Município intensifica combate à Aids entre mulheres

Saúde
20/05/2009 09h42
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Desde a década de 80, quando foi descoberto, o Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) é uma questão preocupante para as autoridades de todo o mundo. No Brasil, o número de casos de pacientes soropositivos - portadores do vírus - vem aumentando, principalmente, entre a população feminina.

Na década de 90, em Aracaju, a proporção era de uma mulher soropositivo para 23 homens. Em 2007, essa diferença diminuiu de forma notável: uma mulher para dois homens portadores do HIV. Para combater esse índice, a Prefeitura de Aracaju (PMA), através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), realiza ações constantes do Plano Municipal de Enfrentamento à Feminização da Aids.

O plano foi lançado nacionalmente em 2006, e adaptado ao município de Aracaju em 2008, somando-se aos demais projetos do programa Saúde da Mulher da SMS. Frequentemente são realizados cursos, palestras e diversas atividades, buscando orientar a população feminina - especialmente a quem tem pouco acesso a informação - sobre os riscos da doença.

Uma das principais ações é a conscientização sobre como prevenir a transmissão do vírus HIV. As equipes, que contam com cerca de 12 profissionais de saúde, alertam as mulheres para a importância do preservativo durante as relações sexuais, e mostram como o preconceito ainda é um dos pontos mais negativos no combate à Aids.

A coordenadora do programa Saúde da Mulher, Cristiani Ludmila, conta que muitas mulheres ainda se sentem constrangidas em questionar o assunto, e muitas vezes não encontram essa liberdade nem com os profissionais. "As mulheres ainda têm vergonha de falar nisso, e os próprios médicos também evitam falar em Aids. Acham que, ao oferecer o teste do HIV, podem estar ofendendo a paciente", conta.

Além das ações junto a movimentos sociais e associações de moradores de bairros como Santa Maria, Coqueiral, Bugio e Coroa do Meio, a prefeitura também atinge o presídio feminino, garantindo a cidadania das detentas através do direito à informação. As casas noturnas são outro espaço considerado vulnerável e, por isso, contam com a intensificação das atividades das equipes.

Segundo Cristiani Ludmila, a intenção é aproximar o serviço de saúde desse público específico. "As profissionais do sexo muitas vezes se sentem intimidadas pela profissão em procurar auxílio e informação. Por isso, nós é que vamos até elas para levar orientações e apoio", explica.

Novos projetos

Para o segundo semestre deste ano, a SMS planeja ampliar as ações de conscientização, atendendo a novas demandas que vem surgindo ao longo dos anos. De acordo com dados levantados pelos boletins da Secretaria de Saúde, um público que merece atenção redobrada são as adolescentes.

Com o início da vida sexual cada vez mais precoce, o número de jovens entre 13 e 20 anos portadoras do vírus HIV tem aumentado. O objetivo é que o Plano de Enfrentamento à Feminização da Aids chegue até as escolas, levando palestras específicas para o público jovem, a fim de começar a prevenção e combate à doença desde cedo.

Tratamento

Embora ainda não exista cura para o vírus HIV, os avanços da Medicina já disponibilizam diversos medicamentos para retardar o desenvolvimento da Aids. "Existem pacientes que vivem normalmente com o vírus por 15, 20 anos, sem apresentar nenhum sintoma da doença, basta manter o tratamento correto", esclarece Cristiani.

O Centro de Especialidades Médicas (Cemar) da SMS, no bairro Siqueira Campos, é o único local em Sergipe que fornece gratuitamente o ‘coquetel' - como é chamado o conjunto de remédios que o portador do vírus precisa tomar - que, em geral, tem um valor muito elevado. Além disso, o Cemar também disponibiliza a qualquer cidadão o teste para o vírus HIV, através do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).

A amostra de sangue coletada é encaminhada para análise e, dentro de 15 dias, o resultado aponta se há a presença do vírus, além de diagnosticar também doenças como sífilis e hepatite. "Quanto mais cedo o vírus for detectado, mais eficiente vai ser o tratamento", alerta Cristiani. O teste também é gratuito e pode ser feito de segunda a sexta, das 7h às 17h, no Cemar, situado na Rua Bahia, bairro Siqueira Campos.

HIV e Aids

Ter o vírus não significa que, obrigatoriamente, o paciente tem Aids. O HIV age diretamente nas células do sistema imunológico, diminuindo as resistências naturais do organismo. Sem defesa, o portador fica vulnerável a qualquer tipo de doença. Quando se fala em Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), na verdade, se fala em diversos sintomas desenvolvidos por conta da baixa defesa do organismo do portador.

O portador pode passar vários anos com o vírus sem desenvolver a Aids - fase assintomática - se mantiver o tratamento adequado. Porém, mesmo sem apresentar os sintomas, o paciente soropositivo pode transmitir o HIV através de relações sexuais, compartilhamento de seringas e da mãe para o filho durante a gravidez.