Prefeitura alerta que devolução de animais após adoção é um dos desafios da proteção animal

Meio Ambiente
26/02/2026 08h00
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A adoção de um animal deve ser um compromisso consciente, responsável e permanente. No entanto, a devolução após a adoção ainda é uma realidade recorrente e representa um obstáculo no enfrentamento ao abandono de cães e gatos. O alerta é da Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), que desenvolve ações contínuas de sensibilização sobre guarda responsável e bem-estar animal.

O cenário nacional evidencia a dimensão do problema. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que o Brasil tenha cerca de 30 milhões de cães e gatos vivendo em situação de abandono. Além do abandono, que é considerado crime de maus-tratos no Brasil desde 1998, os casos de devolução de animais também preocupam ONGs de proteção animal e protetores independentes. E embora não exista um sistema unificado que contabilize devoluções, os relatos de quem se dedica diariamente ao bem-estar de cães e gatos evidenciam que a situação é frequente e impacta diretamente a rede de proteção animal.

Em Aracaju, a Sema tem buscado sensibilizar a população sobre a responsabilidade do processo de adoção de animais, visto que a devolução provoca consequências significativas no comportamento dos animais, que já haviam iniciado processo de adaptação ao novo lar e podem desenvolver apegos aos tutores. A quebra de vínculo gera estresse, medo, insegurança e alterações comportamentais. A situação impacta ainda o volume de animais nos abrigos, que em sua maioria já se encontram lotados, reduzindo a capacidade de acolhimento de outros animais em situação de vulnerabilidade.

A protetora Gisele Gil, fundadora da Organização Não Governamental (ONG) Thundercats, ressalta que a adoção exige planejamento e comprometimento a longo prazo. “As pessoas precisam entender que os animais são seres amorosos que também merecem muito respeito e cuidado. Não se pode pensar em adoção, sem pensar em compromisso e disponibilidade de tempo.  É preciso ter paciência na adaptação, a convivência com nenhum ser se dá de forma mágica, também não é assim com um bichinho”, disse. 

Fundadora da ONG Bando de Bichos, Sheila Hora explica que os sentimentos dos animais não podem ser subestimados. “Na minha experiência, o animal adulto tende a se adaptar mais rápido ao novo lar. Então, se a pessoa sabe que não tem tanta paciência ou disponibilidade nesse início, talvez seja mais adequado optar por um animal adulto. O filhote é lindo, pequenininho, e muitas vezes as pessoas acabam romantizando essa fase. Mas é importante lembrar que ele precisa de um período maior de adaptação. Geralmente, acabou de sair do peito da mãe e, ao chegar a um novo ambiente, vai buscar esse acolhimento em você. Ele vai precisar de mais proximidade, mais atenção e mais paciência”, explicou Hora.

Sheila aconselha que quem for adotar tenha algumas situações em mente. “Eu acredito que, em cerca de 30 dias, o animal já esteja bem adaptado. Mas, o tutor não pode pegar um filhote que acabou de ser desmamado e simplesmente deixá-lo sozinho no quintal. É claro que ele vai sofrer e que o processo será muito mais difícil. Se for para agir assim, é melhor nem adotar. A adoção é um compromisso de vida. Exige tempo, responsabilidade e também envolve custos. O animal precisa ser vacinado, vermifugado, bem alimentado e, principalmente, bem cuidado e amado”, comentou. 

Ainda sobre os requisitos que podem evitar a devolução dos animais, a coordenadora do programa Aju Animal, Anne Carollyne Costa explica que não basta ter vontade de adotar um bichinho, o tutor deve se atentar a alguns pontos antes de tomar a decisão. “Verificar se todos da casa estão de acordo com a chegada do animal , se alguém possui alguma alergia a pelo, por exemplo, se terá tempo e energia para se dedicar aos passeios e principalmente paciência para passar pelo processo de adaptação”, explica.