A partir de uma parceria entre Sociedade Brasileira de Urologia, seccional Sergipe (SBU/SE), e Secretaria Municipal de Saúde (SMS), um mutirão de cirurgia para retirada de fimose (procedimento também conhecido como circuncisão) será realizado de forma gratuita em Aracaju a partir deste sábado, 25. A intervenção cirúrgica é indicada para homens que apresentem a patologia, responsável pela incidência de câncer do pênis.
A iniciativa segue uma orientação da matriz da SBU, sediada no Rio de Janeiro, e prevê a realização de cirurgias nas regiões Norte e Nordeste em parceria com o poder público. O objetivo é minimizar a incidência de câncer de pênis, causado sobretudo pela falta de higiene.
Apesar de não haver estatísticas específicas sobre o número de casos de câncer de pênis por estados ou municípios, de acordo com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), em função da doença acontecem cerca de mil amputações penianas por ano no Brasil. No Maranhão, um novo caso de câncer peniano é diagnosticado a cada 13 dias.
"Hoje o câncer de pênis é um câncer da sujeira, da ignorância. Com os nossos meios de comunicação avançados, já que todo mundo tem acesso à televisão, internet, rádio, não se pode admitir que haja pacientes portadores de uma doença cuja causa seja a sujeira", afirma o médico urologista e presidente da SBU/SE, Marcos da Silva Gomes.
De acordo com o coordenador da Rede de Atenção Especializada de Aracaju, Paulo Sérgio Nunes, o Centro de Especialidades Médicas (Cemar), localizado no bairro do Siqueira Campos, está preparado para atender os pacientes. "Já disponibilizamos uma sala para atender esta especialidade. O paciente vem e é consultado aqui, depois vai até a perícia, que confirma a necessidade de intervenção cirúrgica. Então ele é encaminhado a um dos hospitais engajados: Cirurgia, São José ou Hospital Universitário", esclarece.
Fimose
Fimose é uma doença caracterizada pela incapacidade de uma pessoa do sexo masculino expor sua glande (extremidade do pênis). Essa dificuldade ocorre quando o prepúcio (pele do pênis) possui um anel muito estreito, ou seja, a abertura do prepúcio é muito pequena para que se possa expor a glande. O problema pode ser de origem congênita (desde o nascimento) ou adquirida, a exemplo de pacientes com diabetes, mais suscetíveis à infecções na região. A não-retração dessa pele dificulta o asseio, que é primordial para evitar o câncer de pênis.
A única forma de tratamento do problema é a intervenção cirúrgica. Na cirurgia, o prepúcio pode ser retirado totalmente ou parcialmente, mas o importante é que seja retirado o anel prepucial que está estreito. A tendência é a retirada total, o que ocorre sem nenhum dano ao paciente.
Cirurgia
A cirurgia é simples e geralmente leva de 30 a 40 minutos. O procedimento é feito com anestesia local e o paciente não precisa de nenhum cuidado específico prévio, basta realizar a retirada dos pelos pubianos. Cerca de oito dias após a cirurgia, o paciente volta pra casa, mas as atividades sexuais só podem ser retomadas após 21 dias.
Como a cirurgia não tem restrição quanto à faixa etária, pode ser feita a qualquer momento. Contudo, as crianças e adolescentes que buscarem o serviço do mutirão serão agendadas um único dia.
Mutirão
Apesar de as primeiras cirurgias terem sido agendadas para este sábado, 25, a campanha é permanente. A Sociedade Brasileira de Urologia constatou, em 2007, que o câncer de pênis é a patologia que mais acomete homens de baixa renda e moradores das regiões norte e nordeste.