Projeto da Prefeitura objetiva transformar Aracaju num polo de produção de mudas de mangue

Meio Ambiente
14/04/2026 14h08
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O projeto ‘Aju é Mangue’, desenvolvido pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), nasceu da necessidade de ampliar os esforços para a recuperação dos manguezais na cidade e atua como um grande plano de estudo, desenvolvimento e proteção da biodiversidade. As atividades são planejadas pelo corpo técnico da Sema, desde a produção do substrato, até o monitoramento e sensibilização da população.  

A iniciativa, que se configura como uma Solução Baseada na Natureza, é estruturada  em quatro frentes de ação, o reflorestamento, fiscalização, educação ambiental e a pesquisa, esta última recentemente adicionada ao trabalho. “Quando iniciamos o projeto encontramos muitas dificuldades, principalmente na produção das mudas, por isso, agora estamos com essa frente de pesquisa, na qual faremos artigos científicos e fecharemos um protocolo. A ideia é expandir o ‘Aju é Mangue’ para assim acessar outros manguezais e engajar a população”, afirma Pedro Menezes, gestor de projetos da Sema.  

O município de Aracaju apresenta um sistema expressivo de manguezal urbano, totalizando aproximadamente 2.059 hectares, distribuídos ao longo das zonas Norte, Centro, Oeste, Sul e Zona de Expansão. Em 2025, ano de início do projeto, mais de 2 mil mudas foram produzidas, e dois plantios experimentais foram realizados com taxas de sobrevivência superiores a 80%. Com a captação de novos investimentos a expectativa é que a produção chegue a 65 mil mudas até 2028. “A nossa previsão é que Aracaju tenha capacidade para restaurar diretamente uma área aproximada de 20 hectares de manguezal”, explica Menezes.

Ainda de acordo com o gestor de projetos, o ‘Aju é Mangue’ também tem grande potencial socioeconômico. “A restauração dos ambientes de manguezais fortalece, além de benefícios ambientais e o enfrentamento às mudanças do clima, as atividades tradicionais como a pesca e a mariscagem”, esclarece. 

Novas etapas

Até o momento, o projeto desenvolveu experimentações acerca da produção das mudas, os locais adequados e as taxas de sobrevivência. Segundo o gestor de projetos da Sema, o objetivo para esse ano é que, além do monitoramento das mudas já existentes e o plantio em novas áreas, sejam desenvolvidas pesquisas científicas, que servirão de base para a reprodução do projeto em outras áreas do país. “A ideia é que todos esses conhecimentos que estamos conseguindo produzir, a gente consiga também transformar em trabalhos científicos. Tanto para comprovar cientificamente os nossos experimentos, como para mostrar que outros locais também conseguem ter essa reprodutibilidade, seja aqui no estado ou ao redor do mundo”, afirma. 

De acordo com Pedro, o projeto está ampliando a sua produção, à medida em que, após diversos testes, a equipe entendeu as necessidades das espécies. “Durante esses experimentos a gente começou a perceber que elas precisam de algumas condições específicas, e por conta disso, vamos diferenciar uma estufa especificamente para as mudas de manguezal”, acrescenta. 

Prestígio internacional 


O projeto foi apresentado, e elogiado, em grandes eventos sobre desenvolvimento e sustentabilidade, como a Conferências das Partes das Nações Unidas (COP30), que aconteceu em Belém, e Connected Smart Cities, em São Paulo.

Além do reconhecimento, Aracaju foi o primeiro município do mundo a aderir ao Mangroove Breakthrough, iniciativa global voltada à proteção e restauração de 15 milhões de hectares de manguezais até 2030. A iniciativa é um acordo internacional que reúne governos, instituições financeiras e organizações ambientais com o objetivo de assegurar a valorização, financiamento e proteção dos manguezais, de forma a reforçar a sua importância como ecossistema vital para a manutenção do meio ambiente.