Janeiro Branco: Prefeitura fortalece cuidado e prevenção à violência autoprovocada

Saúde
09/01/2026 16h22
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Cuidar da saúde mental é uma ação contínua de proteção à vida, especialmente quando o sofrimento se manifesta de forma aguda. A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), desenvolve ações permanentes voltadas ao cuidado das pessoas em sofrimento psíquico agudo, especialmente nos casos de autolesão e tentativa de suicídio. 

Esse trabalho é coordenado pelo Núcleo de Prevenção de Violência e Acidentes (NUPEVA), que atua de forma integrada com a Rede de Atenção Psicossocial (REAPS) para monitorar os casos de violência autoprovocada, garantir acolhimento oportuno e orientar o cuidado contínuo, com foco na prevenção de reincidências e na proteção da vida. As ações envolvem desde a Atenção Primária até os serviços de urgência, emergência e atenção psicossocial, garantindo que nenhuma pessoa fique sem assistência. 

Segundo a referência técnica do NUPEVA, Lidiane Gonçalves, todos os profissionais da rede municipal são orientados a notificar imediatamente os casos suspeitos ou confirmados de violência autoprovocada. “A notificação é feita no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e não tem apenas caráter epidemiológico. Ela serve, principalmente, para nortear o cuidado e evitar a reincidência”, explica.

De acordo com Lidiane, assim que o caso é identificado no serviço de saúde, a notificação é realizada e encaminhada ao NUPEVA pelo meio mais rápido disponível. A partir daí, o núcleo aciona a Rede de Atenção Psicossocial (REAPS), que direciona o acompanhamento ao Serviço de Atendimento Psicossocial (SAPS). “Com base nessas informações, a equipe faz a triagem e entra em contato com o usuário para avaliar quais cuidados são necessários, seja acompanhamento ambulatorial, CAPS ou outro serviço da rede”, detalha.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/VIVA) revelam que, entre 2020 e 2025, Aracaju registrou 2.234 notificações de violência autoprovocada ou autolesão, sendo 422 apenas no último ano. A SMS ressalta que esses números podem ser ainda maiores devido às subnotificações. O mapeamento desses casos permite à gestão municipal identificar perfis e territórios mais vulneráveis. 

Conforme o NUPEVA, a maioria das notificações envolve mulheres jovens adultas, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos, com maior concentração de registros em bairros como Farolândia, Santa Maria e Santos Dumont. “Conhecer esse perfil é fundamental para planejar ações preventivas e fortalecer o cuidado em saúde mental nessas regiões”, afirma Lidiane Gonçalves.

Ele enfatiza que “a violência autoprovocada é um fenômeno multifatorial, que envolve aspectos biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Por isso, a Saúde de Aracaju desenvolve ações transversais de prevenção, que vão desde o fortalecimento da autoestima na infância até políticas de cuidado integral à saúde da mulher e ampliação do acesso à saúde mental”.

SAPS
Como parte dessa rede de cuidado, a população conta com o Serviço de Atendimento Psicossocial (SAPS), que oferece escuta qualificada, acolhimento e orientação em saúde mental de forma gratuita e remota. O atendimento é realizado por psicólogas e assistentes sociais, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, pelo telefone 0800 729 3534, opção 3.