Carnaval da Rede de Atenção Psicossocial leva alegria ao bairro Atalaia

Saúde
19/02/2009 19h17
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A tarde desta quinta-feira que antecede o carnaval foi especial para dezenas de pacientes com transtorno mental, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (Reap) da Prefeitura de Aracaju. Antecipando o clima de folia, o bloco ‘E quem é doido?' tomou as ruas do bairro Atalaia e espalhou alegria por onde passou. Pessoas assistidas pelos seis Centro de Atenção Psicossocial (Caps) partiram da praça Durval Andrade, para onde retornaram após percorrerem as ruas da localidade.

No mês que antecedeu a festa, os Caps aproveitaram para se mobilizar e realizar dezenas de oficinas com o tema ‘Carnaval' . Dentre as oficinas mais proveitosas estiveram as de confecções de fantasias, máscaras, camisas, chapéus e adornos  exibidos com orgulho pelos foliões durante todo o trajeto. Para a coordenadora da Reap, Simone Barbosa, a iniciativa de colocar o bloco na rua se configura como uma vitória da inserção social.

"Estamos aqui hoje celebrando a concretização e a sustentabilidade do nosso modelo da Reap/Aju. Cada vez mais, o tema da saúde mental está em pauta e sendo discutido pela população, que tem mudado sua a mentalidade e desconstruido preconceitos", afirma.

Ainda de acordo com Simone, ações que podem parecer simples para a maioria se configura como grande vitória para os pacientes de transtornos mentais. "Nestes momentos, estas pessoas se sentem apreciadas e ativas. Por exemplo, hoje nós tivemos concurso de fantasias, escolha do Rei Momo e da Rainha do Carnaval, como forma de valorizar o trabalho deles", aponta.

Preconceito

Até pouco tempo, o tratamento indicado para pacientes vítimas transtornos mentais era a hospitalização. Com a difusão dos movimentos antimanicomiais, a reinserção e a adaptação destas pessoas passaram a ser adotadas como padrão pelos governos, visando garantir a qualidade de vida de familiares e pacientes.

"Antes não haviam políticas públicas voltadas para eles, e hoje nós temos um modelo que já dá respostas resolutivas a respeito disso. Os pacientes recebem um tratamento adequado, e nós podemos estar todos juntos celebrando a alegria e respeito as nossas diferenças", comemora a coordenadora.

‘E quem é doido?'

O bloco foi criado durante assembléias dos usuários dos seis Caps de Aracaju e já faz parte do calendário de atividades da Secretaria Municipais de Saúde (SMS). Para Simone, o nome do bloco chama os cidadãos à reflexão "E no carnaval quem não é doido?. A brincadeira é um jeito de mostrar que podemos conviver todos juntos com muita alegria'", afirma.

Rita de Cássia Carvalho, que ministra aulas de oficinas manuais há quatro anos e no momento leciona no Caps infantil, no bairro Suissa, relata que em momentos como esse todo o trabalho vale à pena. "Nós acompanhamos o desenvolvimento deles e nos alegramos com a alegria deles a partir deste reconhecimento", falou.

Paulo Henrique dos Santos já participa das atividades do Caps do bairro Atalaia há um ano e conta que é a primeira vez que sai no bloco pré-carnavalesco. "Fui eu mesmo quem fez esta fantasia e este enfeite de cabeça. Estou gostando e me divertindo muito com os meus amigos.", relata.