Adolescentes gays participam de campanha de combate à Aids

Saúde
19/10/2010 08h05
Início > Notícias > Adolescentes gays participam de campanha de combate à Aids

De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos tem crescido o número de adolescentes gays infectados pelo vírus da Aids. E foi justamente para discutir essa problemática que a diretoria da Associação de Defesa Homossexual de Sergipe (Adhons) esteve na sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para uma reunião com o coordenador do programa municipal de combate às DST/Aids e Hepatites Virais, Andrey Lemos.

O objetivo da reunião foi traçar uma estratégia de prevenção justamente para esse público. "Precisamos encontrar novas estratégias, novos mecanismos para chegar até essa população, para prevenir essas doenças", disse o coordenador. Durante a reunião foi elaborada uma programação e decidido que será realizado no mês de dezembro um dia inteiro de debates relacionados à prevenção das DST/Aids e Hepatites Virais para a juventude de gays, lésbicas travestis e transexuais.

"Vamos discutir com os jovens as formas de prevenção, as práticas do sexo seguro, o que a Secretaria Municipal de Saúde oferece enquanto política de prevenção, de assistência e de diagnóstico. Também serão discutidas questões relacionadas à autoestima, valorização do seu corpo, da vida, potencializando esse sentimento de autocuidado e de prevenção", explicou Andrey.

O coordenador afirmou ainda que a SMS sempre apóia as ações promovidas pela Adhons e que essa será mais uma atividade educativa em parceria com a associação. Ficou definido que durante o dia serão realizados seminários, palestras e eventos educativos que irão culminar com um grande evento cultural à noite. "Também durante esse evento a Adhons estará relançando seu jornal, que será distribuído nas escolas. Haverá ainda a entrega de uma premiação homenageando algumas pessoas que se destacam na prevenção e no trabalho em prol da defesa da cidadania LGBT", disse Andrey.  

Adolescentes

O coordenador explica que, para trabalhar com o público jovem, é preciso usar uma linguagem especifica.  "O adolescente tem um sentimento muito forte de que é praticamente invencível. Eles crescem e acham que podem fazer tudo sem consequências", disse Andrey, informando que o segmento homossexual começou a se prevenir e obteve bons resultados no combate a essas doenças por causa dos grupos homossexuais, das associações. Já os adolescentes de hoje não se identificam com esses instrumentos.

"Eles querem algo novo, são muito mais presos à internet, por exemplo, às boates, do que aos grupos de discussão, livros ou cartilhas. Então a gente precisa enquanto estado, enquanto município, pensar em novas estratégias. Talvez blogs, boletins eletrônicos, parceria com o programa de saúde nas escolas para que possamos debater em sala de aula a sexualidade, prevenção, DST's, drogas, esses temas que são relevante para esse segmento", disse.

Para o coordenador, os grupos de homossexuais precisam pensar em como acessar essa população mais jovem que às vezes tem dificuldade de ir em busca da informação na instituição, por exemplo. "O adolescente tem mais facilidade em buscar informação nas festas, na balada. Vamos ter que encontrar essa forma de chegar à essa parte da população e esse é objetivo da ação", comentou Andrey Lemos.