Semana de Inclusão: Alunos da EMEF Presidente Vargas visitam instituição que atende pessoas com deficiência

Educação
10/09/2025 16h54
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A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Presidente Vargas está promovendo a sua 6ª Semana de Inclusão. A programação, que prossegue até sexta-feira, 12, é destinada aos 900 alunos da unidade e abrange exibição de filmes, apresentações artísticas, oficinas, palestras e outras atividades, todas com assuntos voltados à acessibilidade. O objetivo da iniciativa é consolidar e fortalecer práticas pedagógicas de convivência que assegurem a participação de todos, valorizando a diversidade como princípio educativo. 

O tema trabalhado neste ano é ‘Protagonismo e Inclusão: Nada sobre nós, sem nós’. O projeto é uma idealização das professoras do Atendimento Educacional Especializado (AEE), Cátia Matias e Cristiane Oliveira, com o apoio de toda a comunidade escolar, e parceria da Secretaria Municipal da Educação (Semed), por meio da Coordenadoria de Educação Especial (Coesp).

Na manhã desta quarta-feira, 10, alunos do 8º ano visitaram o Centro de Integração Raio de Sol (Ciras), organização não governamental (ONG) localizada no Bairro Santa Maria que atende pessoas com deficiência física, intelectual ou com transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo. Na ocasião, os estudantes foram direcionados ao Núcleo de Oficinas, setor que assiste 220 pessoas, a maioria adolescentes e adultos com deficiência intelectual. 

No local, os jovens da EMEF viram como é a rotina de atividades práticas do público atípico. Segundo a pedagoga do Ciras Gilvânia Soares, que ficou responsável pela apresentação do local, juntamente com o assistente social Gilmar Otávio, as ações implantadas na ala fomentam a autonomia e a independência dos assistidos em suas atividades diárias. No galpão destinado ao setor, os meninos e meninas conheceram várias oficinas, entre elas as de artes e de música. 

Além dessas, teve a oficina de atividade diária, em que os alunos da EMEF assistiram atentamente à apresentação de Gilmar Otávio. Lá, os jovens puderam compreender que, dentro do campo neurodiverso, há trabalhos específicos para a promoção da aprendizagem. No local, os atendidos recebem orientações sobre tarefas do dia a dia, como lavar roupa, amarrar cadarço e limpar o fogão. Na oficina pedagógica, foi mostrado como são os trabalhos adaptados para leitura e matemática.  

Na área voltada às artes, havia um grupo produzindo vasos recicláveis para plantas. A professora responsável pelo setor, a pedagoga Caroline Alexandre, listou o que mais é feito por ali. “Desenhos, pinturas, artesanato, adereços, como bijuterias, colares e muitos outros. Aqui, mesclamos artes com parte pedagógica, para o desenvolvimento da criatividade e habilidades artísticas deles”, contou.

Na oportunidade, também foram apresentadas às crianças da EMEF algumas produções artísticas da assistida Tarsila Jordânia. Sobre a mesa, foram colocadas histórias escritas e desenhos de autoria dela, transmitindo aos estudantes a mensagem de que limitações e diferenças existem, mas não são necessariamente barreiras para o aprendizado, desenvolvimento e atuação nas áreas em que essas pessoas desejam. 

A professora de Língua Portuguesa da Escola Presidente Vargas, Rita Freire, foi uma das profissionais que acompanharam os estudantes na atividade. Para ela, a ação foi bastante produtiva no sentido de despertar os alunos para a realidade de pessoas atípicas. “Bom para conhecer de perto e aprender a valorizar, a incluir e respeitar as pessoas com deficiência. Eu, particularmente, estou encantada com os trabalhos da ONG, e os alunos também. Eles viram que embora haja limitações, todos eles têm uma habilidade”, destacou a professora. 

A pedagoga Gilvânia Soares enalteceu a proposta da Semana de Inclusão, que atinge vários pontos positivos. No ponto de vista do Ciras, ela explicou que os assistidos valorizam o ato de demonstrar suas potencialidades e que esse tipo de interação os faz sentir-se inseridos na sociedade. 

Além disso, trabalha valores como empatia e inclusão entre esses adolescentes. “Muitos dos nossos assistidos falam que não querem frequentar a escola regular por causa do bullying, devido à exclusão por conta da deficiência deles. Então, é importante essa aproximação com estudantes da escola regular também para que eles conheçam o nosso trabalho e passem a respeitar as pessoas com deficiência”, afirmou Gilvânia.

O aluno Adrian Willians, de 14 anos, disse que ficou muito satisfeito com a visita ao Ciras. Uma das oficinas que ele mais gostou foi a de música, em que pôde saber como a coordenação motora dos assistidos é estimulada a partir das aulas de canto e com os instrumentos. Como tem um irmão de 7 anos autista e está ciente dos problemas enfrentados por crianças neurodiversas, ele afirmou que as pessoas precisam sair de uma mentalidade de exclusão para adotar comportamentos mais acolhedores. “Muito bom ver meus colegas, alguns que não convivem com pessoas atípicas, aprender sobre a realidade delas. Esses passeios abrem a mente para coisas novas. É preciso entender que o mundo mudou e que agora a gente tem que respeitar essas pessoas”, opinou o aluno.