A presença da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat) no Fórum Brasil Criativo – região Nordeste reforça uma nova frente de atuação da instituição: a qualificação voltada à economia criativa como estratégia de geração de renda e inclusão produtiva. Durante entrevista no evento realizado nesta terça-feira, 7, na Universidade Tiradentes, a presidente da Fundat, Melissa Rollemberg, afirmou que a fundação já se prepara para ofertar cursos voltados ao setor cultural, alinhando a formação profissional às demandas de um mercado em expansão.
“A Fundat é uma fundação focada no emprego e no trabalho. Precisamos estar atentos ao que movimenta o mercado, e a economia criativa é uma realidade crescente. Queremos capacitar pessoas para atuar em áreas como artes cênicas, sonorização, iluminação, além de fortalecer o artesanato e a cultura local como fontes de renda”, afirmou.
Segundo Melissa, a atuação da Fundat se baseia na integração entre diferentes áreas, especialmente com a recém-criada Secretaria Municipal da Cultura, ampliando as possibilidades de formação e empregabilidade. “Nosso objetivo é garantir que quem vive da cultura tenha oportunidades contínuas, e não apenas sazonais. Precisamos de políticas públicas que tornem esse trabalho perene, valorizando manifestações como o São João, o trio pé de serra e toda a riqueza cultural que temos. Isso impacta diretamente na autoestima e na economia da cidade”, pontuou.
A secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, destacou o potencial estratégico do setor para o desenvolvimento do país, ao definir a economia criativa como uma das principais forças emergentes da atualidade. Segundo ela, trata-se de uma economia baseada em inclusão, sustentabilidade e valorização simbólica, que envolve desde o artesanato e a cultura popular até segmentos como audiovisual, games, design e tecnologia. “Estamos falando de uma economia que gera trabalho e renda, que precisa de investimento, financiamento e políticas públicas estruturadas. Não se vive apenas de editais, é preciso garantir dignidade e continuidade para quem atua nesse campo”, afirmou.
Durante o fórum, a secretária também chamou a atenção para os desafios estruturais que ainda limitam o avanço do setor no Brasil, como a informalidade, a falta de dados consolidados e a baixa valorização dos produtos culturais nacionais. Para ela, é fundamental fortalecer políticas públicas que incentivem o consumo interno e ampliem as oportunidades de mercado. “O Brasil tem um potencial enorme na economia criativa, mas ainda precisa transformar essa riqueza cultural em desenvolvimento econômico. Isso passa por crédito, formação, empreendedorismo e, principalmente, por reconhecer a cultura como trabalho e vetor de desenvolvimento”, ressaltou.
O Fórum Brasil Criativo integra uma série de encontros regionais promovidos pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Sebrae, com o objetivo de fortalecer o diálogo entre gestores públicos, empreendedores e agentes culturais. A iniciativa busca contribuir para a construção do Plano Nacional de Economia Criativa, consolidando diretrizes que impulsionem o desenvolvimento econômico e social a partir da cultura.