Cerca de 400 moradores do bairro Santa Maria participaram nesse sábado, 13, do desfile do bloco ‘Afoxé Akueran’. Desde 2007, o bloco, que tem raízes no candomblé, tem levado alegria e diversão para a comunidade durante o carnaval. Pelo terceiro ano, o ‘Afoxé Akueran’ foi apoiado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju) da Prefeitura de Aracaju.
Os participantes receberam gratuitamente a camisa do bloco, e muitos completaram o visual com máscaras, perucas e adereços. A concentração foi na sede do terreiro Ilê Axê Demata Ni Sahara, na rua B13. Às 16 horas os foliões acompanharam o trio, que foi monitorado em todo o percurso por agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).
O bloco percorreu várias avenidas do bairro ao som de atabaques e agogôs, reunindo populares de todas as faixas etárias. O grupo de idosos da comunidade foi um dos destaques.
A doméstica Maria Cecília Santos, 54, moradora do bairro há 19 anos, disse que o bloco é uma forma de unir os vizinhos. “Hoje eu quero pular. Isso aqui é muito importante para nós do Santa Maria. Muitas vezes não temos condições de ir para outro lugar brincar o carnaval. Uma festa no nosso próprio bairro é muito gratificante”, falou, acrescentando que o grupo de idosos foi convidado pelo terreiro. “Sou católica e não tenho nenhum preconceito com outras religiões, o que vale é ser feliz”, disse.
Segundo um dos idealizadores do bloco, o babalorixa Fernando Kassideran, o apoio da prefeitura é muito importante. “Para que fique tudo organizado é preciso ter recursos, e desde 2008 temos recebidos o apoio da prefeitura. Essa ação garante a tradição do carnaval de rua de Aracaju. Cresci participando do Carnaval do Povo, que era realizado na praça Fausto Cardoso, por isso fico muito feliz ao ver o apoio aos blocos dos bairros e comunidades”, revelou.
Trabalho social
O nome Akueran significa ‘O filho que traz alimentação’ e demonstra o cuidado do terreiro em zelar pela comunidade. “Trabalhamos com a valorização e preservação da cultura afro-brasileira. Infelizmente o Santa Maria sofre um preconceito muito grande. As pessoas associam a comunidade à marginalização, e o bloco serve para quebrar esse estereótipo. Outro fator bastante importante é a questão religiosa, pois mostramos como é possível reunir todas as crenças em prol da paz e da diversão”, relatou.