A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria da Educação, realiza diversos serviços voltados ao cuidado dos alunos da rede pública municipal. Um deles é a garantia de uma alimentação escolar saudável e equilibrada, essencial para o desenvolvimento e aprendizagem dos estudantes. Em 2025, até a primeira quinzena de dezembro, R$32,5 milhões foram investidos no setor, montante que possibilitou a entrega de 6,7 milhões de refeições nas 79 escolas e sete anexos.
Focada na qualidade e segurança alimentar, a gestão municipal atua nesse campo seguindo as diretrizes da lei 11.947/2009 e das resoluções CD/FNDE nº 6/2020 e nº 3/2025. Ancorada nessas normas, a Semed assegurou neste ano a alimentação aos cerca de 34 mil alunos matriculados em todas as etapas de ensino e modalidades em que atua - das creches à Educação de Jovens e Adultos (EJA).
E ninguém ficou de fora. Pelo contrário, através da equipe da Coordenadoria de Alimentação Escolar (Coae), a Prefeitura avançou no trabalho de inclusão para atender todos os estudantes com necessidades nutricionais especiais. Segundo o coordenador do setor, Rafael Fontes, diariamente, nas escolas da rede pública de Aracaju, os cardápios contam com opções para todos os públicos.
De alunos autistas com seletividade alimentar, a outros com diabetes, hipertensão, doença celíaca, intolerância à lactose e vários tipos de alergias, como ao leite, ao ovo, soja e frutas, os profissionais da Coae agem para contemplar todos. “Os cardápios recebem adaptações para os estudantes que possuem essas e outras necessidades. Para os que têm intolerância à lactose, se a refeição do dia for uma vitamina, o leite usado tem que ser sem lactose. Se for alérgico ao leite de vaca, temos que usar um leite ou uma bebida vegetal, e vamos variando de acordo com cada necessidade especial”, contou Rafael Fontes.
Rafael explicou que a intervenção tem início após o envio de relatórios médicos ou nutricionais de profissionais ligados à saúde. Normalmente, os pais e responsáveis os entregam às equipes diretivas das escolas, que encaminham para o Coae. “Vamos analisar esse relatório e emitir o nosso, que deverá ser enviado à escola, para as merendeiras terem ciência. Geralmente, o documento fica com as profissionais ou na parede da cozinha, e contém informações que facilitam o entendimento sobre a condição alimentar dos alunos”, detalhou Rafael Fontes.
Há casos em que apenas o relatório não é suficiente para adaptar o cardápio. Existem situações em que a equipe da Secretaria da Educação de Aracaju agenda reuniões com a equipe diretiva da escola e com os responsáveis pelo aluno. “Nessa questão de seletividade alimentar, cada caso é um caso e o modo de atuação vai variar. Conversamos em conjunto e definimos a melhor forma de adaptar a alimentação daquela criança. Vou dar um exemplo: há crianças que comem apenas com pratos ou talheres específicos, então solicitamos que tragam esses itens de casa. O outro pode ser questão de textura, então a gente pede para que na cozinha seja adaptado para a textura que ele está aceitando, como bater algo no liquidificador”, afirmou Rafael.
Embora adaptações sejam necessárias, Rafael Fontes esclarece que a seletividade alimentar não deve ser tratada como algo definitivo na vida da criança atípica. Segundo o nutricionista, um dos intuitos do trabalho da Semed nesse campo é justamente promover avanços. “A ideia é sempre buscar a melhoria, com um trabalho muito profissional. Quando pedimos para adaptar, não é para a criança ficar presa naquela situação. Com as adaptações buscamos uma evolução futura. Vamos ajustando, porém, com o tempo, mudando a consistência e observando se aquele aluno está evoluindo gradativamente”, relatou Rafael.
Henzo Luan, de 10 anos, aluno autista com seletividade alimentar do 5º ano da Escola Sérgio Francisco da Silva, no Bairro Lamarão, é um exemplo de aluno da rede que teve sua rotina alimentar transformada por essa atuação especializada. O menino ingressou na unidade em 2022, período em que se alimentava de maneira mais restrita. Conforme a mãe de Henzo, Williane Silva, no café da manhã, o pão era só sem manteiga. No almoço, nada de proteínas. Henzo comia apenas arroz, macarrão e feijão. Frutas, somente banana.
Agora, esse leque de opções se abriu impulsionado pelo cardápio e pela atuação conjunta dos profissionais da escola e da secretaria da Educação. Antes motivo de preocupação com a saúde e desenvolvimento, hoje a alimentação de Henzo traz tranquilidade para Williane. A mãe enumera alguns itens que Henzo inseriu entre os seus preferidos após frequentar a unidade. “Eu atribuo essa mudança ao trabalho da escola, que contribuiu para o desenvolvimento dele. O cardápio ajudou muito ele a sair da rotina. Ele começou a comer coisas que ele não comia, a exemplo de cuscuz, arroz, cenoura, frango cozido, carne moída, carne vermelha, frutas como uva e maçã, além dos sucos de acerola e goiaba”, contou Williane Santos.
O garoto gosta tanto das refeições da Escola Sérgio Francisco que pede para ela reproduzir receitas idênticas em casa. “A minha comida preferida da escola é a macarronada com carne moída, e arroz com cenoura, uma delícia. Peço pra minha mãe fazer igual ao da escola em casa”, disse Henzo Luan.