A autorização para o início das obras de urbanização da comunidade Prainha e Fibra foi recebida com comemoração por pescadores e marisqueiras que vivem nas duas ocupações. A assinatura foi realizada na ultima terça-feira, 12, pela Prefeitura de Aracaju e Governo Federal.
As famílias que atualmente vivem em palafitas nas ocupações Prainha e Fibra serão reassentadas em 66 novas unidades habitacionais, construídas em uma área próxima, na avenida Tancredo Campos, onde hoje existem antigos galpões que serão demolidos para viabilizar a construção das moradias e implantação de infraestrutura necessária. Ao todo, serão investidos R$ 24 milhões, com recursos do Novo PAC e contrapartida da Prefeitura de Aracaju, responsável pela execução das obras.
Além das moradias e infraestrutura, o projeto contempla a implantação de vias de contenção e melhorias urbanas em áreas já consolidadas; a regularização fundiária da ocupação NavPesca, por meio da modalidade Reurb-S; ações de recuperação ambiental; construção de equipamentos comunitários, como praças e áreas de lazer; implantação do Posto Territorial vinculado ao programa Periferia Viva, já inaugurado; elaboração do Plano de Ação; e o desenvolvimento do Trabalho Técnico Social, coordenado pela Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), com foco na escuta e no acompanhamento das famílias.
Morador da Prainha há 20 anos, o pescador Valdson Souza Silva, de 60 anos, destacou que a assinatura representa o início das mudanças aguardadas pela comunidade. “É uma felicidade sem tamanho para a gente. Ter a nossa casa, um lugar para viver bem, é muito importante, porque hoje moramos em palafitas, praticamente dentro da água. As pessoas não deveriam viver assim. As condições no passado não foram as melhores, mas estamos tentando mudar. Estamos confiantes no trabalho que será feito pela prefeitura”, afirmou.
Outra beneficiária, a marisqueira Márcia dos Anjos, de 48 anos, falou sobre a trajetória de luta dos moradores até a concretização do projeto. “O dia de hoje é muito importante para nós. Somos marisqueiras, pescadores, e há 28 anos moramos na Barra Industrial. Sempre foi uma luta grande para conseguir uma moradia digna. Onde vivemos era barraco; hoje já melhoramos um pouco, mas ainda temos muitas dificuldades. Essa conquista é de todos os moradores”, disse.
Para o pescador Jorge Messias, de 40 anos, a conquista da casa própria representa segurança e perspectiva de futuro para a família, especialmente para a filha de 15 anos. “É um patrimônio que vai ficar para a nossa família. É uma melhora muito grande para a gente, porque ter a casa própria dá segurança, dá um lugar digno para viver com a família. Isso ajuda no futuro dos nossos filhos”, destacou.
O coordenador estadual do Movimento Organizado de Trabalhadoras e Trabalhadores Urbanos em Sergipe (MOTU), Jorge Edson Santos, ressaltou que a assinatura representa um marco para o bairro Industrial, beneficiando diretamente os pescadores e marisqueiras, “que passam a fazer parte de um projeto urbanístico que garante mais dignidade para famílias que estavam há muito tempo esquecidas”, frisou.
Ele também explicou a função do Posto Territorial inaugurado durante a solenidade. “O posto vai acompanhar a obra, o cronograma e as atividades, ajudando a resolver as demandas que surgirem. É um momento importante para Aracaju, mas principalmente para o movimento que organiza essas famílias. Há cinco anos estamos nessa luta, desde a pandemia, conquistando a área, o projeto, as moradias e a regularização fundiária. Isso torna esse momento ainda mais significativo”, completou.
Etapas
De acordo com a diretora de Habitação da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), Sheila Trope, a assinatura autoriza o início das intervenções e, a partir dela, começam a ser emitidas as ordens de serviço. “Primeiro será feita a infraestrutura. A construção das casas vem depois, porque é necessário preparar toda a área antes da entrega das moradias. O cronograma começa com o traçado, o arruamento e o loteamento. Serão 33 lotes, e as casas serão sobrepostas, com dois pavimentos. Quando a infraestrutura estiver em fase final, iniciaremos a construção das casas”, concluiu.