Nostalgia marca desfile da ‘Unidos do Samba’

Funcaju
08/03/2011 16h27
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Aos 41 anos, a dona de casa Denise Ferreira ensaiava passinhos de samba, lembrando de antigos carnavais. Hoje, em seu colo, quem curte a folia é a pequena Beatriz, de apenas três anos. Mãe e filha acompanharam a cadência da bateria da escola ‘Unidos do Samba’, que tomou as ruas do Bairro Industrial na noite dessa segunda-feira de carnaval, 7. Antes do desfile, um minuto de silencio em homenagem a dona Regina, passista veterana falecida há 15 dias.

Dona Denise acompanhou todas as fases da escola de samba. “Comecei aqui com 17 anos. Eu era passista, das boas. Aqui a gente fazia as nossas fantasias, era muito bonito. Durante muito tempo, tudo isso ficou abandonado. Eu fico muito feliz vendo que tudo isso está voltando”, relembra, com a convicção de quem já se sente patrimônio da agremiação.

Envolvimento com a comunidade parece ser a marca registrada da ‘Unidos do Samba. É o que defende o presidente da Liga Oficial de Carnaval, Gibaldo Souza. “Isso aqui é completamente composto pela comunidade do bairro Brasília Nova. Nós distribuímos 300 fantasias para os moradores. Em agosto, a diretoria da escola vai retomar as oficinas de confecção de fantasias e de percussão. A intenção é formar quadros até o ano que vem que consigam desenvolver ainda mais o trabalho da escola”, afirma.

Tradição

“Das Cinzas à poesia, o Carnaval contagia”. O título do samba enredo explica por si só a evolução e o empenho no resgate da tradição. A escola, fundada em 1985, já viveu áureos tempos. Cinco vezes campeã de concursos em Sergipe, a ‘Unidos do Samba’ já exportou gente para escolas de samba de São Paulo. Algumas das mãos que fizeram as indumentárias da agremiação de Aracaju já confeccionaram também fantasias para a ‘Gaviões da Fiel’ paulistana.

Os tempos dos desfiles na avenida Barão de Maruim vividos por dona Regina e dona Denise ficaram para trás.  Mas, pouco a pouco, eles começam a ser revividos pelo esforço de homens e mulheres dedicados ao trabalho comunitário. “É muito duro botar a escola na rua todo ano. Mas tudo isso é muito gratificante”, desabafou Davi de Oliveira, presidente da escola, ao mesmo tempo em que comandava o tamborim da bateria.

Bateria que, segundo Gibaldo Souza, é a única da capital sergipana. “O nosso desfile também é uma manifestação. É um grito de alerta para a comunidade e para as autoridades em defesa da tradição. Já estamos felizes e confiantes pelo grande apoio oferecido pela Prefeitura de Aracaju neste ano. Precisamos levar essa tradição adiante”, concluiu o carnavalesco, enquanto a pequena Beatriz ensaiava os seus primeiros passos de samba.