Natural da Paraíba, Flávio José construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura nordestina e pela defesa do autêntico forró. Influenciado por referências como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Trio Nordestino, o cantor e compositor consolidou-se como um dos principais nomes da música regional brasileira, reunindo um repertório que atravessa gerações.
Canções como 'Espumas ao Vento', 'Tareco e Mariola', 'A Natureza das Coisas' e 'Caboclo Sonhador' tornaram-se parte da memória afetiva de muitos nordestinos. Ao falar sobre a presença constante de jovens em seus shows, Flávio José atribui essa aproximação à transmissão cultural dentro das famílias. Para ele, a memória afetiva tem papel fundamental na renovação de seu público.
“Eu sempre digo que os jovens acompanham o meu trabalho muito mais pela memória afetiva. Muitos chegam para mim e dizem: ‘Meu pai fazia um churrasco e só tocava Flávio José’, ou ‘quando a gente viajava de carro, tinha que tocar Flávio José’. Então, isso é o que vem mantendo os jovens acompanhando o meu trabalho”, afirmou.
Uma relação construída com Aracaju
A relação de Flávio José com Aracaju se entrelaça com a própria história do Forró Caju. Em 1993, o artista integrou a programação inaugural da festa ao lado de nomes como Elba Ramalho, participando de um momento que ajudou a transformar o evento em uma das maiores celebrações juninas do Nordeste.
Desde então, manteve uma presença constante na capital sergipana, construindo ao longo de mais de três décadas uma forte identificação com o público aracajuano e com as tradições culturais da cidade. Ao recordar os primeiros anos do Forró Caju, o cantor destaca a participação popular que marcava as noites de São João. “Lembranças maravilhosas. Era um São João um pouco diferente, com muita participação do público, aquela massa na praça. Tenho muitas lembranças boas aqui de Aracaju”, recordou.
Essa trajetória de proximidade e afeto ganhou um novo capítulo em maio deste ano, quando Flávio José recebeu o título de cidadão aracajuano durante a abertura do XIX Fórum do Forró, promovido pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult). A homenagem celebrou não apenas a relevância de sua obra para a música nordestina, mas também a relação construída com o público aracajuano ao longo de décadas.
Não por acaso, o artista foi o grande homenageado da edição, que teve como tema “Cancioneiro da Resistência: a obra de Flávio José como pilar do forró tradicional nordestino”. O fórum propôs uma reflexão sobre o legado de um dos mais importantes representantes da cultura popular brasileira, cuja trajetória ajudou a preservar, difundir e fortalecer a essência do forró em meio às transformações do cenário musical contemporâneo.
Para o artista, iniciativas como essa representam o reconhecimento daqueles que dedicam a vida à preservação da cultura popular nordestina. “Isso é prestigiar aqueles que também fazem a sua parte em defesa da cultura e das tradições nordestinas. Fiquei muito feliz e orgulhoso com essa linda homenagem”, afirmou.
A defesa da cultura nordestina
Ao longo da carreira, Flávio José também se tornou uma voz ativa na defesa dos artistas ligados ao forró tradicional. Durante a entrevista, chamou atenção para os desafios enfrentados por muitos músicos que encontram dificuldades para acessar espaços de divulgação e programação cultural.
Segundo ele, iniciativas que valorizam os artistas locais, como ocorre historicamente em Aracaju, são fundamentais para a manutenção da identidade cultural nordestina. “Eu sei que Aracaju sempre prestigiou os artistas da terra. Mas existem muitos talentos que acabam desistindo por falta de apoio e de oportunidades”, observou.
O cantor também ressaltou a importância da união entre os artistas da região, citando o projeto recente desenvolvido ao lado de Targino Gondim e Santana, o 'Cantador'.“É muito importante a gente se unir e somar. Se cada um ficar isolado, tudo fica mais difícil. Esse projeto está tendo uma aceitação muito boa e pode servir de exemplo para outros artistas”, afirmou.
Aos 75 anos, Flávio José segue encarando o forró não apenas como profissão, mas como legado. E é justamente ao recordar os artistas que o inspiraram que ele resume o compromisso que mantém há décadas com a cultura nordestina. “Enquanto eu puder estar por aqui, vou sempre defender a cultura e as tradições. Eu venho da escola de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Trio Nordestino”, declarou.
Encontro marcado no 'Forró Caju'
Mantendo viva essa trajetória de valorização da cultura popular, Flávio José será uma das atrações do Forró Caju nos nairros. O cantor sobe ao palco nesta sexta-feira, 5, na Praça Acrísio Garcez, levando ao público um repertório que há décadas embala os festejos juninos em todo o Nordeste.
Programação completa desta sexta, 5
19h – Sergival
20h30 – Sérgio Lucas
22h – Flávio José
23h30 – Adelmário Coelho
1h – Targino Gondim