Em um ato de fé e ancestralidade, os povos de terreiros promoveram, nesta quinta-feira, 27, o Cortejo dos Ojás. Integrando as comemorações dos 170 anos de Aracaju, a programação teve início na Colina do Santo Antônio, de onde o cortejo seguiu até a Praça Fausto Cardoso. O ritual consiste na amarração dos ojás - faixas de tecido branco - nas árvores, um símbolo de conexão espiritual e respeito à natureza dentro das religiões de matriz africana. Para os terreiros, essa prática representa a presença do sagrado e o fortalecimento das energias positivas.
A yalorixá Mãe Edinha, das nações Angola e Kêto, destacou a importância do momento para o reconhecimento e valorização das religiões afro-brasileiras. “Foram muitos anos de luta pela liberdade religiosa, e hoje só temos a agradecer à Prefeitura por essa oportunidade. O sentimento é de gratidão. Estamos encerrando esse evento levando os ojás a cada árvore, pedindo união, paz e proteção para nossa cidade, para que a violência seja afastada e que possamos viver com mais harmonia”, afirmou.
A conselheira federal da OAB/SE e yalorixá Clara Arlene Ferreira reforçou a necessidade do combate ao racismo religioso e do direito ao livre culto. “Nós, do povo de terreiro, temos o direito de cultuar livremente. Essa luta constante contra o racismo religioso é desgastante, porque queremos apenas viver nossa fé sem medo ou perseguição. Este momento é extremamente importante, pois estamos em um local histórico, de grande representatividade para a cidade, e podemos realizar nossos ritos de forma respeitosa e digna”, declarou.
A presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial, Maria Elisângela, ressaltou o papel do órgão na construção da programação em parceria com a Prefeitura. “O Conselho está extremamente feliz, porque isso aqui é ancestralidade, cultura e tradição. São os povos de matriz africana de Aracaju mostrando sua religiosidade, algo de extrema importância. Em nome de todos, agradecemos à prefeita Emília Corrêa por inserir nossas ancestralidades nas comemorações do aniversário da cidade”, afirmou.
As celebrações foram encerradas na Praça Fausto Cardoso com a amarração dos ojás nas árvores e um show da banda Axé Di Preto, que trouxe ainda mais energia ao evento. O cantor e babalorixá Alan explicou o significado desse ato dentro do Candomblé. “Para nós, a árvore é como um corpo. No Candomblé, amarramos um ojá para manter a energia do orixá viva naquele espaço. O ojá é um símbolo de respeito e conexão com o sagrado”, concluiu.