Prefeitura realiza ciclo de palestras do Agosto Lilás no Cras Jardim Esperança

Família e Assistência Social
14/08/2026 16h15
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Mês de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, o Agosto Lilás estimula ações de conscientização, prevenção e acolhimento às vítimas em todo o país. Na tarde de quinta-feira, 13, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), promoveu uma palestra sobre o tema com idosos atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Jardim Esperança.

Ministrada pela enfermeira generalista Mônica Oliveira, a atividade abordou as diferentes formas de violência contra a mulher e reforçou a importância da informação para a identificação de situações de violência e para o acesso à rede de proteção. Segundo a profissional, a violência doméstica não está restrita a uma faixa etária ou a um determinado perfil de mulher.

“A violência contra a mulher não está inserida apenas em uma demografia específica, ela atinge todas as mulheres. Sofrer violência doméstica dentro da própria estrutura familiar é algo que acontece historicamente, desde o século passado, não é algo que começou agora”, afirmou.

Ainda segundo Mônica, ampliar essa discussão contribui não apenas para a identificação de situações de risco no círculo social das mulheres, mas também para que elas possam reconhecer situações de violência que vivenciaram ou ainda vivenciam e, a partir disso, buscar apoio na rede de proteção.

“Hoje em dia, como foi relatado, essa violência não só atinge a mulher diretamente, como também pessoas próximas, que ela ama, como suas filhas e filhos. Então é importante falarmos sobre isso aqui, porque muitas dessas senhoras que participam do grupo da terceira idade já sofreram com isso a vida inteira, passaram por certas violências e, muitas das vezes, não tinham o entendimento do que estavam vivendo. Nunca é tarde para a gente entender o que está passando, a dor que estamos sentindo, e procurar ajuda para nos permitir viver”, explicou a enfermeira.

Para a participante Maria do Socorro dos Santos Silva, conhecida como Dona Socorro, a palestra proporcionou um espaço de escuta e acolhimento, permitindo que ela compartilhasse experiências de sua trajetória.

“Se fosse sempre assim, com todas as mulheres, não teríamos tantas mortes quanto temos. Tem gente que trata a vida da mulher como se não valesse nada. Eu passei quase cinquenta anos casada e só há três estou vivendo, o resto foi sobrevivendo”, comentou.

Com duas filhas também passando por separações conturbadas, Dona Socorro relata que a preocupação com a família ainda faz parte de sua rotina e reforça a importância de iniciativas de conscientização.

“Essa palestra deveria acontecer todos os meses, ajuda muito a nós mulheres. Eu já passei por isso, e ainda tenho minhas filhas, minhas netas, minhas vizinhas… tem o mundo todo para me preocupar.”

Agosto Lilás

Neste ano, além de promover ações de conscientização sobre as diferentes formas de violência contra a mulher e os direitos das vítimas, o Agosto Lilás também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que estabeleceu mecanismos para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Para a coordenadora do Cras Jardim Esperança, Ana Lúcia Araújo Leal, ampliar o acesso à informação e discutir as diferentes manifestações da violência são ações que fortalecem a rede de proteção e contribuem para o enfrentamento desse tipo de violação de direitos.

“Não é só falar sobre violência, mas falar sobre respeito, acolhimento, prevenção e informação. Nenhuma mulher deve se sentir sozinha, e nós do Cras estamos aqui justamente para fortalecer e lembrar que pedir ajuda é um ato de coragem”, afirmou.

A palestra integra um ciclo de ações de conscientização sobre o Agosto Lilás, direcionadas aos diversos públicos atendidos pelo Cras Jardim Esperança. A programação está em sua segunda semana e contempla atividades voltadas à prevenção da violência e à disseminação de informações sobre a rede de proteção.

Canais de atendimento

Em situações de emergência, como casos de violência ou agressão que demandem intervenção imediata, a orientação é acionar o telefone 190, da Polícia Militar.

O telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, oferece orientações sobre direitos, serviços da rede de atendimento e canais para registro e encaminhamento de denúncias.

Em Sergipe, o Disque-Denúncia, pelo telefone 181, também pode ser acionado para o registro de denúncias.

Pelo telefone 0800 729 3534, opção 3, o Serviço de Atendimento Psicossocial (SAPS) oferece acolhimento inicial.

O Centro de Referência e Atendimento à Mulher (Cram) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) também integram a rede de atendimento e estão disponíveis para acolhimento e orientação.