Ampliar o acesso ao esporte foi um dos princípais objetivos da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) ao realizar a 6ª Corrida Especial na tarde desta quarta-feira, 17. A competição que teve início às 14h30, na Avenida Rio de Janeiro, está vinculada a 27ª Corrida Cidade de Aracaju, e contou com a participação de mais de 130 atletas paraolímpicos que mostraram superação e entusiasmo.
O percurso de três quilômetros seguiu pelas avenidas Barão de Maruim e Beira Mar, tendo como ponto de chegada a praça do Mini Golf. Diferente do ano passado, quando aconteceram duas largadas em locais diferentes, este ano todas as categorias largaram de um só local.
Atletas com deficiência mental, auditiva, visual, síndrome de down, cadeirantes e membros superiores e inferiores amputados participaram da prova. Muitos vindos de São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro e de outras regiões.
O brasiliense Antônio Carlos dos Santos, 33, participa da prova pela terceira vez na categoria deficiente mental leve. “Participar dessa corrida é muito gratificante. Essa competição mostra para mim e para tantos outros deficientes que nós somos capazes de fazer tudo o que os outros fazem”, relata.
Veterana na corrida, a baiana Angelina Nascimento, 41, já venceu a prova três vezes e repetiu o sucesso mais uma vez. Segundo ela, a prefeitura tem mostrado um papel importante na luta contra a discriminação e no incentivo de elevar a auto-estima dos portadores de deficiência física.
“Fui a única cadeirante inscrita na corrida este ano. Sei que tem muitos cadeirantes em Aracaju, e fico impressionada ao ver a cidade receber uma competição como essa e poucas pessoas participam. Espero que no próximo ano as pessoas valorizem esse trabalho tão bonito que Aracaju faz por nós deficientes”, declarou.
Famílias
Durante todo o percurso várias famílias prestigiaram a corrida, eram mães, pais, tias e avós que se espremiam para ver os atletas cruzar a linha de chegada e conseguir o melhor ângulo para registrar a foto e guardar como lembrança.
A dona de casa Gleide Selma Santos não escondia o orgulho de ver o filho, que tem síndrome de down, participar da prova. “Não importa pra mim ele ganhar ou perder, o que eu quero é ver meu filho feliz. Eventos como este possibilitam momentos de alegria para meu filho”, afirma.
Motivação
Após ser vítima da violência de São Paulo, em 1992, quando foi derrubado em uma linha de trem e teve a perna direita amputada e várias fraturas no braço direito, o paulistano Edson Dantas, 43, não ficou desmotivado, se tornou atleta e já ganhou vários títulos internacionais. Esse ano se tornou tetracampeão na Corrida Cidade de Aracaju na categoria membro inferior amputado.
“Essa corrida serve para tirar o deficiente de casa, mostrar para ele que existe uma vida para ser vivida, independente de ter ou não uma perna ou um braço. Depois que me tornei atleta vi minha vida se transformar, não para o pior, mas para o melhor”, frisa.
Segurança
Durante todo o percurso que durou cerca de 1h30 os participantes da corrida foram acompanhados por agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e da Polícia Militar que controlou o trânsito por onde os atletas passavam. Além disso, foi montada uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para atender possíveis eventualidades.
Premiação
No ponto de chegada, na praça do Mini Golf, os atletas foram recepcionados com palmas e logo após receberam lanches e massagens de massoterapeutas. A premiação dos três melhores em cada categoria foi de R$ 300,00 para os primeiros lugares; R$ 200,00 para os segundos colocados; e R$ 150,00 para os terceiros colocados. Todos os atletas receberam medalhas de participação, além da entrega de troféus para os cinco primeiros colocados.
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