A sétima edição do Projeto Verão foi palco para grandes nomes da música brasileira. Um deles foi Paulinho da Viola, que concedeu uma entrevista à Agência Aracaju de Notícias (AAN) no Delmar Hotel, regada a muita descontração, revelações e informalidade. Paulinho da Viola gosta muito de ler e ouvir música. Apesar de ser muito caseiro, adora passear com os amigos e jogar conversa fora.
A obra de Paulinho já foi tema central de livros, teses acadêmicas e um documentário realizado pela Vídeofilmes, dirigido por Isabel Jaguaribe, com roteiro de Zuenir Ventura. Filho do músico e violinista César Faria, Paulinho nasceu no dia 12 de novembro de 1942, no Rio de Janeiro.
Música genuinamente brasileira, samba de raiz, divinas composições, voz marcante, tranqüilidade, simplicidade e humildade marcam a sua peculiar sonoridade e perfil de um homem e cantor, sobretudo, popular e de excelente qualidade.
Agência Aracaju de Notícias (AAN) - Como foi fazer o primeiro DVD da sua carreia? Foi um pedido dos fãs ou uma realização profissional? Você compartilhava com a mesma idéia de resistência do cantor e compositor Erasmo Carlos.
Paulinho da Viola - Quando recebi o convite para a realização desse DVD, estava na verdade me preparando para um CD, que já estava com as músicas prontas, mas enfrentava um problema. Já de algum tempo, todas as vezes que me preparava para fazer o DVD, o quê se mais ouvia era que os CD´s iam acabar, as gravadoras estavam numa crise irreversível, tudo podia ser baixado pela internet. Com essas notícias cada vez mais assustadoras, eu fui adiando o projeto. Então, quando recebi este convite já estava me preparando, pensando e conversando com todas as produtoras e gravadoras, chegando à conclusão de que pudesse ser uma oportunidade boa, porque primeiro você tem que fazer um número em torno de 15 músicas, geralmente, com os seus maiores sucessos. No meu DVD não fiz isso e incluí algumas músicas desconhecidas do público porque eu gostava muito, que já tinham sido gravadas por outros intérpretes. Cinco ou seis músicas poderiam ser inéditas ou gravações inéditas. Então achei que a idéia era boa, inclusive, para ter a chance de saber como andava este mercado e a resposta do público perante o trabalho. Por isso, resolvi optar pelo Acústico MTV que foi uma enorme satisfação pelo trabalho, divulgação, mixagem, qualidade do som, cenário, tudo foi feito com o maior carinho. Já fizemos alguns shows baseados nesse espetáculo com muito sucesso, repercussão e receptividade.
AAN - Como foi ser participar do Documentário `Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje´, lançado em 2003?
PV - Acho que ali tem uma síntese boa de coisas que eu vivi e experimentei, influências que foram muito importantes no meu trabalho e na minha vida, como os amigos e as pessoas que eu conheci. Eu estava muito apreensivo no começo por não ter feito aquilo antes. Depois, quando estava pronto, fiquei mais ainda, porque me vi de uma maneira que eu não conhecia, fazendo coisas que normalmente não faço, esse foi o momento mais estranho, como por exemplo, questionar: eu ando assim? Mas foi uma experiência maravilhosa. Foi ótimo ter gravado com a Isabel Jaguaribe, o Zuenir Ventura que fez o roteiro, toda a equipe e participantes.
AAN - Fale um pouco do repertório do show que está apresentado.
PV - O repertório tem muito de músicas conhecidas, outras não. Sucessos da minha carreira, como por exemplo, `Pecado Capital´, `Sinal Fechado´, `Dança da Solidão´, `Foi um Rio que passou em Minha Vida´, esta última é a minha música de maior sucesso. Tem também inéditas gravadas em função do DVD, como o samba chamado `Talismã´, parceria minha com o Arnaldo Antunes. Então foram 15 músicas de sucesso já gravadas e outras cinco ou seis inéditas.
AAN- Qual a mensagem que você deixa aos organizadores do projeto e ao público sergipano?
PV - Já tinha um tempo que eu não vinha a Aracaju. Deixo um grande abraço e desejo que todos nós, não só o povo de Sergipe, mas todo o povo brasileiro vá encontrando o seu caminho, pra gente sair da situação na qual nos encontramos, apesar de já termos melhorado. A gente vem melhorando há algum tempo, mas acho que eventos culturais são coisas muito importantes. Já tive a oportunidade de estar aqui nos encontros culturais de Laranjeiras, depois em São Cristóvão, sendo uma experiência maravilhosa. Então, para mim é maravilhoso e espero que continuem esses projetos, porque isso nos aproxima mais e nos revela mais ao público.
AAN - Agora vamos conhecer um pouco mais de Paulinho da Viola.
Rio de Janeiro - É a cidade mais linda que existe na face da Terra.
Música - Um bom choro de Pixinguinha.
Vida - A vida é tudo: é o ar, é a alegria, é a tristeza, é o sol, é a chuva, tudo é vida.
Sonho - Meu sonho é um sonho de paz e harmonia, isso é o que eu mais penso, principalmente, em um mundo tão conturbado quanto este.
Ídolo - Pixinguinha.
Amor - Eu costumo dizer uma frase que eu ouvi de uma senhora que olhou bem nos meus olhos e me disse quando eu ainda era garoto: "Sem amor tudo seca".
Fama - A fama é uma coisa perigosa, porque desperta muita coisa: muitas vezes a idéia é de um poder que a pessoa não tem. As pessoas tendem a confundir fama com poder e aí pensam que podem tudo, normalmente, coisas que não se pode fazer. Por isso, quando ouço a palavra famoso, eu fico um pouco assustado.
Samba - O samba é uma coisa indefinível. Uma vez perguntaram a Pixinguinha o que é o choro? Ele respondeu: É uma coisa sacudida e gostosa. Eu gostaria de dar essa resposta a você em relação ao samba, mas é uma coisa que sacode e é gostosa.