Projeto Erguer: resultados das atividades da rede de Aracaju serão apresentados na Espanha

Educação
15/05/2026 23h24
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Os resultados positivos de importante projeto interdisciplinar pioneiro no Brasil, que é desenvolvido em escolas municipais de Aracaju da 6ª região, serão apresentados em Cádiz, na Espanha, de 27 a 30 de maio, durante a 25ª Reunião Anual da Sociedade Internacional Nutrição Comportamental e Atividade Física 2026. Na oportunidade, doutorandos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe (PPGCS/UFS) divulgarão as pesquisas elaboradas com foco no Projeto Erguer, cuja proposta é, por meio de intervenções como jogos educativos e dinâmicas corporais, proporcionar um melhor desempenho escolar dos alunos da rede de Aracaju com base no estímulo ao movimento. 

Por meio de parceria entre a UFS e a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria da Educação (Semed), as ações do Projeto Erguer são executadas desde 2018 nas unidades de ensino municipais. Houve uma pausa durante a pandemia, e as atividades foram retomadas em 2022. O projeto é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec).  

Atualmente, o Projeto Erguer acompanha 260 alunos do 5º ano da rede municipal - o monitoramento teve início em 2022 quando eles eram do 1º ano. As propostas pedagógicas estão sendo aplicadas em seis unidades de ensino: Escola Anísio Teixeira, Escola Arthur Bispo do Rosário, Escola José Conrado de Araújo, Escola Bebé Tiúba, Escola Presidente Juscelino Kubitschek e  Escola Professora Núbia Marques. Equipe da Secretaria da Educação, composta por estagiários e técnicos da Coordenadoria de Educação Física e Esporte Escolar (Coefesp) auxiliam na execução das ações nas unidades.  

O coordenador da Coefesp, Igor Souza, destacou a importância da parceria entre a universidade e a rede municipal de ensino. “Essa aproximação da universidade, por meio dos especialistas nas áreas de Psicologia, Educação Física e Pedagogia, é essencial porque fortalece as ações que a pasta vem implementando. Estamos no quinto ano de acompanhamento desse trabalho, e o projeto já reúne dados relevantes que podem também nos auxiliar a pensar e aprimorar as políticas públicas na Educação do Município”.  

Evento internacional


Na Espanha, com os estudos baseados no Projeto Erguer, os três pesquisadores vinculados ao programa de doutorado em Ciências da Saúde da UFS revelarão as evidências científicas obtidas em escolas de Aracaju. Eles representarão o Estado de Sergipe e a capital, difundindo informações acerca dos resultados da iniciativa para especialistas de todas as partes do mundo. “Essa será a nossa quarta experiência de disseminação internacional. Esse projeto tem dado uma visibilidade importante para a cidade de Aracaju, porque é pioneiro no contexto dos países de renda média baixa. Não existe um projeto com essa estrutura no Sul Global”, afirmou o coordenador do Projeto Erguer e professor do Departamento de Educação Física da UFS, Danilo Silva.  

A professora da rede municipal de Aracaju Larissa Gandarela também compõe o grupo de pesquisa que irá à Espanha. Ela apresentará no país europeu o estudo ‘Indicadores biopsicossociais de adolescentes participantes em programas esportivos estruturados comparados aos não participantes: uma análise de redes’. José Ywgne vai expor o trabalho intitulado ‘Aprendizado de Máquina Aplicado à Análise de Como Variáveis Multidimensionais Afetam o Desempenho Cognitivo em uma Intervenção de Atividade Física Escolar’. Já João Carlos Melo discutirá sobre a “Efetividade de três anos de intervenções de atividade física em sala de aula sobre funções executivas em escolares: um ensaio clínico randomizado por cluster”.  

Aplicação do projeto

O professor Danilo Silva explicou o objetivo de implementar a iniciativa nas escolas municipais. “A proposta é inserir movimento em sala de aula, trabalhar o conteúdo do dia a dia com a inserção do movimento. Dessa forma, acreditamos que as crianças sentem mais prazer em estudar e gostam mais. Além disso, partimos de pressupostos neurocognitivos, os quais apontam que as crianças em movimento têm um maior fluxo de sangue em regiões do cérebro que são associadas à aprendizagem e, assim, elas podem aprender melhor”, disse Danilo Silva.

Conforme o professor Danilo Silva, as ações ocorrem de duas formas. Uma delas, chamada “pausas ativas”, consiste na interrupção da aula por alguns minutos para que os alunos realizem exercícios físicos direcionados. Na outra, a partir de um contato prévio com professores das escolas municipais, os pesquisadores da UFS se informam acerca dos conteúdos programados para abordagem em sala de aula e montam a estratégia de atuação. Ela pode ser empregada através de jogos educativos ou digitais que promovam o movimento ou atividades físicas integradas a respostas relacionadas aos conteúdos de Língua Portuguesa e Matemática. Danilo Silva esclareceu que esse tipo de intervenção é denominada "lição fisicamente ativa" e citou como ocorre na prática educacional. 

“Em uma aula de Matemática, por exemplo, em que o aluno estaria sentado realizando operações, propomos que ele fique de pé e dê saltos para sinalizar o valor de uma soma. E, dessa maneira, ele passa a associar a aprendizagem ao movimento”, exemplificou Danilo Silva.  

Os resultados dessas práticas educativas, atreladas a outras metodologias de intervenção e ao uso de aparelhos para medir o nível de sedentarismo dos estudantes, têm demonstrado êxito. A aplicação de testes cognitivos, conforme Danilo Silva, seguem indicando isso. Essas avaliações são elaboradas sob a liderança do professor Julian Tejada, do Departamento de Psicologia da UFS. “Constatamos os avanços dos alunos ao longo do acompanhamento nesses cinco anos. Essas crianças fazem testes periódicos das funções cognitivas, que têm muita associação à aprendizagem. E o que nós temos percebido é que com as intervenções do Projeto Erguer elas têm avançado”, mencionou Danilo Silva.  

Darkson Kleber, professor da Escola José Conrado de Araújo, contou que os efeitos favoráveis ao desenvolvimento das crianças também são percebidos no ambiente escolar. “No pós-pandemia, eu recebi uma turma em que alunos tinham muita dificuldade de aprendizagem, além dos desafios com os neurodivergentes. Havia muitos alunos autistas, e a dinâmica com eles, por meio do projeto, facilitou bastante. Eles conseguiram avançar muito a partir dessas atividades que incentivam o movimento”, afirmou Darkson Kleber.