O programa Ossos do Ofício promoveu na Escola de Artes Valdice Teles a quarta e última palestra do módulo ‘Cultura e Comunicação’, que contou com outros três debates realizados nas últimas semanas. O tema ‘TV Pública’ foi apresentado pela presidente da Fundação Aperipê, Indira Amaral, na noite dessa quarta-feira, 3.
O público do encontro foi formado principalmente por estudantes da Escola Municipal Sabino Ribeiro, do bairro 18 do Forte, que levou cerca de 40 alunos para a palestra. A participação do colégio no debate se deve a um projeto que busca apresentar aos estudantes o desenvolvimento das tecnologias da comunicação ao longo da história humana.
A presidente da Aperipê falou um pouco sobre a história da televisão no Brasil e também o que é e como funciona a TV pública brasileira. Indira explicou que o surgimento real da televisão pública só aconteceu em 2007, pois até então vinha sendo utilizado o conceito e o formato de TVs educativas.
Ela mostrou também como essa reconstrução do sistema público de comunicação no Brasil modificou a atuação da Aperipê TV nos últimos anos, que se reestruturou especialmente através de mudanças na sua grade de programação. Outra discussão levantada foi a respeito das principais diferenças entre os canais de televisão sob o controle público e aqueles controlados pelo mercado.
Valorização
O ponto mais abordado durante a palestra foi a descentralização e a democratização dos conteúdos produzidos pela televisão pública. Segundo Indira a tradição da TV comercial é de produção quase que exclusiva no eixo Rio-São Paulo, algo que não é compartilhado por canais como a Aperipê TV, que busca aproximar-se mais da cultura local através de programas que abordam questões do estado de Sergipe e são produzidos por sergipanos.
“A sociedade tem direito a todo tipo de conteúdo, e não somente àquele produzido e formatado segundo os moldes de alguns estados e dependentes dos interesses dos anunciantes”, defende Indira. “A independência comercial e a valorização do local possibilitam um enriquecimento na programação da TV muito positivo para a sociedade na medida em que ela terá acesso a uma maior riqueza das informações e um conteúdo que vai além do simples entretenimento”, completa.
Direito à informação
“Nosso principal objetivo com a televisão pública em Sergipe é informar de modo que cada um possa formar a sua própria opinião, independente dos interesses comerciais ou políticos daqueles a frente do processo comunicativo”, afirma a presidente da Fundação Aperipê. “Foi também com esse intuito de levar informação que nós viemos participar do Ossos do Ofício” conta.
“O projeto é iniciativa muito interessante, pois, levando informação através de temas relevantes, ele tem desenvolvido um trabalho de grande importância para a formação dos aracajuanos. A possibilidade de acesso a programas e políticas públicas, que por sua vez dão acesso à informação e ao conhecimento, não é um processo simples, mas é absolutamente indispensável”, defende Indira.
A Fundação Aperipê acumula a marca de 3,7 horas diárias de produção local, mais de 150 documentários sobre personalidades, manifestações culturais, lugares e costumes que formam a sergipanidade, sendo a única emissora aberta a fazer parte do projeto experimental de interatividade para TV digital.
Para expor um pouco dessa produção, ao fim do encontro foi exibido um vídeo institicional que conta um pouco de como atua a Fundação Aperipê e também foram apresentados alguns dos programas de produção local que fazem parte da grande de programação da TV pública de Sergipe.