Conscientizar e preservar a identidade negra foram os principais objetivos dos blocos carnavalescos Quilombo e Criliber, que levaram uma multidão a percorrer as vias dos bairros Santo Antônio, Getúlio Vargas e Cirurgia na tarde dessa terça-feira, 16. Ao todo, 53 blocos carnavalescos foram apoiados pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes (Funcaju) da Prefeitura de Aracaju, com o propósito de resgatar os antigos carnavais na capital.
O bloco Quilombo, do bairro Santo Antônio, existe há 25 anos, e reuniu cerca de 1500 pessoas que brincaram a tradicional guerra de farinha, puxadas por um mini-trio, que percorreu as principais avenidas do bairro. A prestadora de serviços gerais, Roselita da Conceição Santos, 39, convidou os amigos para participar da festa. “É a primeira vez que participo do bloco e estou adorando. Acho muito bom essa iniciativa de fazer uma festa para os moradores da região. Espero nunca mais perder”, declara.
Animados por dançarinas vestidas com roupas tradicionais da cultura negra, o cortejo cantou e dançou ao som de músicas afro-brasileiras. Segundo o organizador e diretor cultural do bloco, Irivan de Assis, o Quilombo mostra a história da resistência negra e resgata a valorização dos blocos afros. “Ficamos décadas sem receber ajuda de instituições públicas, esse é o terceiro ano que a Prefeitura nos apóia. Isso nos ajuda a preservar, dar à população negra e às demais pessoas a opção de curtir o carnaval seguindo suas raízes,” disse.
Criliber
O bloco Criliber, que significa ‘Criança e Liberdade’, existe desde 1982 e levou mais de duas mil pessoas a comemorar o carnaval nas ruas dos bairros Getúlio Vargas e Cirurgia. Muito mais do que apenas um bloco carnavalesco, o Criliber funciona como uma ONG e tem como missão reparar as injustiças sofridas pelos negros ao longo da história, bem como preservar sua identidade e cultura. O grupo nasceu na comunidade Maloca, localizada no bairro Getúlio Vargas .
Para o co-fundador da ONG, Luiz Augusto Bonfim dos Santos, o bloco é uma forma de elevar a autoestima do povo negro. “Vivemos cercados de culturas que não são nossas e muitas vezes acabamos nos afastando de nossas raízes. Com esse bloco mostramos que é possível comemorar o carnaval com nossas músicas e nossos símbolos”, afirma.
Luiz Augusto ressaltou ainda a importância de receber o apoio da Prefeitura de Aracaju. “Vejo que se abrem novas portas para o povo negro. Essa iniciativa nos dá fôlego para continuar a luta. Acredito que nos próximos anos vamos ter mais democratização e acesso ao bem cultural da nossa raça, vamos dar mais visibilidade ao povo sobre suas próprias raízes”, ressalta.
Puxando o cortejo, levando a bandeira do bloco e escolhida como rainha da beleza negra pela comunidade este ano, a vendedora autônoma Maria Elisângela dos Santos, 26, falou da emoção de representar os moradores da Maloca. “Fico muito feliz de ter eventos como esse no nosso bairro e, principalmente, o que resgata a nossa cultura, só assim podemos comemorar com liberdade e principalmente preservando a nossa identidade”, destaca.