É verdade que a doença física pode alterar sobremaneira o equilíbrio emocional de qualquer pessoa. Essa preocupação tem unido urologistas e autoridades governamentais de todo o país em torno do combate a uma das doenças mais arrasadoras para o público masculino: o câncer de pênis. A enfermidade pode acabar com a auto-estima e a sanidade psicológica dos homens acometidos e que não se tratam a tempo de evitar a amputação do órgão genital.
Por esse motivo, o câncer de pênis tem recebido atenção especial da Prefeitura de Aracaju, que, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), firmou este ano uma parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Através desse pacto ficou acertada a realização de um mutirão de cirurgias de fimose, envolvendo profissionais da SMS e o médico urologista Marcos Gomes, membro da SBU seccional Sergipe (SBU/SE).
Como a patologia dificulta o asseio do órgão genital masculino, é considerada uma das principais causas de ocorrência do câncer de pênis, que surge e se desenvolve, principalmente, pela falta de higiene. A primeira etapa do mutirão de cirurgias de fimose aconteceu entre os dias 21 e 24 deste mês. Para viabilizar sua realização a SMS disponibilizou uma sala no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), localizado no bairro Siqueira Campos.
Lá foram feitas gratuitamente consultas para diagnosticar a fimose e a necessidade de cirurgia. "O Cemar do Siqueira Campos já fazia consultas e cirurgias de fimose antes de dialogar com a SBU. A estrutura da SMS conta com um centro de cirurgia ambulatorial que não possui fila de espera para operações de fimose. Isso fez com que a SBU/SE ficasse bastante à vontade para se aproximar da PMA", disse o clínico-geral Paulo Sérgio, coordenador da Rede de Atenção Especializada.
Procura
Na terça-feira, dia 21, Dr. Marcos Gomes atendeu 25 pacientes. Número que se repetiu na quinta-feira, dia 23. Já no último dia de consultas médicas, o número de pacientes foi recorde: 81. "As pessoas atendidas durante o mutirão vieram de várias partes do estado e até de fora de Sergipe. Foi o caso de um alagoano e um paulista que estavam de passagem pela capital sergipana e resolveram aproveitar as consultas gratuitas. Isso comprova o sucesso do empenho na divulgação do mutirão", observou o urologista.
Dos 131 pacientes examinados, 24 foram diagnosticados com fimose. As primeiras cirurgias foram realizadas no último sábado, 25, por uma equipe de cirurgiões do Cemar. Dez pessoas já passaram pelo procedimento cirúrgico e as demais serão submetidas à cirurgia nos próximos dias. Apesar de os primeiros agendamentos já terem sido feitos, a campanha é permanente. Para marcar uma consulta, basta ligar para o Cemar do Siqueira Campos. O telefone é o (79) 3234-0911.
Operações
A cirurgia é simples e geralmente leva de 30 a 40 minutos. O procedimento é feito com anestesia local e o paciente não precisa de nenhum cuidado específico prévio, basta realizar a retirada dos pelos pubianos. Cerca de oito dias após a cirurgia, o paciente volta pra casa, mas as atividades sexuais só podem ser retomadas depois de 21 dias.
"Além de ser simples, a cirurgia é muito efetiva no combate ao câncer peniano. 70% é o índice de queda do risco de contrair o câncer para quem faz a cirurgia de fimose", apontou Paulo Sérgio.
Como a cirurgia não tem restrição quanto à faixa etária, pode ser feita a qualquer momento. Contudo, as crianças e adolescentes que buscarem o serviço do mutirão e tiverem que ser operados serão agendadas para um único dia.
Fimose
Fimose é uma doença caracterizada pela incapacidade de uma pessoa do sexo masculino expor sua glande (extremidade do pênis). Essa dificuldade ocorre quando o prepúcio (pele do pênis) possui um anel muito estreito, ou seja, a abertura do prepúcio é muito pequena para que se possa expor a glande.
O problema pode ser de origem congênita (desde o nascimento) ou adquirida, a exemplo de pacientes com diabetes, mais suscetíveis a infecções na região. A não-retração dessa pele dificulta o asseio, que é primordial para evitar o câncer de pênis.
A única forma de tratamento do problema é a intervenção cirúrgica. Na cirurgia, o prepúcio pode ser retirado totalmente ou parcialmente, mas o importante é que seja retirado o anel prepucial que está estreito. A tendência é a retirada total, o que ocorre sem nenhum dano ao paciente.