Prefeitura leva vagas e inclusão social ao III Feirão de Empregabilidade da Fundat

Formação para o Trabalho
18/04/2026 01h04
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A busca por um emprego, muitas vezes, começa com um currículo nas mãos e uma esperança silenciosa no peito. Nesta sexta-feira, 17, esse sentimento ganhou endereço certo no Centro da Juventude Polo de Tecnologia Luiz Vinícius Aragão Fernandes, na Farolândia, onde a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Municipal de Formação para o Trabalho (Fundat), realizou o III Feirão da Empregabilidade. A ação, que já passou pelo Mosqueiro e pelo Santa Maria, reuniu mais de 260 vagas ofertadas por 17 empresas parceiras.

Mais do que aproximar trabalhadores de empresas, o feirão transformou o espaço em um ponto de encontro entre necessidade e oportunidade. Ao longo da programação, candidatos puderam cadastrar currículos e participar de entrevistas no mesmo local, tornando o processo seletivo mais ágil e acessível. Paralelamente, a Feira de Gastronomia e Artesanato da Fundat mostrou ao público o resultado concreto da qualificação profissional oferecida pela fundação, enquanto a exposição do Clube de Veículos Antigos de Sergipe agregou um componente cultural à iniciativa.

Entre as muitas histórias que circularam pelo evento, algumas traduziam, de forma especialmente humana, o significado da iniciativa.

Jonathan Ramiro, 31 anos, morador do Augusto Franco, chegou ao mutirão trazendo na bagagem um diploma de Direito e um novo desejo profissional: migrar para a área de desenvolvimento web. Ao encontrar, em um só lugar, várias possibilidades de entrevista, enxergou no feirão uma resposta prática a uma dificuldade comum de quem busca recolocação. "Às vezes, a gente fica correndo atrás de uma única oportunidade. Aqui, não. Tudo foi concentrado em um só lugar, no mesmo dia, o que facilita muito para as pessoas. Em vez de levar um ou até dois meses participando de entrevistas separadas, elas conseguem passar por várias seleções em um único momento".

Joice Silva também encontrou no feirão mais do que uma fila de espera. Moradora da região, com ensino médio concluído, formação técnica em logística e cursando ensino superior em Estética e Cosmética, ela encarou o desafio de participar de uma entrevista em meio à multidão, mesmo sem gostar de ambientes cheios. O desconforto inicial foi vencido pela necessidade e pela esperança. Após passar pela seleção, seguiu alimentando a expectativa de conquistar uma nova vaga. Desempregada há cerca de um mês, depois de atuar na área da construção civil, Joice viu na ação uma iniciativa importante justamente por reduzir distâncias, custos e barreiras. "Muitas vezes, a pessoa precisa se deslocar e gastar dinheiro para ir ao Centro ou a outros locais, de empresa em empresa, tentando uma oportunidade, mas aqui no Mutirão foi diferente. Gostei da ação e estou esperançosa", declarou. 

Já Inês Santana carrega com a Fundat uma relação construída ao longo do tempo. Depois de fazer cursos pela instituição, como informática avançada, ela foi encaminhada para uma empresa onde trabalhou durante quatro anos. Hoje, ao retornar ao feirão em busca de uma nova oportunidade, traz consigo não apenas a memória de uma porta que já se abriu, mas a persistência de quem continua se qualificando. Após atuar como caixa de padaria, concluiu curso técnico de enfermagem e segue determinada a ingressar na área da saúde. "Eu cadastrei meu currículo para outras vagas também, caso não consiga para a vaga de técnica de enfermagem. Posso ficar em outro emprego até conseguir um na minha área", explicou.

Durante o mutirão, a presidente da Fundat, Melissa Rollemberg, ressaltou que esta iniciativa integra a estratégia da Prefeitura de Aracaju de ampliar o acesso da população às oportunidades de trabalho e fortalecer a intermediação de mão de obra no município. Segundo ela, a atuação da fundação busca aproximar trabalhadores e empresas de forma mais ágil e acessível, contribuindo para a inserção de mais aracajuanos no mercado. “A Fundat não dá emprego, ela intermedia oportunidades. E cada pessoa contratada a partir de uma ação como essa representa muito para a gente, porque significa mais dignidade, mais renda e mais esperança para as famílias”, declarou.

A diretora de Empreendedorismo e Cooperativismo da Fundat, Cassandra Teodoro, ressaltou que a grande participação popular demonstra a confiança da população no trabalho desenvolvido pela instituição. Para ela, ver pessoas saindo de uma ação como essa com a chance real de inserção no mercado representa a reconstrução da autoestima, do poder aquisitivo e da esperança. "Agradecemos as empresas, que têm apostado na assertividade da Fundat para conectar perfis profissionais às vagas disponíveis", afirmou a diretora.

Do lado das empresas, a parceria com a Fundat também foi apontada como estratégica. A auxiliar administrativa da CRC Incorporação, Evelyn Fiel, explicou que a participação no mutirão facilitou o encontro entre empregadores e candidatos, ampliando o acesso a currículos e permitindo a oferta de oportunidades em áreas administrativas, financeiras e também no campo de obras. A mediação da Fundat, segundo ela, torna o processo mais simples, direto e eficiente para todos os envolvidos.

Feira da Fundat e exposição

O impacto social do evento também se estendeu à área do empreendedorismo. A feirante e aluna qualificada pela Fundat, Isadora Santos Alves, participou da programação comercializando cocadas, bolos e pastéis. Ela contou que já realizou cursos como manipulação de alimentos e atendimento ao cliente, e avaliou que espaços como esse ajudam financeiramente mulheres chefes de família que vivem do próprio trabalho. Herdando da mãe e da avó o ofício com as cocadas, Isadora representa o elo entre tradição, sustento e profissionalização.

Outra participante da feira, Maria de Lourdes Reis Pereira, também destacou a importância da Fundat para fortalecer a geração de renda. Com histórico em diversos cursos, como manipulação de alimentos, pintura em tecido e artesanato, ela aproveitou o evento para expor bonecas e outros produtos feitos manualmente. Para ela, abrir espaço para que alunas qualificadas comercializem o que produzem é uma forma concreta de ajudar trabalhadoras a seguirem em frente com dignidade e autonomia.

A programação contou ainda com a presença do Clube de Veículos Antigos de Sergipe. O presidente da entidade, Carlos Armando de Oliveira, afirmou que a participação no evento contribuiu para aproximar cultura e função social. "A exposição de veículos populares e de trabalho ajudou a contar, de forma simbólica, parte da história do povo brasileiro e do próprio mundo do trabalho, reforçando a vertente cultural da ação", pontuou.