Edvaldo Nogueira prestigia oficina do projeto ‘Cuidando do Cuidador'

Saúde
04/03/2008 19h13
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Preparar os profissionais que lidam diariamente com o sofrimento humano para qualificar cada vez mais a rede de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Esse é o objetivo do projeto ‘Cuidando do Cuidador', que começa a ser implementado pela Prefeitura de Aracaju a partir da sensibilização e da motivação de 100 gerentes e coordenadores das unidades da SMS baseadas nos princípios da terapia comunitária: tratamento reconhecido esse ano como política pública do Ministério da Saúde, que está capacitando milhares de pessoas em todo o país para atuar nas comunidades onde vivem.

Durante todo o dia de hoje, terça-feira, o grupo participou de oficinas incluindo palestras, vivências e técnicas de relaxamento no Retiro Espiritual da Santíssima Trindade, localizado no povoado Areia Branca, Zona de Expansão da cidade, sob a supervisão do professor de graduação e pós-graduação de Medicina Social da Universidade Federal do Ceará, Adalberto Barreto, coordenador do Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (Mismec) e do Centro de Estudos da Família. Amanhã cerca de 40 terapeutas que integram a rede municipal serão resgatados e integrados ao projeto como agentes multiplicadores em suas unidades.

O prefeito Edvaldo Nogueira prestigiou esse momento de integração e deixou uma mensagem de entusiasmo e otimismo para os participantes. "Queremos preparar as equipes da saúde para cuidar melhor das pessoas que procuram atendimento médico na rede pública. É muito importante que esses profissionais estejam preparados, possam conhecer as terapias alternativas e desenvolver mecanismos para que o estresse do dia-a-dia não inviabilize a ação cotidiana. Por isso, nosso esforço é no sentido de oferecer todas as condições necessárias para compreender as necessidades do cidadão e oferecer um atendimento de qualidade", avaliou.

Edvaldo Nogueira afirmou que o atendimento humanizado é um dos princípios básicos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e alcançar a cura das doenças. "Não acredito no atendimento de saúde que não seja humanizado. Quem mecaniza demais acaba correndo o risco de reduzir as pessoas a números, a estatísticas. O paciente precisa ser compreendido em toda sua complexidade, com seus problemas e características. Para isso é preciso treinamento, tanto científico quanto psicológico e emocional. Essas formas alternativas de tratamento são importantes para ajudar nossos profissionais prestar um serviço cada vez melhor", defendeu.

Integração

A atividade começou com a palestra ´Terapia Comunitária: integrando saberes e ampliando as redes solidárias na prevenção de saúde´, momento em que o professor Adalberto Barreto defendeu que as políticas de promoção da saúde precisam agregar outros valores e saberes que muitas vezes estão na própria comunidade. "A universidade não tem a hegemonia da produção do conhecimento porque a experiência de vida também produz conhecimento. É preciso valorizar o saber que vem da academia, sem deixar de aproveitar o potencial das rezadeiras, curandeiras e raizeiras. Juntos, podemos encontrar as soluções", explicou.

Depois da sensibilização, o professor exibiu o vídeo ´Ocas de Saúde Comunitária´ - uma experiência da Prefeitura de Fortaleza (CE) em que pessoas da comunidade são treinadas para atuar como massoterapeutas usando pedras mornas, banho de ervas e saberes populares na busca da redução do sofrimento. "Muitas vezes os pacientes não precisam de remédio, mas querem apenas ser acolhidos através de uma massagem, uma conversa ou uma terapia. A tendência da nossa sociedade é medicalizar o sofrimento". O encerramento incluiu a realização de uma experiência de terapia comunitária, seguida de técnicas de relaxamento.

Para o secretário de Saúde, Marcos Ramos, o projeto ´Cuidando do Cuidador´ exerce um papel decisivo na integração e na motivação dos profissionais que atuam diariamente nos hospitais, postos e sobretudo nas Unidades de Saúde da Família. "Essa é uma demonstração de que a secretaria também se preocupa com a sua gente, estimulada a construir uma nova visão para tratar as questões de saúde. As oficinas e palestras apresentadas por esse especialista renomado constituem uma oportunidade única de fomentar reflexões e avanços importantes não só no atendimento à rede de atenção básica, como em todas as áreas", comentou.

Estímulo

A mensagem foi compreendida pelos participantes, que se sentiram estimulados a apoiar outras formas de conhecimento, atuar de forma mais coletiva e buscar o suporte emocional necessário para os desafios cotidianos. "Foi uma experiência proveitosa porque nos fez refletir do ponto de vista das relações humanas e profissionais e, principalmente, valorizar o outro", afirmou a coordenadora do Núcleo de Planejamento da SMS, Ana Carolina Álvares Lavigne de Lemos. "Não há como mensurar a importância desse momento. O servidor teve a oportunidade de se interessar, se conhecer e passar a compreender melhor quem está ao seu redor", opinou a apoiadora do Centro de Educação Permanente da Saúde (Coeps), Nadiege Reis Gois.

A gerente da Unidade Básica Humberto Mourão, no bairro São Conrado, Sílvia Simone Guimarães, considerou a atividade enriquecedora e ficou satisfeita ao perceber que o trabalho que vem sendo desenvolvido está surtindo efeito. "Fico feliz em saber, através de uma pessoa de renome, que estamos fazendo algo que dá resultado. No atendimento a hipertensos e diabéticos, que no cotidiano resistiam em adotar hábitos de vida mais saudáveis, criamos o grupo do fuxico, que trata da doença por meio de um bate-papo. A fala de um compreende a experiência do outro e ajuda a acabar com resistências e mudar práticas", comemora.

O projeto é uma parceria do Programa de Saúde do Trabalhador e do Coeps, com o apoio da SMS. Essa é a segunda vez que ocorrem atividades baseadas na terapia comunitária e com a participação de facilitadores especializados. O primeiro momento aconteceu no auditório do Celi Praia Hotel, na Orla de Atalaia, em fevereiro de 2008, mas oficinas semelhantes serão realizadas ao longo desse ano com a participação do professor Adalberto Barreto. A meta é formar a médio prazo agentes multiplicadores comprometidos com uma saúde mais humanizada e a melhoria da qualidade de vida do cidadão. "O primeiro passo é resgatar a auto-estima dos servidores", lembrou a coordenadora do Programa de Saúde do Trabalhador, Tânia Cristina Prado Correia Figueiredo.