosso trabalho, a gente consegue impedir que alguns materiais vão para o mar, que uma latinha ou um material de vidro seja jogado nas ruas, a gente impede queimadas. Através do trabalho das cooperativas, e graças ao apoio da Prefeitura, hoje temos um maior volume de material sendo reciclado”, disse.
A cooperada Indiane Bispo dos Santos já trabalha na União há sete meses, e desde que começou, já entendeu a importância desse serviço. “Quando a gente tira algo do meio ambiente que é proveitoso, para voltar ao seu ciclo de produção, que são os materiais recicláveis, isso é muito importante. Além de contribuir com o meio ambiente, também ajuda famílias que passam por necessidades e precisam desse trabalho para sobreviver”, declarou.
Já na Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (Care), localizada no bairro Santa Maria, cerca de 50 cooperados também têm visto suas vidas melhorarem após a parceria firmada com a Prefeitura, que tem garantido melhores condições de trabalho para todos. A diretora financeira da Care, Socorro Soares dos Santos Alves, explica que todo o material é coletado nas ruas, escolas, condomínios, órgãos públicos, empresas, entre outros lugares. O esquema é o mesmo, com os caminhões fazendo a coleta e trazendo o material de volta, onde é separado, pesado e vendido.
A coleta é feita em 16 bairros, como São José, Jabotiana, Coroa do Meio, Atalaia, entre outros, rendendo em média 140 toneladas de resíduos por mês. Todo o material é vendido para uma fábrica e outros atravessadores, e a renda resultante é revestida para os cooperados.
“Nós viemos do lixão do bairro Santa Maria. E a diferença do lixão para cá é enorme. Com a coleta seletiva feita pela cooperativa, a situação é bem melhor. Isso gera inclusão social para os catadores, e mais qualidade ambiental para a cidade. Tenho certeza de que nosso trabalho é muito importante para a sociedade e para o meio ambiente”, disse a diretora financeira Socorro Soares, explicando que todos os cooperados também contam com a total segurança no trabalho, utilizando Equipamento de Proteção Individual.
Educação ambiental
Também fruto desta parceria entre a Prefeitura de Aracaju e a Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis, as cooperativas realizam, em seu dia a dia, um importante trabalho de educação ambiental. De acordo com Jackson Miller, presidente da União, “a central está fazendo o trabalho de educação ambiental, através do qual nós vamos de porta em porta, pedindo aos donos das residências que doem todo o material para as cooperativas, e falando sobre a importância do material reciclável, para que seja feita a coleta seletiva nos bairros. A cooperativa também tem os ecopontos em alguns bairros, e através deles, a população leva os resíduos, e a cooperativa traz para aqui para fazer a separação de todo o material”, afirmou.
Já na Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (Care), as equipes promovem palestras em escolas, condomínios e outros lugares, ensinando quais materiais devem ser separados e a importância da coleta seletiva para o meio ambiente e para a conservação da limpeza da cidade.