Agosto Lilás: Prefeitura promove encontro de acolhimento e conscientização para servidoras

Serviços Urbanos
21/08/2026 14h00
Início > Noticias > 119008

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), promoveu nesta quinta-feira, 20, um momento de acolhimento, lazer e integração entre servidoras, em alusão ao Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. A ação foi realizada pelo órgão responsável pela criação da primeira Coordenadoria da Mulher, com apoio da Escola de Governo e Administração de Aracaju (Esgap) e da Secretaria de Gestão de Pessoas (Segesp).

Realizado na área verde do Parque da Sementeira, o encontro teve como tema “Quebre o silêncio, não a si mesma” e reuniu servidoras em uma programação voltada à conscientização, ao fortalecimento e à valorização das mulheres. A proposta foi trabalhar três pilares: consciência para reconhecer, dignidade para se posicionar e coragem para romper. A ação faz parte das iniciativas de conscientização relacionadas ao Agosto Lilás, instituído nacionalmente pela Lei Federal nº 14.448/2022 como mês de proteção à mulher e de conscientização para o fim da violência contra a mulher.

Segundo a coordenadora do Núcleo, Tâmara Noronha, a escolha do tema busca estimular a reflexão e fortalecer as servidoras para que possam reconhecer situações de violência, compreender seus direitos e encontrar caminhos para romper ciclos de silêncio e violência. Ela também destacou a importância de levar informação e mostrar às servidoras que podem contar com uma rede de apoio. “A intenção dessa ação hoje é realmente levar informação. É demonstrar apoio, é mostrar que elas têm uma rede de apoio no município, onde podem procurar ajuda, e que elas saibam que têm voz, que são ouvidas e que serão atendidas com muito cuidado, carinho e respeito”, explicou a coordenadora.

Durante a roda de conversa, a psicanalista Amélia Marinho abordou questões relacionadas à identidade feminina e à autonomia, destacando a necessidade do autoconhecimento e da valorização da mulher. A conversa também tratou de situações que podem ajudar a mulher a identificar diferentes formas de violência presentes nas relações e da importância de estar atenta aos próprios sentimentos e comportamentos. “Se ela ainda está naquele lugar, se ela ainda está naquele relacionamento, ela precisa ter consciência de que tem um papel ali dentro. E, quando ela se cala, é hora de prestar atenção se tem alguma coisa que precisa de ajuste”, pontuou.

A psicanalista também chamou atenção para comportamentos que podem ser romantizados no cotidiano, mas que podem representar o início de um ciclo de violência, como o ciúme excessivo e o isolamento.
 
“O excesso de ciúmes, para muitas mulheres, é tido como ‘ele me ama’, mas, na verdade, pode já ser um sinal de controle. Outra coisa que também pode acontecer é o isolamento. Essa mulher se isola dos amigos, acha que está sendo exclusiva para alguém, e esse comportamento também é romantizado”, explicou.

Outro ponto abordado durante a conversa foi o chamado “tratamento do silêncio”. Segundo Amélia Marinho, a prática pode ultrapassar o direito de cada pessoa de ter seu próprio espaço e se transformar em uma forma de violência.
 
“É considerado, sim, uma violência porque é difícil de identificar. Parece que é apenas dar um tempo que o outro precisa e, a partir daí, inicia-se esse tipo de comportamento. O parceiro entra no tratamento do silêncio pedindo espaço, mas existe um limite muito tênue entre o que é o direito do outro de ter espaço e o que é ignorar a presença do outro. É isso que é violento, é isso que é preocupante e é isso que também é romantizado muitas vezes, porque a mulher entende que não é uma violência, mas que é só o espaço que o outro precisa para dar um tempo para resolver a situação. Muitas vezes, não é. Já é um ciclo de violência que se iniciou”, alertou.

Entre as servidoras participantes, Alcilene Brito contou que a conversa provocou uma reflexão sobre autoestima e valorização pessoal. “Eu saí diferente. A minha percepção foi que eu tenho valor. Meu valor não está no outro, está em mim. Eu não preciso encontrar meu valor em outra pessoa. Então, hoje, eu saí diferente dessa palestra, saí bem, saí outra pessoa”, relatou.

Para dinamizar o encontro e proporcionar um momento de aprendizado, integração e descontração, a programação também contou com aula de defesa pessoal e dança, além de lanche e distribuição de brindes às servidoras.

Saiba como denunciar

Um dos passos importantes é que qualquer pessoa pode denunciar casos de violência contra a mulher pelo telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, e pelo 181, Disque-Denúncia estadual. Além disso, existem outros canais, como o Disque-Denúncia da Polícia Civil e o 153 da Guarda Municipal de Aracaju.

Em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo naquele momento, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190.