A Praça Frei Miguel Serafini, conhecida como Praça dos Capuchinhos, no bairro América, foi inaugurada a requalificação na última quarta-feira, 01, após uma completa reurbanização realizada pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb). O espaço, que durante décadas fez parte da memória dos moradores, agora se apresenta com novas cores, formas e funcionalidades, unindo religiosidade, arte urbana e equipamentos de lazer. A entrega transformou o local em um ponto de encontro da comunidade e em mais um cartão-postal da capital.
A reforma começou em abril de 2024 e, no início de 2025, com a nova gestão, recebeu readequações para valorizar ainda mais o aspecto cultural e religioso. A equipe de arquitetas Angélica Rocha, Alana Alves e Alice Queiroz conduziu um trabalho minucioso, que resultou em um espaço onde cada detalhe foi pensado para dialogar com a história local. A arquiteta Alana, responsável pelo projeto do grande muro de contenção, destacou a importância de São Judas Tadeu, padroeiro da Igreja dos Capuchinhos, para compor a principal intervenção artística. “Entendi que ele seria o protagonista ideal. Após entender sua trajetória, desenhei cada figura, cada medida, cada parte da narrativa. O artista pegou esse esboço e transformou em realidade, criando uma obra de arte que dá vida ao muro e conta uma história”, explicou.
As cores escolhidas também ganharam protagonismo no processo criativo. A arquiteta Alice Queiroz foi responsável pela paleta, pensada para despertar a sensação de bem-estar e conexão. “As praças devem transmitir acolhimento e inspiração. O azul acalma, o verde traz serenidade e o terracota aquece o espaço, por isso elas foram tão bem distribuídas no espaço. Para o parque infantil, optamos por cores mais vibrantes, trazendo alegria e energia para as crianças. Cada tom foi pensado para se harmonizar com o ambiente e reforçar a ideia de acolhimento”, disse.
Já o anfiteatro e a arquibancada, palco tradicional da encenação da Paixão de Cristo, foram repensados com o olhar da arquiteta Angélica Rocha, que buscou aproximar ainda mais a praça da espiritualidade que a envolve, devido à proximidade com a Igreja dos Capuchinhos. “Nosso desafio foi conectar a praça urbana ao espaço religioso. A Igreja dos Capuchinhos é um símbolo de fé para a comunidade, e o projeto precisava refletir essa identidade. Os painéis artísticos, as pinturas no pavimento e as transformações no anfiteatro e na arquibancada marcam essa fusão entre religiosidade e convívio social”, destacou.
A escadaria que liga a praça à igreja também se tornou símbolo da revitalização. Antes simples, hoje é acessível, artística e transformada em cenário fotográfico. A intervenção recebeu pinturas do artista Korea JPZ, conhecido pela escadaria do Recanto da Jaqueira, que trouxe novamente sua assinatura a um espaço urbano de grande significado. Junto a ele, o grafiteiro André Chagas foi responsável por boa parte das artes do local.
Para Chagas, que cresceu próximo à Igreja dos Capuchinhos, contribuir com a revitalização de um espaço que sempre fez parte de suas memórias é muito gratificante. “Nasci no conjunto Dom Pedro e, quando criança, via a igreja iluminada ao longe, como uma coroa. Pintar aqui me fez reviver essa lembrança. O mural sobre São Judas Tadeu foi uma oportunidade de traduzir em arte uma devoção muito presente no bairro. Também pintei a concha acústica com a imagem de Frei Miguel e, na rampa de acessibilidade, fiz alusão aos tapetes de Corpus Christi. Durante o tempo que estive aqui, percebi a ansiedade da comunidade em ver a praça pronta e isso mostra como a arte cria sentimento de pertencimento”, relatou.
Se a revitalização já impressiona pela estética, ela ganha ainda mais força nos relatos dos moradores. Sélio Santos, comerciante e morador do bairro desde 2006, foi um dos que mais sentiram o impacto da mudança. “Aos finais de semana transformo minha varanda em restaurante, e acredito que agora meu comércio vai melhorar ainda mais. Até pintei minha casa de verde para combinar com a praça. Fiz mudanças na varanda e estou planejando adequações para clientes cadeirantes, inspirado na acessibilidade da praça, que ficou encantadora. Para quem viu o antes e vê o agora, é uma mudança da água para o vinho”, afirmou.
Meire Lúcia Freitas, moradora há mais de 15 anos, também vê a nova praça como a realização de um sonho aguardado por gerações. “Essa reforma era muito esperada. Hoje temos brinquedos, equipamentos de ginástica, campo de futebol, espaços para agradar pessoas de todas as idades. As crianças estão encantadas com as cores e os adultos agora podem se exercitar. É uma homenagem justa ao Frei Miguel, e acredito que os turistas também vão se apaixonar”, declarou.
A engenheira Clariana Alda Coelho de Lima, responsável pela fiscalização da obra, ressaltou a emoção de ver a transformação. “Quando pensamos em obra, geralmente pensamos no cinza do concreto. Mas aqui foi diferente: a pintura artística trouxe vida, cor e emoção. É gratificante ver como engenharia e arte caminharam juntas para transformar não apenas o espaço, mas também a forma como as pessoas se relacionam com ele. É isso que torna esse projeto tão especial”, afirmou.
Com investimento de R$ 2,2 milhões e área total de 9.990 metros quadrados, a requalificação incluiu parque infantil com brinquedos inclusivos, campo de futebol com grama natural, arquibancada e anfiteatro reestruturados, doze equipamentos de ginástica ao ar livre, passeios acessíveis com piso tátil e rampas, drenagem, paisagismo, iluminação renovada e mobiliário urbano moderno. Mas mais do que os números e estruturas, o resultado final está na percepção dos moradores, que passaram a enxergar a praça como símbolo de pertencimento, lazer e memória coletiva.
A Praça Frei Miguel Serafini, agora reurbanizada, se torna não apenas um espaço de convivência, mas um marco de integração entre fé, arte e comunidade. Um local em que a cidade reencontra suas tradições, renova sua paisagem e projeta para o futuro um espaço vivo, acolhedor e plural.