Estudo sobre energias renováveis avança com visitas técnicas em prédios municipais

Sempi
14/05/2026 10h25
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A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Articulação, Parcerias e Investimentos (Sempi), deu mais um passo na estruturação dos estudos para o projeto de adoção de energias renováveis na administração municipal. O Instituto de Desenvolvimento de Parcerias Estratégicas (IDPE), um dos autorizados a realizar os estudos no âmbito do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) nº 02/2025, realizou, nos dias 12 e 13, visitas técnicas em alguns prédios públicos municipais para avaliar possibilidades de soluções sustentáveis e economicamente viáveis que possam reduzir os custos com energia elétrica no município.

Os estudos desenvolvidos pelo IDPE são acompanhados pela Comissão Especial do PMI formada por servidores da Sempi, das secretarias municipais do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog), do Desenvolvimento Econômico e Inovação (Semde) e da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb).

No primeiro dia, foram analisados alguns prédios de maior consumo, que são atendidos em média tensão. Já no segundo dia, a equipe verificou outras unidades, com o intuito de avaliar soluções mais complexas com alteração de cadastro do grupo de consumo e/ou possibilidades de implantação de micro-usinas de geração fotovoltaica.O diretor de Parcerias da Sempi, Marconi Cavalcanti, explicou que esse não é um projeto de construção ou compra de placas fotovoltaicas. 

“As energias renováveis não se resumem à implantação de placas fotovoltaicas. Há uma gama de equipamentos e possibilidades que podem ser exploradas, e é justamente nesse contexto que o projeto está inserido. O que estamos avaliando são as melhores alternativas de aquisição e utilização de energia para os equipamentos públicos municipais, sempre dentro de um contexto de sustentabilidade, beneficiando tanto os cofres públicos quanto o meio ambiente”, disse.

“Um sistema de geração fotovoltaica gera energia durante o período em que há incidência solar, e injeta na rede da concessionária de energia do local, que há tarifas para o uso da infraestrutura disponível, é o chamado TUSD Fio B. Dependendo das características de consumo do local pode não ser muito vantajoso só implantar uma usina fotovoltaica. Então é importantíssimo que sejam avaliadas diversas perspectivas para garantir as melhores vantagens ao município”, acrescentou. 

Cavalcanti também ressaltou que o IDPE está executando a fase de avaliação das possibilidades relacionadas ao modelo que poderá ser implementado no município. Segundo ele, as visitas técnicas realizadas até o momento não possuem caráter definitivo, mas integram uma das etapas dos estudos. A finalidade é criar um cenário de referência com base em diferentes tecnologias disponíveis. “Isso não significa que o modelo pesquisado será necessariamente o adotado, mas servirá como parâmetro para estruturar os custos e classificar a viabilidade de uma futura operação”.

O estudo leva em consideração fatores técnicos mais complexos relacionados ao consumo energético das unidades públicas, como os horários de maior demanda e as modalidades tarifárias aplicadas pela concessionária. O Instituto visitou diversos equipamentos do município, como unidades de saúde, hospitais, escolas e secretarias. 

Entre as alternativas exploradas está a implantação de BESS (Battery Energy Storage System), um tipo de bateria estacionária capaz de armazenar energia em horários de menor custo e disponibilizá-la nos períodos de maior demanda e tarifa mais alta. Desse modo, é possível promover uma compensação energética mais eficiente, reduzindo os custos operacionais do município ao otimizar o consumo nos horários de pico.
 
O consultor e engenheiro eletricista do IDPE, Rodolfo Bioazon, destacou positivamente as condições das unidades vistoriadas e o potencial de implementação das soluções energéticas estudadas. Segundo ele, as análises realizadas até o momento demonstram que os equipamentos públicos possuem características favoráveis para a adoção de tecnologias de armazenamento e gerenciamento inteligente de energia. 

“Estamos avaliando também a possibilidade do uso de BESS, que atualmente é uma das tecnologias mais modernas do mercado de energias, porque permite modular o uso da energia ao longo do dia conforme a necessidade de cada prédio”, afirmou.

Biazon pontuou, ainda, que boa parte das unidades observadas utiliza geradores a diesel como suporte energético e o modelo BESS pode até se tornar uma alternativa interessante que, em alguns casos, pode substituir esses equipamentos.

Segundo o consultor, os próximos passos incluem a criação e validação técnica do cenário proposto junto à Comissão de Estudos  da Prefeitura de Aracaju. “Agora iremos avançar na análise das expectativas de desconto, do retorno financeiro e do modelo de estruturação do projeto para uma futura concorrência. Também estamos avaliando os investimentos necessários para garantir o funcionamento do cenário nos equipamentos públicos”, concluiu.