Blocos animam terça-feira de carnaval nas ruas de Aracaju

Funcaju
25/02/2009 15h41
Início > Notícias > Blocos animam terça-feira de carnaval nas ruas de Aracaju

Não importa o bairro. A folia de momo se fez presente nas ruas e avenidas da cidade através dos desfiles dos blocos carnavalescos dos mais diferentes gêneros e estilos.  Durante a terça-feira de carnaval, 11 blocos levaram animação, frevo e folia por onde desfilavam, mantendo a tradição dos antigos carnavais de rua, que no passado fizeram história e hoje, com o apoio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes da Prefeitura de Aracaju (Funcaju), estão sendo resgatados, para a alegria geral de quem viveu aquela época e também para as novas gerações.  

Unidos do Bomfim

Um dos blocos de carnaval mais antigos de Aracaju, o Unidos do Bonfim há 46 anos mantém a tradição de desfilar pelas ruas do bairro Getúlio Vargas. Na tarde da última terça-feira foliões devidamente uniformizados se reuniram em cortejo pelas ruas Divina Pastora, São Cristóvão, Laranjeiras, Maruin, Estância e adjacências, onde o frevo ditava as ordens e a animação era a palavra de ordem.

A professora aposentada Marli Rezende, 56 anos, afirmou ter ficado profundamente feliz em ver que o verdadeiro carnaval de rua está sendo resgatado. "Quando adolescente me arrumava e desfilava nos blocos. Durante um certo tempo eles deixaram de desfilar e de alguns anos para cá estão voltando com força total", declara.

Ela acrescenta que o retorno dos cortejos de blocos pelas ruas é uma tradição que não pode mais se perder. "Cada bairro deveria manter de forma constante o resgate de seu bloco. Eu, por exemplo, me sinto realizada em ver diversos ex-alunos estarem acompanhando o desfile do Unidos do Bonfim", disse emocionada a professora, enquanto respondia aos acenos dos conhecidos que desfilavam no bloco.    

Quilombo

As principais avenidas do bairro Santo Antonio tornaram-se pequenas para as centenas de pessoas que acompanhavam o desfile do bloco afro Quilombo. Fundado há 23 anos, nas imediações da caixa d'água, o bloco de raízes negras e que celebra a cultura afro há cinco anos foi resgatado para manter a tradição de desfilar pelas ruas do Santo Antonio, nos principais dias do carnaval. Segundo a fundadora, Lígia Borges, o Quilombo nada mais é do que a própria resistência. "Somos resistentes à preservação das nossas origens e da nossa cultura. Primamos pela nossa arte com fé e competência", destaca.

O bloco, que a cada ano leva para as avenidas um tema diferente, escolheu em 2009 prestar uma homenagem a Exu, o orixá dos caminhos. "Exu é o dono dos caminhos, das estradas, do ouro e da prosperidade. Decidimos reverenciá-lo para que ele possa guiar essa multidão de pessoas perdidas que vemos nos dias de hoje", ressalta Lígia.

Com uma saudação ao orixá, em que pediu a paz de Olorum, soltou pombas brancas e jogou folhas para a multidão. A religiosa deu início ao cortejo entoando canções afro e uma multidão acompanhou o bloco pelas avenidas do bairro Santo Antonio.

Técnico em enfermagem e freqüentador de outro bloco afro, Leonaldo Santos diz que faz questão de prestigiar a apresentação do Quilombo. "É muito importante valorizar esse tipo de manifestação, pois a cultura afro tem de manter resistência. Devemos aproveitar a democracia que o carnaval oferece e tentar buscar o espaço que merecemos. O negro, a cultura afro e o homossexual têm os mesmos direitos e merece o respeito dos demais", enfatiza.  

Guiado pela voz do Nenê e pela percurssão da Banda Quilombo, o bloco arrastou multidões e contagiou moradores do bairro, que saíram às portas das casas e fotografavam o cortejo. O desfile foi encerrado no bairro industrial.