Fãs-clubes são redutos de emoção

Agência Aracaju de Notícias
11/06/2009 10h12
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Por Sofia Brandão (Estagiária)

Quando se fala de cultura junina, o forró é sem dúvida o elemento mais importante. Dentro desse estilo musical, uma vertente em particular faz mais sucesso entre o público jovem: o forró eletrônico - que agrega novos instrumentos à versão tradicional. A grande popularidade das novas bandas é comprovada pelo aparecimento de inúmeros fãs-clubes. Para os integrantes, todo material publicado sobre os artistas da moda vira relíquia, as canções se tornam hinos, e as camisetas e faixas viram mantos sagrados.

Nas sedes dos fãs-clubes, é necessário dedicação para organizar o material relacionado à banda e o registro da mensalidade paga pelos fãs. No mundo virtual, outras centenas de admiradores compartilham novas músicas e histórias sobre os artistas idolatrados e combinam encontros para os próximos shows, que se intensificam no mês de junho.

Durante as apresentações, as letras das músicas - em geral românticas - levam os seguidores à loucura. Vanessa Otávia, presidente e fundadora do fã-clube ‘Eu vim pra te ver', que homenageia a banda aracajuana Calcinha Preta, relata que a vida de fã não é fácil. "Durante os shows me emociono muito e no final estou completamente sem voz", conta.

O ‘Eu vim pra te ver' existe há dez anos e chegou a ter 90 pessoas inscritas. A banda Calcinha Preta, que já teve dois nomes e formações diferentes, já gravou 20 CDs e hoje comemora a presença de uma canção na trilha sonora da novela Caminho das Índias, da Rede Globo, cujo refrão ‘Você não vale nada, mas eu gosto de você' tem animado as estripulias da fogosa personagem Norminha.

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E para fã que é fã não basta acompanhar os shows da banda predileta na própria cidade. A busca pela emoção de ver o ídolo ao vivo leva os admiradores a cair na estrada e acompanhar a agenda de apresentações dos grupos em vários municípios diferentes. Alexandre da Silva é louco pela banda Calcinha Preta há dez anos e, sempre que pode, junta as economias e vai atrás dos espetáculos que reúnem decorações inovadoras, coreografias elaboradas e efeitos especiais de luzes e sons.

"Para assistir a Calcinha Preta já fui para São Paulo; para a gravação do primeiro DVD, em Salvador; também para a gravação do segundo DVD, em Recife; para Natal e Fortaleza, além de ter ido a várias cidades do interior de Sergipe. Quando não posso ir de avião, vou de ônibus. De tanto eu acompanhá-los, eles já me conhecem. Inclusive fui convidado para o casamento de uma das vocalistas", conta emocionado.

Segundo Vanessa Otávia, o fato de a banda Calcinha Preta ser de Aracaju contribui para divulgar o nome da capital sergipana nos lugares por onde passa. "O amor que eu tenho pela Calcinha Preta vem muito do orgulho que eu tenho da minha cidade. No Nordeste, a maioria das bandas conhecidas é de outras capitais e ver uma banda de Aracaju fazer sucesso no cenário nacional é muito bom", afirma.

Amor incondicional

Elaine Costa e Rodrigo Maggioni se conheceram na mesma época da formação da banda aracajuana Fogo na Saia, no ano de 2002. De acordo com Elaine, desde então, as letras românticas interpretadas pelos vocalistas Xandy Melo e Fernanda Capricchi têm embalado o romance do casal. "São sete anos de relacionamento e sete anos de admirando a Fogo na Saia", destaca. O fã-clube da banda existe desde 2003 e conta com 25 membros.

Na opinião de Elaine, o diferencial da Fogo na Saia é o conteúdo das letras. "As músicas deles são escritas para falar ao coração, não usam expressões de duplo sentido. São perfeitas para dançar com quem se ama", descreve a fã. Para Rodrigo Maggioni, a busca pela qualidade é o que mais chama atenção na banda. "Eles têm a preocupação de fazer tudo perfeito musicalmente, pois a banda é composta por músicos experientes. Eu considero esse cuidado um tremendo respeito aos fãs", opina.

A rotina de devoção à Fogo na Saia não é diferente da dos demais fãs-clubes: reunir publicações, confeccionar faixas com declarações de amor e decorar as novas letras para cantar nos shows. Após cada apresentação, os artistas recebem os tietes para uma sessão de fotos. Com o tempo, tanta dedicação é recompensada com a amizade dos artistas. "Temos uma forte ligação com os vocalistas, que foi aumentando com o passar dos anos. Para nós isso é muito bom", ressalta o casal.

Privacidade

No período junino, uma banda de forró eletrônico chega a fazer três apresentações por noite, muitas vezes em cidades diferentes. Os shows são sempre acelerados e emocionam o público com seus ritmos e melodias. Para Vanessa Otávia, é importante que os fãs respeitem os momentos de descanso da banda, assim como a privacidade com relação a histórias pessoais.

"Todo o carinho que nós conquistamos da parte deles, a intimidade de poder recebê-los na nossa casa e até a relação de amizade verdadeira que eles têm conosco só é possível por causa desse respeito ao espaço deles", explica.