Tradições afro-brasileiras ganham destaque na programação dos 171 anos de Aracaju

Agência Aracaju de Notícias
13/03/2026 14h00
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Pelo segundo ano consecutivo, as comemorações artísticas do aniversário de Aracaju contarão com apresentações que celebram a musicalidade e as tradições culturais de matriz africana. O evento será realizado neste domingo, 15, a partir das 16h, na praça de eventos da Orla de Atalaia, reunindo artistas e grupos que dialogam com a ancestralidade, e as expressões culturais dos povos de terreiro.

A abertura da programação ficará por conta do espetáculo ‘Samba de Terreiro – O Encontro’, um show que reúne grandes vozes do samba sergipano em uma apresentação que combina música, teatro e performance cênica. O espetáculo conta com a participação dos cantores Bel Nunes, Araketinho, Jaciara Chagas e Cobrinha, em diálogo artístico com o Coletivo Hecta de Teatro.

Segundo a diretora artística do Samba de Terreiro, Maitê de Lima, a proposta do espetáculo é construir um samba performance que dialoga com o universo simbólico das religiões de matriz africana, trazendo para o palco elementos de interpretação, corporeidade e encenação. “A apresentação também presta homenagem aos Exus, reconhecidos nas tradições afro-brasileiras como guardiões dos caminhos e mensageiros entre os mundos, figuras presentes na musicalidade, nos cantos e na cultura dos povos de terreiro”, destaca.

Ainda segundo Maitê, a participação do coletivo na programação oficial do aniversário da cidade representa um momento simbólico para o reconhecimento das expressões culturais de matriz africana na capital. “É de suma importância evocar essa energia de Exu, essa energia do povo da rua, na abertura do show afro. Acho que é um marco histórico para o aniversário da capital”, afirmou.

A diretora artística salienta ainda que a presença do grupo na programação também reafirma a importância de dar visibilidade às expressões culturais de matriz africana no cenário artístico da cidade. “A gente traz essa corporeidade por meio do Coletivo Hecta de Teatro, que é um coletivo de teatro afro. Levamos para o palco elementos cênicos e trabalhamos com essa energia do povo da rua. É um diferencial para a capital. É muito bonito quando estamos associados à programação cultural do aniversário de Aracaju, reivindicando e ocupando um espaço que é nosso e que também faz parte do imaginário da cidade”, completou.

Maitê conta que a apresentação do grupo se diferencia pela forma como integra linguagens artísticas distintas, combinando música, dança e teatro em uma experiência sensorial para o público. “Esse é o nosso diferencial. A gente vai ocupar o palco a partir do teatro, com essa teatralidade. Vamos interpretar, evocar essa energia e transmitir para o público que estiver assistindo, para que as pessoas sintam um pouco desse axé”, destacou.

O repertório musical também dialoga diretamente com a vivência cultural e religiosa dos integrantes do espetáculo. Na avaliação de Maitê, o repertório está profundamente associado à musicalidade de terreiro, já que todos os cantores e músicos possuem essa vivência. “São pessoas de terreiro. Então vamos levar para o palco da Orla de Aracaju um pouco de como é essa vivência dentro do terreiro”, explicou.

Para a diretora artística, ocupar um espaço de destaque em um evento público dessa dimensão também representa um gesto de afirmação cultural e de enfrentamento à intolerância religiosa. “É muito importante ocupar esse espaço e ter essa notoriedade. Quando ocupamos um palco para falar e interpretar o povo da rua, Exu, que é o mensageiro, o senhor da comunicação e do movimento, também se torna um ato de resistência. É um gesto que ajuda a combater o preconceito e as mazelas associadas à intolerância religiosa”, ressaltou.

Maitê adianta ainda que o público pode esperar uma apresentação marcada pela celebração, pela dança e pela energia da cultura afro-brasileira. “Será um momento extremamente festivo, com muita energia de celebração. A energia de Exu é a energia do movimento, da dança e do teatro. Então o público pode esperar o melhor desse show. Convido todos a estarem presentes”, concluiu.

Além do espetáculo Samba de Terreiro – O Encontro, a programação contará ainda com apresentações do Afoxé Filhos de Gandhy, Afoxé Di Preto e da cantora Ana Mametto, reforçando a presença e a força da cultura afro-brasileira nas festividades que marcam os 171 anos de Aracaju.