Programas sociais mudam a vida de moradora do Santos Dumont

Família e Assistência Social
17/08/2009 13h55
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Um ano após ser recebida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, a aracajuana Joselita de Jesus Silva, 43 anos, emociona-se ao contar a sua história e as transformações pela qual sua vida passou. Moradora do bairro Santos Dumont, zona norte de Aracaju, Joselita foi convidada, em março de 2008, para representar as famílias beneficiadas em todo o país pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas) do Governo Federal na solenidade de comemoração pelos quatro anos de criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Diante de um público de cerca de 1.400 mil pessoas, o presidente Lula assinou uma série de termos de cooperação com diversos órgãos públicos federais, instituições de financiamento, estados e organismos internacionais, com o objetivo de ampliar os programas sociais nos municípios brasileiros. Beneficiária do Bolsa Família e de outros programas criados pelo Governo Federal e executados pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), a família de Joselita foi escolhida pela direção do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) João de Oliveira Sobral, no bairro Santos Dumont, e pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semasc) para ser homenageada na solenidade, representando os demais beneficiários.

Emocionada, Joselita conta que as transformações pelas quais sua vida passou devem-se, principalmente, à implantação do Cras em seu bairro. Com sete filhos, ela enfatiza o quanto já foi difícil seguir em frente, quando não havia perspectivas de melhorias. "Hoje eu posso dormir tranquila, porque sei que meus meninos estão caminhando para o futuro. Tudo começou quando eles frequentavam a creche municipal, e a partir daí, vieram os outros programas, como o Bolsa Família, Um Canto em Cada Canto, o ProJovem. Sempre sonhei com o dia em que meus filhos teriam uma vida digna e mostrariam aos outros o quanto a situação deles mudou", afirma Joselita.

Na sala de dança do Cras, três dos seus sete filhos exibem alegria. "Veja, eles poderiam estar na rua, fazendo coisa errada. Mas hoje, mesmo quando estão doentes, eles fazem questão de vir pra cá. Os que estudam pela manhã vêem à tarde, e os que estudam pela tarde vêem pela manhã. Mas todos os dias eles estão aqui. Quando eu não estou por perto, sei que meus filhos estão em um ambiente bom, que não estão se envolvendo com coisas ruins. Eles têm tudo para serem pessoas de bem", diz.

Autoestima

Oriunda de uma família humilde, Joselita não teve oportunidade de seguir em frente com os estudos. Mas, como ela mesma afirma, nunca é tarde para recomeçar. "Aqui no CRAS, eu já fiz diversos cursos, como o de culinária, por exemplo. Hoje, estou estudando no Colégio Padre Pedro, e já vou para a quinta série. Nunca tinha pensado em recomeçar a estudar", diz.

Ela afirma que a maior transformação pessoal que conheceu foi a recuperação de sua autoestima, sentimento que impulsiona Joselita na busca da felicidade. "Antes eu era retraída, até pela situação que vivia. Depois de participar das atividades do Cras e voltar à escola, percebi que eu podia ser muito mais que mãe e esposa. Descobri que eu podia ser gente, que poderia ser valorizada. E depois que voltei de Brasília, então, ganhei a admiração de muita gente, que até hoje me pergunta se foi verdade", conta Joselita.

"Até o relacionamento com meus filhos mudou. Sempre fui uma boa mãe, mas não tinha paciência para lidar com eles, às vezes maltratava e até batia, não dava valor às pequenas alegrias que eles tinham, como quando chegavam em casa contando o que comiam na merenda. Mas hoje eu vejo o quanto é importante dar atenção às necessidades deles. Graças a Deus, aprendi a conversar com meus filhos e entender seus problemas, sorrir com as alegrias deles", complementa a dona de casa.

Determinação

A determinação de Joselita é visível. Com um sorriso tímido e olhar sonhador, a guerreira de 43 anos fala com firmeza sobre seus sonhos. "Muitas pessoas que conheço deixam de participar dos programas sociais porque acham que o dinheiro é pouco. Mas não é por aí. Eu nunca participei de nada pelo dinheiro, mas pela oportunidade que eu e meus filhos poderíamos ter. E sei que fiz a coisa certa", diz.   

Com idades entre 9 e 21 anos, todos os sete filhos de Joselita já participaram ou participam de algum dos programas executados pelo Cras. "Vitor Hugo, que tem 9 anos, já foi da creche, e quase todos estão inscritos no Bolsa Família, o que me dá a oportunidade de comprar alguns materiais escolares que eles precisam. Ingrid, com 19 anos, está estudando no Instituto Luciano Barreto Júnior. Lá, ela tem aulas de informática, de teatro e participa do coral. Nada disso teria sido possível se ela não tivesse participado do ProJovem", garante Joselita.

Apesar das dificuldades financeiras, ela garante que a situação dos filhos não pode ser modificada. "Independente de eu estar desempregada ou não, ou de meus filhos serem cortados de algum programa por causa da idade, eu nunca vou tirar eles do Cras. Enquanto eu puder, eles sempre frequentarão o Centro, pois aqui eu estou segura. Esse é um sonho realizado, ver meus meninos se encaminhando para a vida, para um futuro melhor", garante.    

Homenagem  

Meses depois de ser recebida pelo presidente Lula em Brasília, Joselita ainda se diverte quando as pessoas a abordam nas ruas. "Muitas vezes eu tenho que mostrar as reportagens, para provar que eu realmente estive lá, que foi verdade", diz Joselita, ressaltando que nunca tinha viajado. "Eu jamais havia me imaginado dentro de um avião, quanto mais em Brasília", complementa.

Para ela, conhecer o presidente da República foi um sonho realizado. "Eu sempre admirei Lula, pela história dele. E, entre os vários presidentes que comandaram o país, nenhum deles fez um terço do que Lula já fez", ressalta a moradora do bairro Santos Dumont. "Quando me perguntaram se eu estava preparada para ir a Brasília, eu disse que sim, porque não tenho medo de nada. Tanto que fui e fiz bonito, sei que representei muito bem todas as famílias que confiaram em mim", garante.