Palestras, apresentações de vídeos documentários e um debate sobre os malefícios causados pelo uso de drogas lícitas e ilícitas fizeram parte da programação que reuniu, na noite dessa segunda-feira, 26, alunos do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem Urbano) no auditório do Centro de Aperfeiçoamento de Recursos Humanos (Cemarh), localizado no bairro Siqueira Campos.
Inseridos no núcleo da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Laonte Gama da Silva, os alunos construíram um mapa de desafios da comunidade do bairro Santa Maria, baseando-se no conhecimento da realidade social ou local para a execução de ações cooperativistas e de responsabilidade solidária.
"O Projovem Urbano tem como instrumento de integração do currículo o Plano de Ação Comunitária [PLA], desenvolvido, avaliado e sistematizado no componente curricular 'Participação Cidadã'. Além das ações que tratam da problemática das drogas, o PLA elaborado por outras turmas desse mesmo núcleo trataram de diferentes temas, como gravidez na adolescência e conscientização do uso racional e sustentável da água", explicou a assistente social e educadora da disciplina de Participação Cidadã, Valdecy Farias.
Atentos às orientações do coordenador de Prevenção e Reinserção Social do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil, Givaldo Nascimento, os jovens conheceram os prejuízos causados pelo consumo de drogas, a exemplo do cigarro, anfetamina, merla, cápsula do vento, haxixe, ecstasy, lança perfume e hormônios anabolizantes.
"Em virtude do uso abusivo e destrutivo do crack nas escolas, praças e em meio à alta sociedade, tornou-se necessário evidenciar as doenças desenvolvidas ao longo do vício e as adquiridas por filhos de viciados. A importância da família e da escola nesse contexto merece destaque, pois ambas têm papel fundamental no processo de conscientização", declarou Nascimento.
O psicólogo e coordenador do Programa Redução de Danos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Wagner Mendonça, esclareceu qual deve ser o posicionamento dos jovens no que se refere ao uso de drogas lícitas ou ilícitas. "O público do Projovem é receptivo e, ao mesmo tempo, participativo. Isso facilita a transmissão de conhecimentos e a realização de discussões que giram em torno dessa problemática", comentou o coordenador, que em sua explanação associou a temática a aspectos como religiosidade e tratamento do vício.
Ações preventivas
Comprometida com a tarefa de influenciar positivamente os jovens do bairro Santa Maria, a aluna Deilde Francisco Xavier, 25 anos, motivou alguns colegas a confeccionar panfletos para distribuição nas residências. "A droga é um dos problemas que mais afeta a nossa comunidade, por isso é necessário que estejamos preparados para lidar com esse mal que tem roubado a juventude de muitas pessoas", argumentou.
Assim como Deilde, os alunos do Projovem Urbano inseridos no núcleo da Emef. Olavo Bilac, também estão engajados numa verdadeira campanha de combate às drogas. Orientados pela educadora de Participação Cidadã Polyana Kitawar, eles assumiram o compromisso de sensibilizar os pais da comunidade do bairro Cidade Nova após detectaram a inserção precoce de crianças e adolescentes no mundo das drogas. "A violência doméstica e a preservação do meio ambiente também foram temas levados em consideração durante a elaboração do PLA nesse núcleo. Para cada um deles, foi realizado um mapa de desafios", acrescentou a educadora.
Antecedendo a apresentação cultural do grupo de hip hop ‘New Face', o depoimento do ex-usuário de drogas Bruno dos Santos, 30 anos, que também é aluno do Projovem, serviu de estímulo aos colegas. "Embora tenha dado início ao contato com as drogas aos 16 anos, sinto-me realizado em poder declarar que o vício não faz mais parte da minha vida. Após a desestruturação da minha família conheci o Evangelho de Cristo e pude contar com a boa influência do Projovem, que me dá a oportunidade de aconselhar outros jovens que sejam usuários ou não", concluiu Bruno.