Preservar e valorizar expressões artísticas é essencial para manter viva a identidade cultural de um povo. Com esse propósito, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), se empenha em apoiar e promover a cultura local. Um dos principais instrumentos para essa preservação é a histórica Galeria de Arte Álvaro Santos (Gaas), situada na praça Olímpio Campos, no centro da cidade. Gerenciada pela Funcaju, a Galeria se destaca por oferecer visibilidade e destaque aos artistas locais, reforçando a rica cena cultural de Aracaju.
A Galeria de Arte Álvaro Santos foi fundada em 1966 e, desde então, foi a casa de diversas obras de arte de sergipanos. Um espaço público e gratuito não apenas proporciona a valorização dos artistas, mas também transforma socialmente os cidadãos, por ser uma forma democrática de acesso à cultura. “A Funcaju cumpre um papel importante nesse contexto de valorização das artes visuais. A Galeria tem 60 anos, e conta com a Exposição do Salão dos Novos, que tem mais de 20 anos e que, após a pandemia, foi foi reimplantada, nascendo de lá muitos artistas. A Álvaro Santos é um espelho das artes visuais de Sergipe, ela, junto com a Funcaju, cumpre esse papel de trabalhar projetos junto com as Leis Federais, colocando em atividade, o tempo inteiro, a Galeria. Isso que é importante”, destaca o presidente da Funcaju, Irineu Fontes.
Diretora da Gaas, Bianca Leite explica que, desde que o espaço foi reaberto, no ano passado, tem recebido com frequência o público que é formado, em sua maioria, por aracajuanos e sergipanos de outros municípios. Ela reforça que a Galeria proporciona esse encontro entre a arte e o público, e que a boa experiência com os artistas, junto à história do espaço, resulta na agenda cheia do local.
“Este ano a gente não teve período nenhum sem exposição, e já temos algumas exposições para o próximo ano, além do nosso próprio calendário de exposições, como o Salão de Fotografia, Salão dos Novos, Salão de Aniversário da Cidade, Salão dos Colecionadores, homenagens a Álvaro Santos”, informou.
Bianca ainda reafirma a importância do acolhimento e bom diálogo com os artistas que buscam expor na Galeria. “A gente fica bem feliz de saber e receber esse feedback dos artistas, de terem gostado de expor aqui. Para a gente é gratificante, a equipe está sempre disposta para fazer a galeria funcionar da melhor forma possível, para exatamente receber tanto o público quanto os artistas para que eles tenham essa boa experiência”, falou.
Valorização artística
Um dos principais propósitos da Galeria de Arte Álvaro Santos é proporcionar valorização e visibilidade aos artistas da terra. Com o apoio da instituição, diversos profissionais do ramo têm a possibilidade de expor o trabalho. Com a reforma, a Galeria possui agora, uma estrutura ainda melhor para acolher esses artistas e viabilizar a movimentação da cultura na cidade.
Com a promoção da pluralidade e diversidade das expressões artísticas, em abril deste ano, a exposição Órun-Àiyé, dedicada ao solo sagrado dos orixás, do artista aracajuano Augustinho, trouxe reflexões sobre as religiões de matriz africana, com reforço à musicalidade dessas culturas, além de objetos e esculturas simbólicas, sendo composta por 16 obras de arte.
Essa foi a primeira exposição do artista, que relatou a felicidade em estrear em um local com tanta história e marco na cidade como é a Álvaro Santos. “Sempre sonhei em começar a fazer uma exposição e eu queria muito que fosse aqui em Aracaju, mas eu achava que expor de forma independe era algo muito distante para mim, então eu morria de vontade de fazer isso, mas, de fato, achava que seria muito difícil realizar esse sonho, e a Galeria me provou o contrário”, disse.
Augustinho afirmou ter tido uma experiência positiva e acolhedora no espaço cultural. “Eu mostrei o meu projeto para o pessoal da Galeria e eles super toparam entrar nessa comigo e foi grandioso, foi uma confirmação e uma certeza de que eu estava fazendo a coisa certa, a Galeria abraça muito a gente e tem muito significado para os artistas sergipanos, então foi um sonho realizado.
Para ele, um dos pontos positivos do processo de exposição foi, justamente, a liberdade criativa que a equipe da Galeria Álvaro Santos proporciona ao artista. “Na montagem, por exemplo, eles me deixaram livre para que eu pudesse mexer na questão de decoração e tipografia, forrando o chão da Galeria com folhas para criar esse espaço mais interativo com o público e ter esse contato com as obras”, relatou.
A exposição foi tão bem recebida pelo público que estendeu o período em cartaz. Com isso, o artista pôde levar sua arte a ainda mais pessoas, desconstruindo alguns preconceitos enraizados e abrindo o diálogo sobre as religiões de matriz africana em um espaço democratico. “A maioria das pessoas que foram ver a exposição não eram de terreiro, e as pessoas ficaram admiradas. Foi um papel importante da Galeria Álvaro Santos, para que a gente pudesse discutir isso. Eu tenho certeza que as pessoas saíram com uma outra visão, uma outra construção do que é pertencer às religiões de matriz africana”, celebrou.
O veterano Fábio Sampaio, que escolheu a Galeria para comemorar os 30 anos de carreira com a exposição “Antes que eu me esqueça da verdade, preciso mostrar o que eu vi”, também acredita na força que o espaço tem para os artistas. Fábio Sampaio já havia exposto de forma coletiva na Gaas, tendo sido premiado em primeiro lugar quando participou da primeira edição do Salão dos Novos, no início da carreira.
Em julho deste ano, ele expôs pela primeira vez de forma solo na Galeria, e conta que a escolha tem grande significado para ele, que nasceu em São Paulo e se naturalizou aracajuano. “A Galeria Álvaro Santos é um patrimônio histórico, ela vem passando por um processo geracional das novas obras, então ela é um prédio que tem esse potencial de guardar essa memória. Então, diante de tudo isso eu quis ter essa oportunidade de poder expor dessa forma na galeria”, contou.
O artista também ressaltou que a localização da Galeria, por ser uma região bastante movimentada, consegue atrair um público maior. “É um ponto de passagem. Todas as vezes que eu participei de alguma exposição ou estive presente lá, sempre observei que as pessoas entram na galeria. Na minha exposição, por exemplo, alguns amigos que eu não via há anos estiveram na galeria e alguns tiveram a sorte de me encontrar no dia. Então a Álvaro Santos tem isso, de aglutinar as pessoas que estão no entorno do Centro da cidade, e por ser um local público chama mais atenção ainda”, sintetizou.
No mês de outubro, a Galeria recebeu a exposição ‘Série Colecionadores’, que fez parte da programação ‘Tudo é Sergipanidade’, promovido pela Funcaju, com exposições, oficinas, espetáculos e intervenções artísticas. Nessa série, a exposição contou com o acervo do curador Marcos Marcelo com obras de artistas sergipanos.
O colecionador enfatizou sobre a diversidade artística que fora exposta na Galeria, com 25 artistas de diferentes épocas, com obras que vão de 1944 até 2024. Para Marcos Marcelo, colecionar é poder absorver um pouco da energia e do conhecimento de cada artista.
“Me senti honrado por ter sido convidado para expor minha coleção num espaço que eu conheço há muitos anos, que sempre frequentei e apreciei as exposições e dessa vez eu estou expondo a minha coleção para o público”, relatou.