Defesa Civil alerta para intervenções que obstruem microdrenagem e agravam alagamentos

Defesa Civil
13/03/2026 08h30
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As chuvas intensas que atingiram a capital nas últimas semanas provocaram alagamentos em diversos pontos da cidade. Um deles foi na rua Valdeci Santos, localizada no bairro Jardim Centenário, Zona Oeste. A Defesa Civil de Aracaju — órgão vinculado à Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seminfra) — esteve no local e identificou sarjetas concretadas de forma irregular, inclusive com rampas construídas sobre elas, o que impede o fluxo das águas pluviais.

As sarjetas são canais de escoamento situados entre o meio-fio e a via. A principal função é conduzir as águas das chuvas até as bocas de lobo ou bueiros. “Quando são obstruídas, geram transtornos à comunidade, como a formação de poças, aquaplanagem e até alagamentos”, explicou o engenheiro da Defesa Civil, Gabriel Teixeira.

Acionada pela comunidade, a Defesa Civil realizou ações de mitigação e desobstrução de canais. “Em dias de chuva, aqui vira uma lagoa. Os carros passam e jogam água suja para dentro da minha casa. Essa rua foi toda mexida; não sei se foi o pessoal da Deso ou da Iguá. Eles passaram o asfalto e deixaram nessa situação”, desabafou a dona de casa Joseane Conceição.

O conferente Maurino de Almeida, que a mais de 30 anos mora na região, endossou a queixa. “Depois que a Iguá fez essa obra aqui, a situação piorou. Há poucos dias, o cenário estava lamentável”, afirmou.

Obstrução de bocas de lobo

Outra prática que gera riscos aos moradores é a colocação de blocos cerâmicos ou outros materiais na entrada das bocas de lobo, muitas vezes com o intuito de impedir a entrada de lixo na rede. No bairro São Conrado, Zona Sul, as equipes de proteção constataram diversas unidades obstruídas com cimento e tijolos furados.

Em um dos casos, moradores utilizaram o sistema de drenagem como complemento de uma rampa de acesso à garagem, serviço executado sem o consentimento da Prefeitura de Aracaju.

“Essa prática é comum e, infelizmente, reduz a capacidade de escoamento. Em dias de chuva intensa, isso favorece o acúmulo de água nas vias por mais tempo, podendo causar alagamentos, especialmente quando há obstrução por resíduos ou pela quebra do próprio bloco cerâmico”, alertou o engenheiro.

Em Aracaju, a Lei Nº 1687 de 27 de março de 1991 especifica que o acesso de veículos às garagens deve ser feito dentro do próprio lote, e não com uma rampa construída na rua.

Gabriel Teixeira reforçou a importância de respeitar as áreas reservadas ao escoamento para garantir o bom funcionamento do sistema. “Os moradores que executaram algum tipo de obstrução, mesmo sem a intenção de causar problemas, devem remover as rampas construídas sobre as sarjetas ou os materiais nas entradas das bocas de lobo. Dessa forma, evitaremos transtornos para toda a coletividade”, orientou.