Para dar apoio às mulheres, crianças e adolescentes vítimas da violência doméstica, a Prefeitura de Aracaju (PMA), através da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), vem oferecendo uma série de serviços indispensáveis para a recuperação psicológica e emocional dessas pessoas. Todo o acompanhamento e o suporte psicossocial às vítimas são realizados pelos profissionais do Centro de Referência em Assistência Social (Creas) São João de Deus, localizado na Rua São João, Bairro Santo Antônio.
Lá chegam diariamente mulheres e jovens acossadas pela agressão física, abuso ou exploração sexual que, em geral, são praticados por seus maridos, pais ou padrastos. Para atender a essa demanda cada vez mais crescente, o Creas São João de Deus, além de contar com profissionais devidamente capacitados, tem à disposição a Casa Núbia Marques, abrigo cujo endereço é mantido sob sigilo, onde ficam as vítimas mais ameaçadas por seus agressores.
"Atualmente, o Creas conta com dois assistentes sociais, dois psicólogos e um assessor jurídico, selecionados e capacitados pela ONG Eunice Weaver. O trabalho deles é muito delicado. Muitas vezes, esses profissionais têm que fazer o atendimento lá no abrigo, para que as vítimas não sejam expostas", afirmou a coordenadora do Creas São João de Deus, Wankênia Barreto.
Nos últimos anos, os índices da violência contra a mulher e a pessoas menores de 18 anos aumentaram. De acordo com Wankênia Barreto, isso significa apenas uma coisa: o brasileiro está perdendo o medo de denunciar. "No momento, estamos fazendo o acompanhamento de 54 jovens e quatro mulheres estão abrigadas na Casa Núbia Marques, além de outras quatro que vêm aqui no Creas receber o acompanhamento psicológico. A demanda é alta, assim como a nossa responsabilidade, pois a omissão está diminuindo", justifica.
Recém chegadas à casa abrigo para se libertar da opressão masculina, Lúcia Maria dos Santos, 45 anos, e sua filha pré-adolescente Joana dos Santos Almeida (os nomes e as idades são fictícios para preservar a identidade das vítimas), são o exemplo de que cada vez mais mulheres estão vencendo o medo e a vergonha. "Chegamos aqui há pouco tempo, mas pretendo ficar até o final. Minha menina era agredida pelo pai, mas agora está sendo muito bem tratada e assistida", conta a mãe.
Casa Núbia Marques
Referência em todo o estado de Sergipe no acolhimento a vítimas da violência doméstica, a Casa Abrigo Núbia Marques recebe mulheres e crianças no extremo de sua fragilidade. Desse modo, aquelas pessoas que se encontram mais ameaçadas ou se mostram muito traumatizadas são imediatamente enviadas ao espaço, vinculado ao Creas São João de Deus.
A Casa Núbia Marques é o único abrigo de Sergipe destinado às vítimas da violência doméstica. "A casa pode abrigar até dez pessoas, incluindo os filhos menores de 18 anos das mulheres assistidas. Isso porque a mulher agredida precisa ficar perto dos filhos, seja para ter certeza da segurança deles, seja para que ela mesma se sinta mais segura, ou até mesmo porque não tem com quem deixá-los", explica a psicóloga Pollyanna Almeida.
Convênios
Desde 2003, a Prefeitura de Aracaju vem mantendo convênios com a Sociedade Eunice Weaver no sentido de acolher e acompanhar os casos de violência contra jovens e mulheres. Em relação ao Creas São João de Deus, a ONG faz a contratação da mão-de-obra para a realização das ações vinculadas ao Sistema Único de Assistência Social (Suas) propostas pelo Governo Federal e mantidas pela PMA. Esse convênio, no entanto, deverá ser extinto no próximo ano, quando o município realizará concurso público para a área da assistência social, conforme definido em 2008.