Últimos dias para conferir a exposição fotográfica 'Dá Iô Iô'

Funcaju
29/10/2009 09h47
Início > Notícias > Últimos dias para conferir a exposição fotográfica 'Dá Iô Iô'

Termina neste sábado, 31, a exposição fotográfica ‘Dá Iô Iô', que está em cartaz na Galeria de Artes Álvaro Santos (GAAS), mantida pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes da Prefeitura de Aracaju (Funcaju). A mostra reúne 20 imagens da fotógrafa sergipana Camile Levita, feitas em outubro de 2007 durante a tradicional festa popular dos Lambe Sujo e Caboclinhos, que acontece anualmente na cidade histórica de Laranjeiras, a 20 quilômetros de Aracaju.

O título da mostra - ‘Dá Iô Iô' - é uma expressão usada pelos Lambe Sujo durante peregrinação pelas ruas da cidade em busca de trocados ou ingredientes para o preparo da feijoada servida na festa. "O grupo conta a história do povo de Laranjeiras, do passado dos negros, de como os índios foram negociados para ser capturadores de negros. Eu quis entrar naquela manifestação e mostrar o sentido dessa história, o detalhe, a textura, a luz, a população que faz parte da festa", explica Camile Levita.

O texto de abertura da exposição é da pesquisadora do folclore sergipano, Aglaé Fontes de Alencar. A identidade visual da mostra têm a colaboração e o olhar do design e estudante de cinema Raphael Borges, conhecido como ‘Mingau'.  Detalhes como o ritmo da dança, a cor ocre e do mel de cabaú que cobre a pele dos brincantes dão o tom da montagem.

A Galeria Álvaro Santos fica na  praça Olímpio Campos, Centro da capital. O horário de funcionamento vai de segunda à sexta-feira, das 8 às 18 horas, e nos sábados das 9 às 13 horas. Agendamentos para visita de grupos escolares podem ser feitos através do telefone (79) 3179 1308.

Tradição

O confronto entre Lambe Sujo e Caboclinhos acontece todos os anos no segundo domingo do mês de outubro. A população resgata a história dos índios (Caboclinhos) contratados pelos senhores para capturar os negros (Lambe Sujo) que fugiam do engenho. As ladeiras coloniais de Laranjeiras são transformadas num palco para uma grande encenação das históricas de perseguições.

"A forma como o Lambe Sujo e os Caboclinhos se dão para você é muito forte. Te arrebata de uma forma que ou você entra na dança e se permite ser chicoteado e pintado, ou é melhor cair fora senão você vai se chatear. Eles não deixam ninguém de fora daquilo. E é justamente um pouco disso tudo, desse passo marcado, da cor e força da festa, que quero mostrar na exposição", relata a fotógrafa.

Fotógrafa

Camile Levita, 27, é sergipana nascida em Salvador e mora desde 2007 em São Paulo. É médica pediatra por profissão, fotógrafa por opção e prazer. Tem cursos de formação em fotografia no Museu Lasar Segall (SP) e, atualmente, cursa a oficina de fotografia no Centro Universitário Maria Antônia, da Universidade de São Paulo (USP).

Há três anos em São Paulo fazendo residência em pediatria, Camile Levita avalia que estar distante de Sergipe e exercer outra profissão também ajudam a aproximar o olhar do povo sergipano. "Principalmente quem vem do Nordeste, que tem uma vivência diferente, quando chega lá em São Paulo quer sempre buscar o que é da gente. Perceber que tem outro ali, tentar colocar um pouco mais de calor, de afeto. É isso que eu trago um pouco também na fotografia, acho que por isso que gente é a minha base", explica Camile.