Teatro do Oprimido apresenta novas propostas para a Saúde Mental em Aracaju

Saúde
19/05/2010 17h49
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A Biblioteca Pública Epifâneo Dórea está sendo palco dos debates e das apresentações do último módulo do curso de Teatro do Oprimido. Nesta quarta e quinta-feira, 19 e 20, profissionais da Rede de Atenção Psicossocial de Aracaju (Reap) estarão mostrando os resultados obtidos com as técnicas do Teatro do Oprimido no cuidado aos pacientes dos Centros de Atenção Psicossociais de Aracaju (CAPS).

Participam do evento psicólogos, psiquiatras, oficineiros, assistentes sociais e educadores físicos da Reap, além de representantes do poder legislativo municipal e os próprios usuários da rede. Além da avaliação dos resultados alcançados, o encontro serve para exposição das obras de autoria dos pacientes e discussão de direitos e leis que poderão ser propostas para a melhoria das políticas públicas voltadas à saúde mental no município.

O curso de Teatro do Oprimido apresenta técnicas criadas pelo renomado teatrólogo brasileiro Augusto Boal, enfocando a metodologia do Teatro Fora. Em Aracaju, o curso foi ministrado em três módulos por uma equipe de profissionais do Rio de Janeiro (RJ). A partir desta formação, os profissionais que atuam na saúde mental se tornarão multiplicadores em suas unidades de trabalho, onde as técnicas do Teatro do Oprimido deverão ser repassadas.

"A metodologia consiste na montagem de cenas de teatro baseadas em histórias reais, trazidas por usuários dos CAPS, através dos profissionais que trabalham diretamente com eles. São cenas de opressão vivenciadas no cotidiano do usuário, para que ele aprenda novas formas de saber como lidar com as situações de conflito", expôs Monique Rodrigues, especialista na metodologia de Augusto Boal.

Alternativas

Ainda de acordo com ela, o grande objetivo do Teatro do Oprimido é trazer alternativas ao sistema arcaico de tratamento psiquiátrico proposto pelos manicômios. "Trazemos novas possibilidades de tratamento que visam combater o preconceito contra o usuário dos serviços públicos de saúde mental", destaca Monique.

Para o educador físico do Caps Primavera, Fernando Dantas, as técnicas do Teatro do Oprimido na Saúde Mental são salutares por permitirem a reinserção social dos pacientes. "Esse trabalho promove a quebra dos muros que segregam os usuários, estimulando-os através da arte, da criação de cenários e cenas", pontuou o profissional.